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Monthly Archives: March 2017

Esporte pouco radical

Acordei cedo, e o céu estava limpo, sem nuvens. A vista do meu quarto era deslumbrante. Tomei café, e tinha que decidir o que fazer. Havia 7 cachoeiras na estrada que leva para Puyo, que já fica na Amazônia, sendo que as 5 primeiras podiam ser vistas da estrada. As últimas 2 eram fora da estrada e demandavam descer por uma escadaria longa. O que a galera normalmente fazia era contratar uma jardineira com guia, que ia parando em todas elas. A alternativa era alugar uma bicicleta e descer pela estrada os 22 quilômetros que separavam Baños da última cachoeira. Lá havia um caminhão que levava a galera e as bicicletas de volta para Baños. Foi o que eu decidi fazer.

Pesquisei algumas lojas e logo decidi por aquela que tinha mais bicicletas e em melhor estado. Mas na hora de pagar, verifiquei que não tinha trazido meu passaporte.Tive que voltar para pegar, e para isso era mais uma caminhada morro acima. Na descida, passei em frente ao hostel do alemão do dia anterior, Dennis, que estava saindo naquele mesmo instante. Coincidência pura! Perguntei pra ele o que ele iria fazer, e ele me respondeu que ia alugar uma bicicleta para ver as cachoeiras. Destino! Fomos juntos para a loja, e alugamos uma bicicleta cada um, e partimos para as cachoeiras.

No início era só descida, uma beleza, mais de 5 quilômetros. Depois começaram a se intercalar descidas e subidas, até que chegamos à primeira cachoeira. Não era lá essas coisas, mas paramos para tirar fotos e logo surgiu uma figura pequena, mas com sorriso no rosto, que logo chamou minha atenção. Era uma guatemalteco, Juan Carlos, que puxou papo, e foi logo incorporado por mim ao grupo. O único detalhe era que o Juan Carlos não falava inglês e o Dennis não falava espanhol. Naquele momento não me pareceu um problema, estava animado com o formato do novo grupo. E assim fomos ladeira mais abaixo do que acima.

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Tirolesa de mais de 1 km

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Descida para ver uma das cachoeiras

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A descida era acentuada

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Nessa dava para nadar

Foram horas de pedalada, um para para tirar e foto, e pedala, e mais as 2 escaladas para baixo nas últimas cachoeiras. A maioria dos normais pegam carona em um caminhão que fica estrategicamente estacionado na última cachoeira, mas nós estávamos bem, e decidimos voltar os 22 kms pedalando. Dizem que a volta é sempre mais rápida do que a ida, mas não funcionou neste caso. Primeiro porque na volta tem mais subidas do que descidas, e depois porque paramos para que o Dennis fizesse o passeio na tirolesa de 1 km. Para terminar, tinha a tal mega ladeira na chegada à Baños, que na ida era uma descida, mas na volta se transformou em uma subida interminável. Chegamos babando de cansaço, mas felizes pelo dia bem aproveitado. Só um detalhe : fez sol o dia todo, apesar da previsão do tempo dizer que ia chover sem parar. Já estava no lucro.

Comemos algo e depois fomos para a termas La Piscina de La Virgem, a mesma do dia anterior. Nos divertimos bastante, depois fomos beber uma cerveja, e o dia acabou.

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Posted by on March 31, 2017 in Ecuador, Equador

 

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Baños -programa cultural

Acordei cedo e parti para o Terminal de Ônibus de Quito. Para minha surpresa, o Terminal é novo, super organizado, um dos melhores que eu já vi, parece um aeroporto. Aliás, só no terceiro dia é que descobri que o aeroporto no qual eu cheguei é um aeroporto completamente novo, fora da cidade. O antigo foi simplesmente desativado. Aconteceu o mesmo com o Terminal de Ônibus.

Então chegando lá, não demorou mais do que 3 minutos para eu achar o guichê correto para comprar minha passagem para Baños, a capital do ecoturismo, e achar a plataforma e entrar no ônibus, que saiu em menos de 5 minutos. Tudo muito rápido. São cerca de 3horas e meia até Baños, o céu estava meio nublado, não deu para ver os vulcões pelo caminho, somente na chegada à Baños que deu pra ver um vulcão, encoberto pelas nuvens.

Baños é a capital do esporte radical no Equador. Nesta área do país, é a cidade que mais concentra turistas, já que há tantas atividades. Além disso, é uma cidade agradável de se passar o tempo, mesmo para quem não tem nada mais radical para fazer. Porém, na minha chegada, em pleno domingo, este primeiro dia acabou se tornando mais um programa cultural do que turismo radical.

