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Monthly Archives: December 2014

Kashan – uma cidade fascinante

A viagem de Qom para Kashan foi rápida. O incrível é que o motorista do táxi traçou um prato de comida enquanto dirigia pela estrada. Não sabíamos se mandávamos ele parar o carro e terminar o rango, ou se simplesmente encarávamos a cena como mais uma aberração  que iria virar história para contar. Como escrevi antes, a decisão de ir de táxi foi a melhor possível, pois fazia certamente mais de 45 graus, estava insuportável, e o táxi nos deixou na porta do hotel. Mordomia merecida.

Na verdade, não na porta do hotel, e sim na entrada de uma viela bem labiríntica, e rapidamente encontramos o Ehsan House. Um hotel que é um brinco, uma verdadeira obra de arte. Nosso quarto dava para uma área central de descanso, belíssima, bem típica. No horário que chegamos, o melhor mesmo era ficar por lá.

Entrada da Ehsan Historical House

Entrada da Ehsan Historical House

Descansando no hotel

Descansando no hotel

Mas como somos guerreiros, decidimos visitar a Mesquita (Agha Bozorg Mosque) que fica em frente do hotel. Não era nada espetacular, mas bem interessante. Meio sem vida, pois naquele calor não havia um único visitante, fora nós, é claro. Porém, havia uns estudantes em uma madrassa interna. Demos mais uma volta pelas redondezas, mas rapidamente fomos vencidos pelo calor. Contra a nossos princípios, decidimos voltar para o hotel e esperar o calor passar um pouco, isto é, só dava para sair depois das 5 da tarde.

Agha Bozorg Mosque

Agha Bozorg Mosque

Madrassa

Madrassa

Quem disse que não tem caixa eletrônico no Irã?

Quem disse que não tem caixa eletrônico no Irã?

Esses pediram pra tirar foto comigo

Esses pediram pra tirar foto comigo

E foi o que fizemos, descansamos, tomamos banho, e saímos na direção do Bazar, que não era longe. O Bazar de Kashan é meio decepcionante, depois de ter visitado o de Tabriz e o de Teerã. É um pouco mais largo, menos cheio, porém um bom lugar para fugir do calor e da confusão das ruas. Paramos em uma área mais larga para tomar um chá, que acabou sendo o ponto alto desta visita.

Bazar de Kashan

Bazar de Kashan

Área central do Bazar

Área central do Bazar

Dono da loja de chá

Dono da loja de chá

Voltamos para o hotel e resolvemos jantar por lá mesmo, já que o dia hoje tinha começado cedo em Teerã, depois passamos por Qom e finalizamos em Kashan. Fomos para  aconchego do ar condicionado do hotel, para uma merecida noite de sono.

No dia seguinte, acordamos cedo e partimos antes do calor nos fritar vivos. Fomos visitar as casas tradicionais de Kashan. São dezenas ou centenas de casas construídas na sua maioria n século XIX. Algumas foram recentemente restauradas, e viraram atração turística, literalmente. Há que comprar ingresso para visitar, e são realmente impecáveis. Claro que depois de visitar duas, já não valia mais à pena ficar visitando outras, já tínhamos entendido o espírito da coisa.

Historical Houses

Historical Houses

Por fora

Por fora

Detalhes...

Detalhes…

Mais andança pela cidade,fomos até a muralha antiga da cidade. Ela é circular, e dentro não tem nada, mas lá de cima tem uma vista boa da cidade. Ela é bem monocromática, assim como várias do interior do Irã, onde as casas são feitas de barro. Bem interessante.

Lotação esgotada

Lotação esgotada

Vista de cima da muralha

Vista de cima da muralha

Vista de um quintal

Vista de um quintal

Anotou?

Anotou?

Sultam Amir Ahmad

Sultam Amir Ahmad

Teto do Iranian Bath

Teto do Iranian Bath

Vai um lanchinho aí?

Vai um lanchinho aí?

