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Monthly Archives: February 2017

Volta pra casa antecipada

Bem, conforme explicado antes, tive que interromper minha viagem, por conta de doença na família. Moçambique e Suazilândia vão ficar para o futuro. Claro que lamentei, mas não tive nem dúvida do que era o certo a ser feito.

À registrar, voltei para Joanesburgo, onde tive que passar uma noite antes de pegar o voo de volta para o Brasil. Fiquei em um hotel perto do aeroporto, indicado pelo Fabrício. Eles do hotel me pegaram no aeroporto, e me levaram de volta no dia seguinte. O hotel fica à menos de 5 minutos de carro do aeroporto. A rua é bem tranquila, então foi super conveniente para mim. Acontece que na volta do Fabricio e do Leo, eles também tiveram que passar uma noite lá, e enquanto tomavam uma cerveja na varanda do quarto, houve um assalto na recepção do hotel. Limparam todos os hóspedes que estavam lá na recepção.

O que posso dizer da viagem? Na verdade, pouco. Basicamente visitei as Cataratas de Vitória, que são espetaculares. Recomendo para todos os tipos de viajantes, desde mochileiros até para famílias. Harare não é para principiantes, somente para quem tem curiosidade de conhecer uma cidade não turística, e um pouco mais do Zimbabwe não turístico.

Em breve vem mais por aí, e desculpem a demora para finalizar os posts.

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Posted by on February 20, 2017 in Africa

 

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Harare – capital do medo?

Muito ouvi falar de Harare antes de voarmos para lá. E quase nada de bom. Alguns blogs e guias descreviam como uma cidade tranquila, mas que deveríamos ter cuidados à noite. Mas esses blogs e guias estavam desatualizados, e vasculhando reportagens e posts mais recentes, as notícias não eram nada animadoras. O Zimbabwe passa por uma crise econômica forte, que claro, culminou em uma crise social. Há relatos e reportagens de manifestações, protestos e até saques por todo o país, e a capital não iria ficar de fora.

Não preciso me alongar muito sobre o fato do Zimbabwe ter o mesmo presidente desde 1987. Na verdade, Robert Mugabe foi primeiro ministro de 1908 até 1987, e depois virou presidente, e tem se mantido no poder desde então. O país se chamava Rodésia até 1980, e era dominado pela minoria branca, do período colonial. Com a tomada do poder, o país passou a se chamar Zimbabwe, e a minoria branca foi duramente perseguida. O que acabou acontecendo é que a maioria dos brancos deixou o país, e levou com ela grande parte da riqueza. O que ficou para trás infelizmente não foi suficiente para o país se manter no nível de vida que tinha, e com o tempo foi só ladeira abaixo. Hoje o Zimbabwe tem uma das maiores taxas de pobreza, e por mais triste que possa parecer, tem uma das maiores incidências de aids na população adulta do mundo. Isso porque seu presidente sempre negou a aids como uma doença contagiosa. Em 2004 ele finalmente admitiu que a aids tinha atingido sua família, quando 25% da população adulta já estava contagiada. Hoje a situação melhorou um pouco, muito porque a própria população mudou seus hábitos, com medo de contrair a doença.

Não preciso lembrar do super recorde que o Zimbabwe bateu até 2009, com a maior taxa de inflação em décadas. Hoje se vende notas de dólares zimbabuanos nos valores de bilhões. Coisa para colecionadores. Aliás, é uma das poucas coisa que os turistas compram, além do artesanato voltado à vida selvagem.

Bem, chegamos em Harare no final da tarde, e pegamos um táxi para o hotel, que ficava no coração da cidade, bem no centro. Logo anoiteceu, e simplesmente não havia qualquer iluminação pública nas ruas, apenas dos faróis e das lojas ainda abertas. Chegamos no hotel, que era bem razoável, deixamos as coisas, e fomos procurar algo para comer. Não havia muitas opções, e não queríamos dar bobeira nas ruas escuras. Então demos uma volta nas quadras perto do hotel, e achamos um fast food local. Leo e Fabricio dividiram uma pizza, e eu comi um frango frito, tipo KFC, que não estava lá essas coisas, mas deu para matar a fome.

Bem, após uma noite bem dormida, no dia seguinte partimos para uma volta pela cidade. Andamos em direção à um bairro melhor, e era melhor mesmo, com boas casas, prédios, carros modernos nas ruas, nada diferente de qualquer grande cidade de classe média. Depois voltamos, e fomos em direção à parte mais velha do Centro, e a coisa mudou de figura. Muita pobreza, mas como não há turistas, não há nenhuma indústria para se aproveitar deles (ou de nós). E isso me chamou à atenção. Fomos muito bem tratados, o povo sempre cumprimentando, super simpático. Não me surpreendeu muito, pois já estive em mais de 10 países da África, e é o continente onde vivem as pessoas mais simpáticas e amigáveis do mundo. Nas 24 horas em que fiquei em Harare, só vi mais um branco, que pelas roupas, era um local. No mais, somente negros, sem nenhum turista. Achei curioso e triste, pois o turismo sempre ajuda a economia, onde ele atua.

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Eu e Leo no Centro

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Leo e Fabricio na parque

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Rua arborizada – bairro classe média

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Churrasquinho na entrada do mercado

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Primeiro puxamos um papo

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Fomos bem recebidos ou não?

Muitos viajantes tomas suas conclusões sobre um determinado lugar, cidade ou país baseados apenas na experiência vivida por eles. Acho justo. Para exemplificar, vou usar a minha cidade, Rio de Janeiro. A maioria dos turistas que visitam o Rio e não têm nenhuma experiência negativa, como assalto, mal atendimento, volta para casa maravilhado, disposto e contar maravilhas sobre a cidade, e com boa dose de chance de voltar. Agora quem passa por apuros, dificilmente vai recomendar a cidade, e muito menos querer voltar.

Pra mim, Harare foi uma surpresa boa, nada de ruim aconteceu conosco, mesmo até tendo saído à noite, no escuro. Pelo que li antes, parecia suicídio. Fiquei com boa impressão, e não ficamos com todo o medo que as informações sugeriam.

 
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Posted by on February 7, 2017 in Zimbabwe

 

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