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Santiago de Compostela – capítulo final

15 Mar

Resumo da Viagem

Bem, agora que eu cheguei de volta ao Brasil, só me resta fazer um resumo da viagem. vamos à ele :

Percurso – Foram 750 kms, de Roncesvalles até Santiago de Compostela. Como já dito anteriormente, o caminho francês começa em Saint Jean Pied du Port. O primeiro trecho é de pura subida, não se aconselha ser feito em bike. Eu não o fiz, e me arrependo, pois sobrou tempo no final. Dizem que a cidade é linda, e o caminho, se estiver com tempo bom, também é.

O caminho pode ser feito pela trilha ou por estradas. Por estradas é mais longo, e realmente não passa por dentro das cidades e povoados. Na primeira parte da viagem faz toda a diferença, pois aí estão as cidades mais interessantes, com muita história, e pontos de interesse turístico. No meio, há um longo trecho plano, onde sempre há uma estrada paralela à trilha. E no final, na Galícia, após as montanhas, o caminho passa por cidades desinteressantes, mas a paisagem é bonita, se torna literalmente um turismo rural.

Abaixo coloco um resumo de cada dia, o quanto pedalei, os horários de partida e chegada. Só lembrando que a cada dia, há paradas para almoço, lanches, e dependendo do local, de visitas, não significa que pedalei todo o dia. Eu tiraria em média 90 minutos por dia deste horária, para calcilau quanto tempo pedalei.

Calculo que somente 20 a 30% do caminho é de asfalto. O resto é terra, pedras, ou combinação dos 2. Nas subidas fica complicado, quanto mais sem pneu de cross (o meu caso). Nas descidas também pode se tornar perigoso, eu caí 3 vezes em descidas.

Dia De Para KM Acumulado Saída Chegada
0 Roncesvalles
1 Roncesvalles Puente la Reina 66 66 08:30 17:00
2 Puente la Reina Logroño 73 139 09:00 17:30
3 Logroño Redecilla del Camiño 60 199 08:00 17:00
4 Redecilla del Camiño Burgos 64 263 08:30 15:30
5 Burgos Villarmentero de Campos 70 333 08:30 16:30
6 Villarmentero de Campos El Burgo Ranero 67 400 09:00 16:15
7 El Burgo Ranero Hospital Órbigo 73 473 09:00 16:00
8 Hospital Órbigo Cacabelos 85 558 08:30 19:00
9 Cacabelos Triacastela 58 616 08:30 18:30
10 Triacastela Portomarin 40 656 09:30 16:00
11 Portomarin Arzua 53 709 09:15 17:00
12 Arzua Monte do Gozo 35 744 11:10 14:15
13 Monte do Gozo Santiago de Compostela 5 749

Mapa – não é necessário, há setas amarelas e conchas por todo o caminho. Se você ficar mais de 500 metros sem ver nenhum dos 2, pode voltar que se enganou.

Qual caminho – o caminho francês é o escolhido por quase 80% dos peregrinos. A maioria é de espanhóis, mas eles normalmente não começam nos primeiros trechos. Fora os nacionais, alemães, franceses e italianos são maioria, nesta ordem. Ciclistas são a grande minoria, não vi tantos assim.

Peregrinos – a grande maioria é de gente com mais de 60 anos, o que me impressionou. Não é um programa fácil, nem para os caminhantes (grande maioria), quanto mais se a pessoa carrega sua própria mochila. Há empresas que transportam mochilas de uma cidade à outra. Não é nada demais, acho que muitos até necessitam este serviço, mas muitos não o utilizam. As descidas são o verdadeiro terror para os joelhos, isso sem falar nas bolhas nos pés. No caso dos ciclistas, a grande dificuldade são as subidas, e os trechos onde se tem que carregar as bikes, pois fica impossível de se pedalar (trechos com pedras).

Albergues – eu acho que os albergues fazem parte da experi6encia, lá você encontra outros peregrinos, só lá você encontra uma infra para os peregrinos, como máquinas de lavar ou secar roupas, espaço para pendurar roupas, computador com acesso à internet, máquinas de refri, cafés e etc, e muita informação sobre o caminho e próximos trechos. O lado ruim é a total falta de privacidade, e os roncos noturnos. Eu compensei com tampões de ouvidos e de olhos, que me fizeram muito bem. Os hostels são o completo oposto, com privacidade e mais silenciosos, mas não tem nada de experiência de peregrinos.

Bike – eu levei minha boa e velha bike, com pneu de estrada e sem suspensão. Não recomendo para quem vai fazer pela trilha. Dei conta, mas as dores nas costas, e a dificuldade em certos trechos de subida e descida me convenceram do meu erro. Para fazer pela estrada, estaria perfeito. Eu só tive 1 pneu furado, mas encontrei um cara que teve 3 em um só dia. Tudo é possível. O meu pesadelo número 1 acabou acontecendo à 500 metros da chegada final, que foi a corrente arrebentar. Não tive nem preocupação, empurrei a bichinha até o hotel, e a coloquei no malabike, não fez a menor diferença.

O custo de levar a sua varia um pouco. Eu paguei 60 dólares na ida e nada na volta para despachar. Óbvio que tive que comprar um malabike, mas talvez isso não tivesse sido necessário, já que a Iberia vende uma caixa para bicicletas, e em Santiago se pode comprar também outra para a volta. Custa em torno de 20 euros. O meu malabike custo mais de 100 euros, e ainda tive que enviá-lo para Santiago.