Até que a temperatura nos obrigou a regressar pro hotel e esperar pelo final da tarde. Regressamos até a região do Bazar, mas desta vez, antes de entrarmos andamos pelas ruas próximas. Acertamos em cheio a hora do rush, a cidade que à princípio parecia quase fantasma estava pulsando, com suas ruas lotadas de gente comprando e comprando. Que coisa, a impressão é que as pessoas vivem para comprar.

Boa ideia!

Boa ideia!

O que parecia uma cidade fantasma...

O que parecia uma cidade fantasma…

Resolvemos jantar fora, e achamos um belo restaurante. A comida nesses restaurantes é geralmente boa, mas eu acabava comendo mais ou menos a mesma coisa, isto é, um bom kebab com salada, pão árabe, às vezes um arroz e raramente legumes.

Restaurante típico

Restaurante típico

No dia seguinte seria a hora de ir embora. Kashan foi uma surpresa agradável, um refresco em termos de correria, não de calor, é claro. Tabriz, Teerã e Qom tinham sido intensos, e Isfahan seria intenso também.

No caminho de saida de Kashan, aproveitamos o carro com motorista que tínhamos arrumado para nos levar até o Fin Garden. Um local bem agradável, cheio de visitantes iranianos. Tem um sistema de piscinas e canais cheios de água, o que torna a visita mais agradável ainda. Tem casa de chá, casa de banho bem tradicional, etc. Ficamos por lá quase uma hora, e finalmente partimos de Kashan.

Dentro do Fin Garden

Dentro do Fin Garden

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Posted by on December 22, 2014 in Iran, Irã

 

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Qom – Terra do Aiatolá Khomeini

Vida que segue, pegamos o metro até uma das estações de ônibus de Teerã, de onde partem os ônibus para o sul, e Qom era a próxima parada. Uma coisa tenho que mencionar : os ônibus são ótimos e baratos. Todos com ar condicionado (acho que no verão é questão de sobrevivência). Há variados níveis de qualidade, mas esses que pegamos não devem nada aos que pegamos entre Rio e São Paulo, por exemplo. E o que falar da estrada? Três pistas de cada lado, foi assim até Shiraz, e são quase 1.000 kms. Na saída e na chegada de cada cidade tem um posto de pedágio, combinado com um posto policial. Dentro do ônibus não checaram nada, não tivemos qualquer problema.

Estação de ônibus de Teerã

Estação de ônibus de Teerã

Pedágio na saída de Teerã

Pedágio na saída de Teerã

Estrada com 3 pistas de cada lado

Estrada com 3 pistas de cada lado

Qom fica à 160 kms de Teerã. A estrada passa por uma das entradas da cidade, então saltamos do ônibus em uma rotatória, e dali teríamos que nos virar para chegar ao Centro. Se não fosse pelo hábito de barganhar um pouco para pegar o táxi, já que é costume deles pedir um preço maior do que deveria custar, seria muito rápido e fácil. Mas a barganha para mim é uma coisa folclórica, chego à me divertir, então faz parte da experiência.

Descobrimos que Qom tem bem mais de 1 milhão de habitantes, não é tão pequena assim. De cara procuramos um hotel para deixarmos nossa bagagem, já que só passaríamos algumas horas por lá, e seguiríamos no mesmo dia para Kashan. Depois saímos para caminhar. Especialmente hoje fazia um calor que deveria superar os 45 graus à sombra, e nós de calças jeans e o trouxa aqui de camisa preta! Primeiro fomos visitar o que foi a casa do Aiatolá Khomeini, antes de ele ser exilado na França. Uma decepção. Uma casa feita de barro, insignificante, e que não dá nem para entrar. De lá fomos até o ponto principal da cidade, o Hazrat-e Masumeh, que vem a ser um grande complexo religioso, o centro espiritual de Qom, e onde foi enterrada Fatemeh, a irmã do Iman Reza, no século IX.

Vale também mencionar que Qom é o berço dos radicais que há décadas atrás já se opunham ao regime do Xá Reza Pahlevi, e que hoje governam o Irã com mão de ferro. É o maior centro de ensino xiita do mundo, para onde vêm muçulmanos de toda a parte estudar nas suas madrassas, as escolas religiosas do islã. Além disso, é também um importante centro de peregrinação, sendo considerada a segunda cidade mais sagrada do Irã, depois de Massad. Pelas ruas o que mais se vê são clérigos, e mulheres todas de preto (coitadas, naquele calor). É claramente um ambiente diferente do resto do país. Muitíssimo interessante.