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Baños vista de cima

A cidade estava cheia de famílias equatorianas, passeando pelo Centro, que é bem pequeno, pelas lojas, pelas praças e pela Basílica, que é bem bonita. Tudo perto, tudo fácil, muitos restaurantes, lojinhas vendendo os passeios turísticos, e acima de tudo, muito movimento de locais. Claro que nem dava tempo para fazer nenhum esporte radical, então caminhei pelo centro, visitei a encantadora Basílica, fui ao Mercado Municipal, que é bem peculiar. Há mini cozinhas, uma ao lado da outra, e em frente de cada uma, há 1 ou 2 mesas, onde o pessoal come. Tem literalmente de tudo para comer, claro que a atração principal é a culinária equatoriana, nem podia ser diferente, já que a clientela principal são os próprios equatorianos. Depois tem uma ala das frutas e sucos de frutas, que podem ser pedidos na hora, com a combinação de frutas à escolher. E depois a parte do mercado propriamente dito, com venda de frutas, legumes, verduras, carnes, etc.

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Mercado Municipal

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Basílica com mercado

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Uma das piscinas das termas

De lá fui procurar as famosas termas, e logo encontrei a principal delas, e mais movimentada. Já estava de noite, e havia fila para entrar. Todos precisam de roupas de banho e toucas, que podem ser compradas ou alugadas na entrada. No andar de baixo há a piscina mais quente, quase que um caldeirão ligado. Só de botar meus pés dentro d’água, já senti uma queimadura instantânea. Depois descobri o método de entrar nesta piscina, que nada mais é que um banho super gelado antes, e depois deve-se entrar rápido, com o corpo inteiro de uma vez. Depois, melhor ficar parado, porque só do movimento da água, dá para se queimar. Fui para o andar superior, onde havia uma piscina com água menos quente, que obviamente estava lotada. Foi super interessante observar as famílias se banhando, e socializando. Havia uma minoria de estrangeiros, que nada mudavam o clima do lugar. Foi uma experiência super interessante e relaxante.

Depois de horas por lá, hora de ir para a cama.

 
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Posted by on March 28, 2017 in Ecuador, Equador

 

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Metade do Mundo

Saí logo cedo, e como o tempo estava meio aberto (para quem esperava chuva direto, estava no lucro, não?), resolvi visitar o teleférico de Quito. Dizem que de lá se tem uma vista maravilhosa da cidade. Eu sou daqueles que acha que toda cidade de cima parece igual (exceção para aquelas que têm montanhas), mas mesmo assim resolvi conferir. Peguei um ônibus que me deixava perto, e ainda tive que subir à pé  uma ladeira por 15 minutos até chegar na base do teleférico. Mas logo que cheguei, chegou junto uma mega nuvem negra, que simplesmente cobriu toda a montanha. Perguntei para uma menina que trabalhava lá se o tempo deveria abrir, e ela me disse ingenuamente que não havia chance. Então decidi partir dali, pois seria tempo perdido.

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Tempo fechado para quem ia subir no Teleférico

Peguei outro ônibus e fui ver o monumento que teoricamente fica na Linha do Equador. Teoricamente, pois isso já foi questionado, e muitos dizem que ele está uns 200 ou 300 metros errado. Claro que não importa, o que vale é ver o monumento, que aliás fica rodeado de lojinhas, restaurantes, e uma imitação de vila muito ajeitada. Nos finais de semana várias famílias locais vão lá passar o dia, então seria bom chegar mais cedo. E foi o que fiz.

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Um pé no hemisfério sul e outro no hemisfério norte

Para falar a verdade, o monumento é meio sem graça, mas valeu o passeio. Principalmente por ver a excitação dos locais e turistas para tirar as famosas fotos com um pé no hemisfério norte e outro no hemisfério sul. Só isso já valeria o passeio.

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Lojinhas do complexo

De lá fui para o Centro Histórico de novo. Foi um longo caminho, já que o monumento fica à 22 kms ao norte de Quito e o Centro Histórico fica no sul da cidade. Mas como havia mencionado antes, o sistema de transporte é fantástico, e rapidamente estava por lá, com apenas uma troca de ônibus. Novo passeio pelas ruas, bem cheias de turistas locais e estrangeiros. Tive que entrar na Basílica de Quito e subir em uma das torres para apreciar a vista lá de cima. Após algumas horas passeando, e comendo comidas típicas, decidi que era hora de ir embora.

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Centro Histórico em um sábado à tarde

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Basílica de Quito

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Vista da torre da Basílica

Não queria repetir a ida para o bairro de El Mariscal, onde ficam os bares, e decidi ir ao Estádio Atahualpa. Sabia que estavam jogando o Campeonato Sul Americano de Futebol sub-20, e era a última rodada. Imaginei que o ingresso seria barato, e seria interessante conhecer o estádio. E estava certo. O ingresso custava 3 dólares. Haveria 3 partidas, sendo que a última seria a final do campeonato, entre o Equador e o Uruguai. Quando entrei no estádio, estavam jogando Argentina e Venezuela. Normalmente a Argentina é muito melhor do que a Venezuela, e eles estavam ganhando por 2 a 0. Porém, a festa era toda da torcida da Venezuela, já que com este placar, eles estavam se classificando para o Campeonato Mundial da categoria, e a Argentina ainda (dependia do resultado do jogo seguinte, entre Brasil e Colômbia).

