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Monthly Archives: June 2013

República Dominicana

Não tinha falado quase nada sobre a República Dominicana. Afinal, chegamos em Santo Domingo no final da tarde, e logo de manhã cedo no dia seguinte partimos para o Haiti. Agora estávamos voltando. Pegamos um ônibus em Cap Haitien para Santiago, a segunda cidade da República Dominicana. De lá, tínhamos que pegar outro ônibus até Sossua, e de lá uma van até Cabarete, nosso destino final. A viagem toda demorou umas 5 horas, mas tranquila.

Cabarete é uma mistura de Caiobá, no Paraná, com Cabo Frio (foi brincadeira com o Guilherme, mas não está longe da realidade). É um super destino turístico de americanos que querem fazer esportes radicais, como kitesurf, windsurf, surf, e outros, mas também pra quem simplesmente quer relaxar em frente à praia. Há inúmeros condomínios estilo americanos mesmo, e a língua local é meio à meio, de tanto americano. Há voos diretos de NY, Chicago, etc para lá.

Obviamente o ambiente não tinha muito a ver com o nosso estilo. Mas o que salvou foi a guest house que ficamos, muito maneira. Pra começar, ficamos em um bangalô, tinha uma piscina, um restaurante estiloso (que inclusive era muito frequentado por gente de fora da guest house) em frente à um laguinho, e algumas pessoas bem legais. Conhecemos um belga Patrick, que tinha morado no Haiti, Guiné, Senegal e outros lugares menos votados, e ele tinha muitas histórias interessantes pra contar, pena que um pouco rancoroso e demais politizado. Mas o spapos valeram e muito, até porque a gente começa a entender como funcionam as organizações de ajuda humanitária, que de ajuda humanitária têm muito pouco. Apenas um pequena parcela do dinheiro chega até a população, o resto fica preso na burocracia, nos custos de manter esta gente com mordomias, e é claro, com a corrupção.

Foram 2 dias pra relaxar (o Guilherme até surfou), até a volta para Santo Domingo, onde matamos nossas últimas horas no centro histórico. Santo Domingo foi meio decepcionante, tem até prédios bonitos, bem cuidados, mas não há relamente nada de surpreendente. Talvez porque eu e o Guilherme já temos estados em várias outras cidades com estilo colonial, então foi meio repetitivo. Fora do centro histórico (chamado Zona Colonial), é apenas uma cidade comum, com estilo bem misturado entre o latino e o americano. Claro que a influência dos USA é enorme, até pela distância, mas tem fast food pra tudo quanto é canto, e muito beisebol e basquete também.

Cabarete - paraíso do surf

Cabarete – paraíso do surf

 

Rua principal de Cabarete

Rua principal de Cabarete


Nosso bangalo!!

Nosso bangalo!!

Sem dúvida, pra quem inicialmente tinha ideia apenas de passar uns 10 dias descansando nas praias da República Dominicana, a viagem foi bem intensa, a experiência no Haiti foi especial. Não me arrependo de não ter contado lá em casa, e nem pros amigos. Quando voltei, ouvi várias estórias de como é violento, não se pode sair na rua sem risco de ser assaltado, seuqestrado, etc. Só que já tinha voltado, e não vi nada parecido por onde passei. Será que foi sorte?

Santo Domingo

Santo Domingo


Castelo de Santo Domingo

Castelo de Santo Domingo

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Posted by on June 22, 2013 in Rep. Dominicana

 

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Haiti – Resumo

O que dizer do Haiti? Não vamos nos prender ao esteriótipo de que é um país falido, sem infraestrutura, sem governo, sem PIB, sem turista, etc. Isso é o que ouvimos, vimos pela TV. Do mesmo jeito que um belga que conhecemos em Cabarete (Rep Dominicana) nos disse que não vai ao Rio por conta dos arrastões na praia (aconteceram há mais de 15 anos), muita gente pensa que só de pisar em Porto Príncipe, vai ser agarrado e assaltado por uma turma de desesperados. Não é nada disso.

Mas infelizmente a realidade não fica longe disso. O país é pobre, as ruas estão em estado de calamidade, em termos de sujeira. Não há quase coleta de lixo, e isso realmente incomoda, e diria que seria o fator principal para afastar os turistas. Eles deveriam cuidar mais deste ponto, mas ao mesmo tempo sei que não é a prioridade em um lugar onde falta literalmente tudo. Ou quase tudo.