Khan-e Khomeini - casa do Khomeini

Khan-e Khomeini – casa do Khomeini

Assim que entrei no Hazrat-e Mazumeh, sentei por uns 20 minutos, apenas observando a movimentação dos peregrinos. Fica difícil de descrever a enorme quantidade de pessoas, um entra e sai na mesquita e no santuário. Pessoas se lavando, tirando fotos, descansando, tudo era motivo de observação e fotos, muitas fotos. Fora os cânticos religiosos, dos quais eu gosto tanto da melodia. Foi uma sensação única, o evento religioso que mais me tocou no Irã, ou em qualquer país muçulmano que já visitei.

Hazrat-e Mazumeh

Hazrat-e Mazumeh

Minaretes

Minaretes

Entrada feminina

Entrada feminina

O calor tava matando

O calor tava matando

Espetáculo (não eu, claro!)

Espetáculo (não eu, claro!)

Clérigo mais idoso, mas há muitos jovens

Clérigo mais idoso, mas há muitos jovens

Eles também cansam

Eles também cansam

Isso é Irã

Isso é Irã

Depois de mais de uma hora perambulando pelo complexo, saímos pelo outro lado, e demos de cara com uma praça cheia de lojinhas, e mais uma multidão. Ficamos mais um tempo, e resolvemos que tava visto, e era hora de botarmos os 2 pés na estrada. Fomos até a mesma rotatória na beira da estrada esperar um ônibus para Kashan, mas depois de um pouco de negociação, conseguimos um táxi para nos levar até lá, diretamente pro hostel, o que acabou sendo um grande adianto, pelo calor infernal que fazia. São 115 kms de viagem, então passou rápido.

Do lado de fora

Do lado de fora

 
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Posted by on December 9, 2014 in Iran, Irã

 

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Teerã – cadê o medo?

Amanhecemos em Teerã. Chegava a hora de mergulharmos na capital do país que mais representava o Eixo do Mal. O local que dava calafrios nas pessoas, assim que se ouvia seu nome. Eu mesmo, apesar dos insistentes avisos do Guilherme de que seria maravilhosa a experiência, fazia força para sentir um friozinho na barriga. Quanto mais chegando de trem, às 6:30 da manhã, sem ninguém nos esperando. A estação de trem é grandiosa, e estava relativamente cheia. Isso porque era sexta-feira, que é o domingo dos muçulmanos. Mesmo assim foi legal ver como funciona, até um alcorão gigante há, na porta de uma mesquita interna.

Em todo o país, as fotos dos aiatolás Khomeini e Khamenei estão por toda a parte, literalmente. Não há um prédio público onde não se vê os dois.

Estação de Trem de Teerã

Estação de Trem de Teerã

Alcorão gigante dentro da estação de trem

Alcorão gigante dentro da estação de trem

Pegamos um táxi, até pela condição do Khouri, e fomos para o hotel. Era cedo demais para o check in, então deixamos nossas bagagens na recepção, e partimos para o primeiro dia em Teerã. De cara, pegamos o metro, que foi bem amigável. Muitas informações em inglês, mesmo com ausência total de turistas. Saltamos perto do Golestan Palace, que vem a ser um complexo de prédios, que demonstram a grandeza da Era Qajar. Havia mais prédios ainda, mas no reinado dos Palehvi alguns foram destruídos.

Tem que comprar um ingresso separado para cada prédio, então escolhemos uns 4 para visitar e fomos. Mas sou obrigado a dizer que o que mais me atraiu foi o visual externo, inclusive dos jardins. Dentro há muito luxo, mas nada que me fizesse brilhar os olhos.