Orçamento – depende se vai ficar em albergues ou hostels. Albergues custam de 4 a 10 euros, hostels de 30 a 40 euros. O famoso menu do peregrino, que é um jantar com 2 pratos, sobremesa, pão, vinho e água normalmente custa de 8 à 10 euros. Façam as contas. Mais custo do café da manhã, almoço e lanches. Visitei muitos mercados pelo caminho, não é caro, e se encontra o que comprar por todo o caminho, não precisa acumular nada.

Bagagem – já foi tratado no início do blog, não vou repetir tudo. Acho que eu fiz o correto, isto é, levei o mínimo necessário, já que os alforjes que comprei eram do menor tamanho de todos que eu vi. Invariavelmente quem tinha alforjes maiores carregava mais peso.

Santiago de Compostela – o lugar é mágico, mas não é o mais bonito. A catedral de Burgos é imbatível, por dentro e por fora. A cidade velha é bonita, mas o que vale à pena mesmo é a missa do peregrino e o astral dos peregrinos após concluírem o caminho. Como já disse, chorei na missa, e a assisti 2 dias seguidos.
De novo agradeço à todos que leram e contribuíram para este blog, para mim foi uma grata surpresa. Esta viagem vai ficar marcada em mim para o resto da vida.

 

Após a chegada

 

Bem, hoje faz 1 mês que eu embarquei para minha peregrinação, e 13 dias da minha chegada. O que posso acrescentar mais sobre a viagem?

Primeiro sobre a minha volta. A minha bike chegou amassada no Rio, e depois de várias idas e vindas, e de quase aposentá-la literalmente por invalidez, consegui contratar uma reforma completa, ela ficou que nem a Ângela Bismark, cheia de plásticas, quase nada original. Hoje pela manhã fiz o teste final, subi a Mesa do Imperador, e correu tudo bem.

Sobre a viagem : faltou dizer que neste ano santo, a perspectiva é que 400.000 pessoas façam a peregrinação. Dá para ter uma ideia de como fica a trilha em agosto, o mês mais concorrido? E os albergues, como enchem rápido? Com a política de preferência aos caminhantes, acho inviável fazer de bike em agosto : trilha cheia e albergues lotados.

Não costumo repetir destinos, mas fico com a impressão de que esta viagem eu faria de novo. Fica aqui o recado para todos aqueles que me disseram que adorariam fazer comigo, mas que não podiam na data em que fui. Podemos combinar no futuro (em agosto não!).

Já troquei e-mails com o José, que inclusive me mandou algumas fotos nossas. Já disse à ele de novo que ele é convidado, e não só por mim, para vir ao Brasil. Com a tropa de elite ainda não.

Sobre a minha última noite em Santiago, aquela em que fiquei em um hotel, com quarto e banheiro só para mim, acabou sendo a pior noite da viagem. Exatamente por estar super bem localizado, no coração da cidade velha, foi barulhento demais, com pessoas cantando, gritando e falando alto a noite toda. Nem consegui dormir.

Para o jantar, encontrei as paulistas que tinha conhecido e jantado em Portomarin. Foi um jantar ótimo super agradável. Lembro de ter dito que eram meio peruas, pois estavam ficando em hotéis, contratando a empresa que transporta mochilas, e que não fizeram o caminho todo. Vou repetir : cada um faz o seu caminho, nõ foi em tom de crítica, e nem pejorativo, e sim comparando com a maioria que faz o caminho diferente. Talvez por elas serem paulistas, e casar um pouco a ideia de peruas. De novo : não tenho nada contra paulistas, meu filho é paulista (coitado!), tenhos grandes amigos em SP, foi de propósito, só para gerar uma polemicazinha. Espero que elas me contactem, pois demos boas risadas naquela que foi a última noite da viagem.

Para encerrar, descobri o motivo da minha bike ter chegado amassada no Rio. Nada a ver com a Iberia. Na hora de colocar o malabike no bagageiro do ônibus do aeroporto, fui empurrar uma mochila para não colocar o malabike em cima dela, e veio um alemão não sei de onde gritando, acho que para eu não encostar na mochila dele. O fato é que o cara ficou tão descontrolado, que se desequilibrou sozinho, e caiu em cima do malabike. Só pode ter sido isso.

Outra informação de ordem prática : descobri acessando o site da Iberia que ela vende uma caixa especial para bicicletas, dando inclusive as medidas da caixa. Custa menos que 20 euros. Isso significa que com 40 euros, eu não precisava ter pago 110 euros pelo malabike, e nem mais 11 para despachá-lo de Pamplona para Santiago de Compostela. Outra coisa : no site diz que há que pagar 75 euros para transportar bicicletas. Na ida, me cobraram 60 dólares. Paguei sob protesto, sem saber da regra (pelo visto o pessoal da Iberia aqui no Rio também não sabia). Só que na volta não me cobraram nada! Acho que o pessoal da Iberia precisa de um pouco mais de treino.

Minha última contagem chegou a quase 900 acessos no blog. Não tenho pretensão de continuar, até porque o objetivo do blog era especificamente esta viagem, e acho que a maioria nem vai ler este artigo, eu já tinha me despedido de todos. Vale aqui mais uma despedida e agradecimento à todos. Se bem que alguns nem me ligaram, pois disseram que acessando o blog, não precisaram me ligar, pois já sabiam tudo sobre a viagem. É o que dá querer ajudar!

Marcelo Lessa

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