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Estádio Atahualpa

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Torcida da Venezuela

Para minha surpresa, cerca de 80% da torcida no estádio era da Venezuela. Logo fui procurar saber, e descobri que era por um triste motivo. Eram refugiados da crise econômica que assola o país, onde segundo as pessoas com as quais eu conversei, não há o que comer, não há segurança, não há esperança, enquanto o governo atual do Nicolas Maduro não cair. Eles estavam morando em Quito, trabalhando em sub empregos, simplesmente sobrevivendo, enquanto aguardavam a situação melhorar para poder voltar para casa. Aquilo ali era simplesmente uma grande reunião social, havia famílias, amigos, conversando, pouco se importando com o que se passava em campo. Ficou mais claro ainda quando começou o jogo do Brasil, eles mal olhavam para o campo, apenas conversavam, bebiam cerveja e comiam quase tudo que os ambulantes vendiam.

Foi ficando frio à medida que a noite caía, e resolvi não esperar pelo jogo principal da noite, afinal meu objetivo já estava cumprido. Dali fui para um shopping que fica bem em frente, jantei e voltei para o hostel.

 
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Posted by on March 13, 2017 in Ecuador, Equador

 

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Equador – viagem aos Andes

O Equador já fazia parte da minha lista de desejos faz tempo. Da América do Sul, além dele, só faltava a Venezuela, que não tenho intenção de ir com a situação atual, e as “Guianas”, que incluem o Suriname, mas com menos prioridade. Já havia até comprado o guia do Equador há alguns anos, e sempre fui adiando a viagem. Chegou a hora.

O país tem 4 áreas bem distintas. A primeira é a faixa litorânea, que não me interessa muito, a segunda é a faixa central, que pega os Andes, a terceira é a faixa leste, que pega a floresta amazônica, que também não me interessa, já que já estive na floresta algumas vezes, e a quarta é Galápagos, que também não está na minha lista (muito mais pela minha conhecida dificuldade em viajar em barcos pequenos). Então só sobrou a segunda, que engloba Quito e a famosa “Avenida dos Vulcões”, que nada mais é do que a Rodovia Panamericana, cercada por pelo menos 10 vulcões. Em dias claros, as vistas são fantásticas.

Antes da viagem, pesquisei bastante a previsão do tempo em Quito e Baños, e estava previsto chuva nos próximos 10 dias de viagem, o que seria um problema para mim, já que minha viagem duraria apenas 9 dias. Além disso, a temperatura variaria entre 8 e 19 graus. Então fiz a minha tradicional mochila comedida, e resolvi levar uma boa capa de chuva, e um moleton, para o caso da temperatura chegar na casa dos 10 graus.

No primeiro dia, na chegada em Quito, depois de passar no hostel, e deixar minhas coisas, fui direto para o Centro Histórico. Para mim, o Centro Histórico de Quito é o mais legal de todos que eu conheci na América Latina. Se perde para o Rio de Janeiro em quantidade de atrações e qualidade, mas ganha no geral pelo fato de que no Rio de Janeiro os prédios históricos são todos espalhados e misturados com os modernos e sem interesse arquitetônico, e em Quito é tudo muito concentrado, e bem mais harmônico. Muitas igrejas, conventos, a própria Basílica, museus, o Palácio do Governo, enfim, uma lista de atrações muito fotogênicas. Como era em uma sexta-feira à tarde, havia um movimento considerável dos equatorianos, assim como de turistas.

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Palácio do Governo

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Catedral de Quito

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Praça da Independência

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Acontece de tudo na Praça

Vale ressaltar o fato de que Quito é uma cidade que fica espremida entre duas cadeias de montanhas, então ela é bem cumprida, no sentido norte sul. As avenidas são paralelas, e todas com um ótimo sistema de corredores de ônibus, semelhantes aos existentes em Bogotá e no Rio de Janeiro. Assim fica fácil e rápido para se locomover entre os bairros da cidade. Outra coisa a se ressaltar é o preço das passagens de ônibus. Custa US$ 0,25 por passagem. Isso mesmo, em dólar, pois o Equador dolarizou sua economia em 2000, e a manteve assim desde então. Para algumas coisas, os preços são bem baixos, mas para outras, há o inevitável arredondamento, que acaba encarecendo. mas no geral, o Equador é bem barato.

Depois de perambular pelo Centro, resolvi partir para o El Mariscal, que é o bairro onde os bares, restaurantes e boates se encontram. Interessante é que eu cheguei por lá por volta das 6 horas da tarde, e o movimento já tinha começado. No Rio de Janeiro, às 6 horas da tarde, as pessoas nem chegaram em casa ainda, saem de casa depois das 10 ou 11 horas da noite, e lá em Quito já estava bombando. Muita gente nas ruas, muitos bares e boates já abertos, alguns para uma galera mais endinheirada, outros para turistas, outros para jovens, tudo muito misturado.

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El Mariscal

Em Bogotá, por exemplo, a área de bares para a classe mais rica fica toda concentrada, e não há esta mistura toda. Claro que a faixa etária era completamente diferente da minha, e ainda pelo cansaço da viagem, e por estar sozinho, não fiquei muito tempo. Só o tempo de beber uma cerveja, comer um snack e voltar para o hostel e dormir.

 
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Posted by on March 7, 2017 in Ecuador, Equador

 

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