Apesar de conhecido, não era tão comum assim

Apesar de conhecido, não era tão comum assim

Assim fica fácil de se locomover de metro em Teerã

Assim fica fácil de se locomover de metro em Teerã

Assim fica difícil

Assim fica difícil

Golestan Palace

Golestan Palace

Outro prédio do Golestan Palace

Outro prédio do Golestan Palace

Leo e Khouri no Golestan Palace

Leo e Khouri no Golestan Palace

Não estava cheio, mas foi o primeiro lugar no Irã onde vimos alguns turistas, então tivemos certeza de que não éramos tão loucos assim. Depois do Golestan Palace saímos caminhando pelas ruas, somente para sentir a cidade. Repito : era sexta-feira, e não um dia útil, portanto decidimos visitar um parque. Não estava cheio, e era bem no Centro de Teerã. Não sei o motivo, talvez o calor excessivo? Vamos relembrar que estávamos vestindo calças compridas, então a sensação de desconforto era maior.

Marketing "de guerra"

Marketing “de guerra”

Park-e Shahr

Park-e Shahr

Voltamos para o hotel, e o Khouri resolveu descansar, já tínhamos andado bastante. Eu e o Leo resolvemos ir até o prédio onde era a Embaixada Americana. Decepção total. Não há absolutamente nada que indique que algo tão grandioso e importante aconteceu por lá. E os poucos muros pichados com palavras agressivas as Estados Unidos ficam longe deste prédio.

Prédio onde ficava e Embaixada Americana

Prédio onde ficava e Embaixada Americana

Passamos em frente ao Noore Tehran, que se intitula o maior shopping center do Irã. Estava fechado. Ficamos de voltar no dia seguinte.

Shopping de 7 andares

Shopping de 7 andares

Depois de voltarmos ao hotel, para um bom banho, e saímos para comer. Fomos até um outro parque, onde havia uma feirinha de alimentos e bugigangas, e um ótimo restaurante, onde jantamos muito bem. Foi um dia cheio e intenso, mas nem tínhamos ido ao Bazar. A primeira impressão de Teerã foi muito positiva. O hotel era ótimo, o metro super fácil de usar, o Palácio era super interessante, ninguém nos molestou, e nem nos encarou, como em Tabriz. No restaurante, fomos tratados super bem, o dono veio bater papo conosco. Ficamos bem impressionados.

Tehran Garden

Tehran Garden

 
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Posted by on December 8, 2014 in Iran, Irã

 

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Bazar de Teerã – uma experiência única

Segundo e último dia em Teerã. Muitas pessoas até nos desaconselharam a gastar 2 dias em Teerã, mas acho que tomamos a decisão correta. Primeiro porque tínhamos que visitar o Bazar, esse programa é imperdível. Talvez as fotos falem melhor do que as palavras. Vamos tentar. Antes disso, é necessário dizer que o Bazar tem mais de 1.000 anos, e mais de 10 kms de vielas. O Bazar de Teerã controla um terço de todo o volume de vendas de varejo do Irã, é uma potência. Porém, com a chegada, mesmo que tardia e lenta da modernidade dos supermercados, e shopping centers, isso tende a diminuir. É uma experiência fascinante, e não dá para recomendar uma visita ao Irã sem uma passagem por este Bazar.

Depois de pegar o metro (já estávamos íntimos), chegamos à entrada principal do Bazar. São várias entradas, não sei porque uma delas é considerada a principal. Entramos e já demos de cara com uma multidão. Parecia a 25 de Março na véspera de Natal. Mas não era. Era apenas mais um dia comum em Teerã. Muitas lojinhas, como em qualquer outro bazar. O Bazar é um pouco tematizado, isto é, eles tentaram agrupar as lojas de tecidos, de especiarias (minhas favoritas), de jóias (super populares), comidas, roupas, utensílios, etc. É um labirinto enorme, e logo vimos que não fazia o menor sentido tentarmos nos localizar, memorizar as viradas à esquerda ou à direita, pois o bom mesmo é se perder pelas vielas, apreciar o comércio, observar as pessoas. Não posso deixar de mencionar que fomos muito bem recebidos, as pessoas se esforçavam para nos agradar.

Entrada principal do Bazar de Teerã

Entrada principal do Bazar de Teerã

Shopping...

Shopping…

Vendedora

Vendedora

Olha a variedade! Mas é o que mais vende por lá.

Olha a variedade! Mas é o que mais vende por lá.