O que não falta é disposição do povo para seguir em frente. A vida não acabou no terremoto de 2010. As pessoas estão lá, e têm que continuar. E a vida parece ser uma constante luta pela sobrevivência diária. Não há espaço para lamentos, depressões, e preocupações com limpeza, organização e respeito à algumas leis. Exemplo : apesar de tudo, a criminalidade é baixa, quem é pego roubando é preso, se não for linchado antes. O trânsito é caótico mesmo, já descrevi um pouco sobre isso. Tem alucinados como nosso motorista de taxi na chegada á PAP, mas a maioria espera pacientemente nos engarrafamentos.

Chama a atenção Petion Ville, que fica nos arredores de PAP, e é o bairro/cidade dos bacanas. Dizem que há 11 famílias que controlam a economia. Não sei se é verdade, mas sei que vimos alguns Porsches, BMWs e Mercedes em Petion Ville, quase todos dirigidos por haitianos. É quase que uma ilha da fantasia o lugar, inacreditável a diferença de vida entre Petion ville e Porto Príncipe, à apenas alguns kms de distância.

Lotação esgotada!

Lotação esgotada!


Ai meu dente

Ai meu dente


Transporte alternativo

Transporte alternativo

Outra coisa que chama a atenção é que os gringos das ONGs, e outras agências de ajuda causam verdadeira ojeriza nos haitianos. São pessoas, a maioria jovem, que vêm pro país ganhar salários altos, ter uma vida cheia de mordomias (às vezes o conceito de mordomia pode ser relativo, só de ter roupa limpa, comida e uma boa cama já é considerado uma grande mordomia), e que não se misturam com o povo que necessita tudo.Estão lá quase que por obrigação. Isso não passa desapercebido. Aliás, um detalhe: a organização Viva Rio foi muito bem comentada, passando longe disso que acabei de descrever.

Os brasileiros são em geral muito bem conceituados, tanto pelo futebol, claro, como pela participação efetiva no processo de pacificação. Ponto pra nós, apesar da polêmica se deveríamos estar gastando tantos recursos em outras terras, já que tantos brasileiros precisam desses recursos tanto quanto eles. Mas conforta saber que não é recurso jogado fora.

Fora de Porto Príncipe, a vida pode ser mais difícil ou fácil. Difícil por ficar quase que totalmente fora do radar dessas organizações, que focam muito mais na capital e em Cap Haitien. Quando estávamos parados na estrada de terra, com a camionete quebrada, passou uma SUV com 2 americanos de camisa social e gravata (era domingo), e 3 adolescentes no banco de trás, também de camisa social e gravata. isso mostra que os missionários estão sim, mais próximos do povão, e fora dos grandes centros. Fácil por ficar longe daquela confusão, por não ter sido atingido pelo terremoto, pelo povo ter uma vida muito mais simples, sem miséria, apenas vivem com muito pouco recursos. Porém, parecem mais felizes, e por não ter acesso às informações, não sentem faltam do que não sabem existir. E conta bastante o fato de que em alguns lugares que passamos não haver turistas nenhum. Em Cap Haitien é um pouco diferente, há poucos turistas, mas muitos estrangeiros de agências. Então existe mais contato. Lembro que o rapaz da guesthouse de Porto Príncipe disse que nós éramos os segundos turistas do ano, que ali se hospedava mais o pessoal de missões.

Pescador em Labadie

Pescador em Labadie


Tecnologia

Tecnologia


Cap Haitien

Cap Haitien

Claro que não cabe à mim dissertar sobre qual seria a solução para o Haiti, nem tenho esta pretensão. Apenas lamento o que ouvi sobre as interferências externas (principalmente dos Estados Unidos, é claro) sobre a política, e decisões fundamentais para o país (até como o resultado das últimas eleições).

Valeu à pena ter ido? Para um turista regular, é claro que não. Não se come bem, não se move bem, a sujeira está em todo lado e a infraestrutura é precária. Mas para mim valeu muito à pena. Vi um país guerreiro, com um povo genuinamente simpático e hospitaleiro, não senti em nenhum momento medo. Confesso que pelo o que tinha lido antes de ir, estava apreensivo sobre Porto Príncipe, e por isso até não contei lá em casa que iria ao Haiti. Mas estava enganado. A experiência em Labadie mostrou o lado autêntico de um povoado que não recebe ajuda, (quase nenhuma) visita, que vê 4 ou 5 vezes por semana um transatlântico ancorar bem em frente, e milhares de turistas milionários (comparados com eles) se divertirem o dia todo, e nem se darem ao trabalho de ir lá conhecê-los. Como esse povo trata 2 turistas brancos, milionários (comparado com eles, éramos sim milinários), e que ficaram 2 dias por lá? Com cordialidade, gentileza, hospitalidade. Uma agradável surpresa!

 
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Posted by on June 8, 2013 in Haiti

 

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