No coração do Bazar, fica a maior mesquita de Teerã, a Iman Khomeini. Ela é uma mesquita “de trabalho”, pois atende ao público do Bazar, que não é pequeno. Há várias entrada para esta praça, onde fica a mesquita. Ali os muçulmanos se lavam antes de entrar, na mesquita, descansam, conversam, comem, enfim, é o coração do enorme complexo. Gastamos um bom tempo ali, simplesmente olhando esta vibração toda. O horário não era dos melhores, perto do almoço, um calor infernal, mas mesmo assim foi muito legal mesmo apreciar a vida como ela é, na capital do Irã.

Leo em frente à Iman Khomeini Mosque - dentro do Bazar

Leo em frente à Iman Khomeini Mosque – dentro do Bazar

Água sagrada

Água sagrada

Banheiro da mesquita

Banheiro da mesquita

Entrada da mesquita

Entrada da mesquita, sacolas para colocar os sapatos

Dentro da mesquita

Dentro da mesquita

Fora da mesquita

Fora da mesquita

Depois de um bom tempo por ali, voltamos ao Bazar, até porque não dá para sair da área da mesquita sem passar pelo Bazar. Mas queríamos mais, até porque tínhamos algumas comprinhas à fazer, pois ninguém é de ferro. Para muitos, andar pelas ruelas cheias de gente seria um transtorno, mas para nós era exatamente o contrário. Estávamos curtindo cada metro e cada minuto, imaginando que apesar de estarmos em pleno século XXI, aquilo poderia perfeitamente ser no século XX ou até antes (mas aí as lojas seriam diferentes).

Volta pras compras

Volta pras compras

 

Vai um petisco?

Vai um petisco?

Tínhamos chegado no Bazar cedo, então não estava tão cheio do lado de fora quanto na hora em que saímos. Era uma verdadeira multidão. Ali existem várias lojas externas, que servem de uma bela extensão do Bazar. Fiquei na dúvida se tinha mais gente dentro ou fora do Bazar. Mas de uma coisa tive certeza : aquele é o epicentro do varejo não só da capital, mas como do país todo.

Do lado de fora da mesquita

Do lado de fora da mesquita

Mais um lojinha

Mais um lojinha

De lá saímos para uma caminhada pelo Centro. Uma coisa que nos chamou a atenção foi o trânsito. Um caos total. Diferente daquelas cenas que sempre vemos do trânsito na Índia, o caos aqui se dá pelo fato de que quase não há sinais de trânsito, então todos atravessam as ruas desviando dos carros, que não trafegam devagar. Até gente de muleta atravessa a rua assim. Acho que tem estrangeiro que deve ter morrido de fome esperando o tráfego cessar para atravessar uma avenida. Outra coisa impressionante e muito perigosa é que as motos andam pela contra mão sem a menor cerimônia. E pelas calçadas também. Acho que todos os distraídos já morreram, então sobraram somente os ariscos e ágeis, que conseguem sobreviver em meio à este caos.

Motos pela contra mão : muito comum

Motos pela contra mão : muito comum

Cuidado : motos pela calçada também muito comum

Cuidado! Motos pela calçada também é muito comum

Paradinha para se atualizar

Paradinha para se atualizar

Chegamos são e salvos no Museu Nacional do Irã. Entramos para um pílula cultural, isto é, ver muito itens da riquíssima história do Irã, como peças de cerâmica, estátuas, e uma seção sobre Persépolis, mas que deixamos meio de lado, pois ainda iríamos ver o que sobrou in loco.

Um pouco de cultura

Um pouco de cultura no Museu de História Nacional

Depois do museu, mais uma caminhada e pegamos o metro de volta pra região do hotel. Eram mais ou menos 5 estações. No metro de Teerã, assim como nos ônibus de Tabriz, homens e mulheres andam separados. O primeiro e o último vagões são exclusivos para elas, ou casais. E os seguranças levam isso muito à sério, é melhor não duvidar, nem ficar tirando fotos, eles não gostam.

Caucasus + Iran 1592

Fred Flinston iraniano?

Fred Flinston iraniano?

Vamos ao cinema? Ou é teatro?

Vamos ao cinema? Ou é teatro?

No caminho pro hotel, passamos pelo shopping center de 7 andares. Incrível como estava com quase todas as lojas fechadas, e as poucas que tinham lá estavam às moscas. Deu até pena dos lojistas. Como eu havia escrito antes, o varejo iraniano está apenas engatinhando no processo de mudança da concentração absurda no Bazar para o modelo mais moderno. Parece que erraram feio no tamanho do shopping, mas faz parte da mudança cultural que deve acontecer.

Shopping quase fantasma

Shopping quase fantasma

Depois voltamos para o hotel, e finalmente fomos para o jantar de despedida do Khouri, que por sinal foi no próprio hotel. Apesar do altíssimo astral da viagem, fiquei meio melancólico pelo fato dele nos abandonar devido às dores nas costas. Uma pena pra ele, que tanto queria prosseguir e conhecer o resto do Irã. Pelo menos deu pra curtir Tabriz e Teerã, isto é, um bom pedaço do país. E uma pena para nós, que estávamos perdendo um grande companheiro de viagem, sempre de ótimo humor, prestativo, espirituoso, etc. Assim é a vida, e eu e o Leo tínhamos que prosseguir.

 
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Posted by on December 2, 2014 in Iran, Irã

 

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Tabriz – cartão de visitas do Irã

Desde o Brasil já tínhamos comprado a passagem de trem noturno de Tabriz para Teerã. Então tínhamos o dia todo para visitar Tabriz. De manhã partimos para o Khaqani Park. Claro que quando descobrimos que nos ônibus do Irã, mulheres e homens sentam separados, homens na frente, e mulheres lá atrás, decidimos que tínhamos que ter esta experiência. Era mais simples pegar um táxi, mas não, não podíamos deixar de testar os ônibus. E assim fizemos. O problema foi achar alguém que nos explicasse qual ônibus pegar. Rapidamente entendemos que teriam que ser 2 ônibus, um só não dava. Uma menina que arranhava inglês nos mostrou onde teríamos que descer do primeiro ônibus, e depois foi mais uma luta pra descobrir qual era o segundo ônibus e depois onde descer dele. Onde descemos não era perto do parque, e tivemos que perguntar mais algumas vezes até chegar lá. Não teve stress, foi divertido.

Vou relembrar que era início de setembro, em pleno verão no Irã, e o calor estava de matar. Tivemos a feliz ideia de vestirmos calças jeans, especialmente depois do que passamos em Grozny, na Chechênia. E fizemos o correto. No parque todos usavam calças compridas, até aqueles que estavam correndo, e naquele calor! O parque estava cheio, e era dia útil. Pra mim, sem explicação. Rodamos bastante, vimos até um desenho da Magali em um cartaz. Tinha gente correndo, mas a maioria mesmo parecia estar de folga, batendo papo, tomando sorvete, enfim, nada diferente do que temos aqui no Brasil.

Galera passeando no parque

Galera passeando no parque

Magali no Irã!!!

Magali no Irã!!!

E não é só a Magali

E não é só a Magali

Depois voltamos de táxi pro Centro, e fomos visitar uma mesquita, que não era nada demais, chamada de Mesquita Azul, mas tava meio descascada. Vimos também uma super mesquita nova em fase final de construção, certamente será a maior de Tabriz. Depois passamos por uma estrutura de tijolos esquisitíssima, enorme, chamada Arg-e Tabriz, e que é um remanescente da Citadela de Tabriz, do século XIV.

Blue Mosque, mas meio descascada

Blue Mosque, mas meio descascada

Galera nos jardins da mesquita

Galera nos jardins da mesquita

Portão da nova mesquita em construção

Portão da nova mesquita em construção

Arg-e Tabriz

Arg-e Tabriz

Trocamos dinheiro e voltamos pro hotel. Lá o Khouri entregou os pontos. Disse que realmente não aguentava mais, e ia operacionalizar sua volta antecipada ao Brasil. Mandou e-mail pra agência, pedindo pra alterar seu voo de volta para o domingo, de Teerã (era quinta feira). Ainda tínhamos tempo antes de ir para a estação de trem, mas ele resolveu ficar na recepção do hotel, e eu e o Leo então partimos pro Bazar. O objetivo era visitar o Bazar, mas também começar a pesquisa sobre tapetes, já que eu tinha uma encomenda de levar um tapete de volta pro Brasil.

O Bazar estava cheio, mas era por volta das 4 da tarde, e depois descobri que ainda era cedo, não era horário do pior rush. Rodamos bastante, foi uma primeira impressão dos bazares iranianos, e talvez um dos mais típicos, pela ausência de turistas. De novo, nós é que éramos a atração do bazar.

Bazar Tabriz

Bazar Tabriz

Mais bazar

Mais bazar

Se come de tudo...

Se come de tudo…

Depois de muito rodar, fomos achar uma loja de tapete do lado de fora do bazar. O vendedor não falava uma palavra de inglês, então foi uma cena interessante. Mas no mundo do comércio, desde sempre, o idioma nunca foi barreira para fechamento de negócios. Pedimos pra ver vários tapetes, de tamanhos e matéria primas distintas. Ficamos lá um bom tempo, já que eu tive que inclusive testar como seria carregar o tapete de volta, então pedi pro vendedor dobrar o tapete escolhido e amarrar com cordas.Cheguei à conclusão de que seria impossível seguir viagem carregando qualquer tapete com aquele peso, e logo desisti de comprar. O Leo acabou comprando um menor, já que o preço estava irresistível. Rapidamente viramos especialistas em tapetes iranianos. Feitos de seda ou de lã, ou com os 2 misturados são os mais leves, e mais caros. Aliás, bem caros. Feitos de lycra eles são muito mais baratos, mas muito mais pesados. Porém, igualmente lindos. Fica pra última cidade, que será Shiraz.Mesmo que tenha que pagar mais caro por lá, não dá para viajar carregando um tapete que deve pesar no barato uns 30 kgs (tamanho 2m X 3m).

Loja de tapetes

Loja de tapetes

Voltamos pro hotel, pegamos o Khouri, e seguimos pra estação de trem. Apesar de sermos apenas 3 pessoas, compramos as 4 passagens de uma cabine de primeira classe, pra garantir que teríamos a cabine só pra nós. Foi uma boa ideia. A cabine era ótima, cheio de mimos comestíveis e pudemos descansar bastante.

Estação de Trem de Tabriz - o onipresente líder espiritual

Estação de Trem de Tabriz – o onipresente líder espiritual

Trem de 1a classe, até recepcionista de luvas tem

Trem de 1a classe, até recepcionista de luvas tem

Cabine de luxo!

Cabine de luxo! Chazinho, biscoitinho, bolinho, etc…

 
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Posted by on December 2, 2014 in Iran, Irã

 

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Chegada ao Irã. Um túnel de cultura.

Pra mim a noite foi ótima, mas infelizmente para o Khouri não. A dor nas costas piorou, mas tínhamos que seguir. Como escrevi no último post, o melhor do hotel estava reservado para este dia. Era o café da manhã. A senhorinha que cuidava do hotel era quem pessoalmente preparava o café da manhã. E com um capricho incomparável, Além de fartura, ela se preocupava com os mínimos detalhes, até na decoração da mesa. Deu vontade de ficar em Goris mais alguns dias.

Na saída, a primeira surpresa. O motorista que tínhamos acertado para nos levar até a fronteira apareceu, e disse que estava com algum problema (claro que não entendemos nada, o cara não falava inglês), e não poderia nos levar. Mas levou um outro para o substituir. O carro era mais velho, mas não era aí que estava o problema real. O cara tinha uma pinta de quem tinha acabado de chegar da balada, o que naquela cidade obviamente não era possível. Mas enfim, ele começou a correr feito um louco, e o Khouri teve que reclamar para ele desacelerar por um tempo. Pouco tempo, pois depois voltou a correr. Tava realmente perigoso, até porque a estrada não era um brinco. Ela simplesmente vai por dentro da cadeia de montanhas que separa a Armênia do Irã, um sobe e desce sem fim, com curvas intermináveis. Pra quem enjoa em viagens assim, era um prato cheio. Além de correr, o cara ia fumando um cigarro atrás do outro. Na viagem de 165 kms ele deve ter fumado um maço e meio. Isso fora vários copos de café gelado, e uma cara de psicopata. Realmente a viagem mais selvagem de todo o roteiro, bateu de longe nosso motorista que nos levou para a Chechênia.

A primeira cidade que passamos no caminho foi Kapan, a mais soviética de todas as cidades que eu já vi. Prédios enormes, monstruosos, alguns foram construídos acompanhando a inclinação dos morros, isso eu nunca tinha visto.

Kapan (Armênia) - a cidade mais soviética que eu vi

Kapan (Armênia) – a cidade mais soviética que eu vi

Chegando na fronteira

Chegando na fronteira

Depois de muita subida e descida, chegamos na fronteira. O que mais me chamou a atenção é que primeiramente passamos por um posto policial com policias da Rússia! Isso mesmo, da Rússia. O que diabos fazem soldados russos na fronteira Armênia-Irã? Claro que eles se metem em tudo nesta região, mandam em tudo e todos, e controlam o que podem. Mas nessa pra mim, eles se superaram.

A entrada no Irã foi super tranquila, o oficial da alfândega me perguntou se eu tinha álcool na bagagem, eu disse que não, e ele me mandou passar, sem nem ao menos abrir minha mochila. Lá mesmo no posto fronteiriço nós arrumamos um táxi para nos levar até Tabriz, que seriam 150 kms. A estrada vai serpenteando pela fronteira do Irã com o Azerbaijão. Opa! Com o Azerbaijão? Não não me enganei. É que o Azerbaijão tem um pedaçõ que fica isolado do país, do outro lado da Armênia. E essa estrada vai até Jolfa, à 55 kms da fronteira, margeando o rio que divide os 2 países. Interessante.

Vista do rio que separa o Irã do Azerbaijão

Vista do rio que separa o Irã do Azerbaijão (onde estão as casas)

Depois passamos por algumas cidades pequenas, uma delas Soufian. Tenho que mencionar que a estrada, apesar de pista de mão e contra mão, era boa.

Lojinha em Solfian

Lojinha em Soufian

Chegamos em Tabriz, que é uma cidade de 2 milhões de habitantes, portanto um grande aglomerado. Sem mapa, é simplesmente impossível entender qualquer coisa. Apenas nas grandes avenidas há placas no nosso alfabeto, e aí sim podemos entender algo. Dissemos pro motorista nos deixar no Bazar, que obviamente fica no Centro, e de lá iríamos procurar algum hotel. Tabriz era o único local no Irã onde não tínhamos conseguido reservar hotel.

Chegada em Tabriz

Chegada em Tabriz

Tenho que admitir que pelo menos a chegada em Tabriz foi tensa. O Khouri sem condições nem de carregar a mochila, a gente sem mapa e sem hotel, em uma cidade nada turística. O Tourist Information estava fechado, e o jeito foi deixar o Khouri e as mochilas lá, e partir com o Leo para achar um hotel. Visitamos pelo menos uns 6, e o melhor foi o primeiro. Era um hotel para iranianos, mas perfeitamente aceitável.

A região do Bazar é o centro nervoso de qualquer cidade iraniana, então nosso cartão de visitas foi um mar de gente andando pelas ruas, um trânsito infernal, muitas lojas, a impressão é que a ocupação do povo é somente comprar. Claro que o que chamou primeiro nossa atenção foi as mulheres de negro, um monte delas, uma cena muito interessante, que nos fazia sentir vontade de ficar tirando fotos e filmando. Claro que rapidamente nos tocamos que nós é que estávamos chamando a atenção dos iranianos, pois éramos os únicos turistas na cidade.

Mulheres de negro

Mulheres de negro

Depois de instalados no hotel, fomos em busca de comida, e achamos um restaurante de comida local muito bom. Comi um kebab excelente. Depois, uma volta à pé pelo centro, e fomos dormir, pois estávamos exaustos.

 
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Posted by on December 1, 2014 in Armênia, Iran, Irã

 

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