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Monthly Archives: April 2017

Saquisilí e Quilotoa, um dia cheio e frio

Acordamos não muito cedo, pois estávamos esgotados, então combinamos de conscientemente perder o melhor do mercado indígena de Saquisilí, que acontece bem no início da manhã. Ainda demos uma volta por Latacunga pela manhã, e pegamos o ônibus para Saquisilí, que fica à 25 kms de Latacunga. Sabíamos que o mercado acontece por setores, em diferentes partes da cidade.  Há o mercado de animais, que na minha opinião deve ser o mais legal, o mercado de alimentos, de artesanato, para aqueles que querem souvenirs, e outros para compras dos locais. Chegando lá fomos direto para o mercado de animais. Já eram quase 10 horas da manhã, então o mercado já estava no fim. Tiramos algumas fotos do que restava, enquanto algumas negociações ainda aconteciam. Este é um mercado semanal, então tem uma importância grande na região. O outro mercado típico do Equador fica em Otavalo, ao norte de Quito. Lá é bem mais turístico, e já não sei se isso é bom ou não.

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Quer comprar uma ovelinha?

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Ou um porquinho?

De lá fomos para o mercado de alimentos. Bem típico local. Gosto de caminhar por estes mercados, apenas apreciando os vendedores, seus produtos e o clima de compras. Confesso que não me encheu os olhos, pois nem estava tão cheio quanto eu imaginava, e de lá partimos para os outros mercados.

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Mercado de alimentos

Algumas quadras dali, ficava o mercado de artesanatos e roupas, incluindo barracas como a de chapéus indígenas, quase uma unanimidade entres as mulheres equatorianas.

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Barraca de chapéus

Também havia barracas de roupas de frio, e muitas de comidas locais, onde acabamos comendo um peixe frito. Já estava na hora de partir para Quilotoa, mas tínhamos que retornar à Latacunga, onde tínhamos deixado nossas bagagens, e de lá pegamos outro ônibus para Quilotoa.

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Roupas

Já era à tarde, e partimos para uma viagem de 2 horas entre Latacunga e Quilotoa. Quilotoa é um vulcão extinto, com um lago dentro da sua cratera. A vista lá de cima é fantástica, então muita gente vai lá só para ver a vista, tirar fotos e retornar. Alguns fazem este passeio saindo de Quito, outros de Latacunga. E alguns continuam o chamado Quilotoa Loop, que passa por alguns vilarejos, até chegar em Saquisilí e finalmente de volta à Latacunga. Dura de 2 à 3 dias, dependendo do transporte e do roteiro.

Nosso objetivo era dormir em Quilotoa e fazer um trekking no dia seguinte. Havia algumas alternativas, mas íamos decidir somente à noite.

A estrada passa ao lado da vila de Quilotoa, e saltamos do ônibus por ali. Havia um hotel bem em frente de onde saltamos do ônibus, então decidimos entrar e perguntar para que lado ficava a cratera, para não perdermos tempo indo na direção errada. Acabou que falamos com o dono do hotel, que era novíssimo, havia sido inaugurado há 40 dias apenas, e que perguntou se queríamos ficar hospedados lá. Isso seria contra os meus princípios, aceitar ficar no primeiro lugar que visitávamos, mas o hotel era muito bom, e depois de visitar os quartos, comecei a negociar com o dono. Acabamos conseguindo um preço de 20 dólares pela noite, jantar e café da manhã inclusos, o que parecia ser um achado. Havia um grupo de americanos almoçando, era quase 4 horas da tarde.

Acertamos com o dono, deixamos nossa bagagem por lá, e partimos para a cratera. Já fazia frio, o tempo estava bem fechado, mas não chovia, o que para mim já era lucro. O hotel ficava à uns 500 metros da cratera, e deu para ver claramente que a vila era recém construída. Suas ruas, praças e principais hotéis e restaurantes eram todos novos, e havia mais muitos prédios em construção. Isso é o que se pode chamar de mudança que o turismo traz. O que o pessoal local disse é que o Rafael Correa transformou a região, investindo em infra estrutura para transporte e turismo. Não havia muitos turistas, apenas algumas dezenas, e logo chegamos ao mirador do vulcão.

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Vista do mirador

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Tempo fechado e frio

Não tínhamos muito tempo antes de escurecer, mas resolvemos descer até o lago. A descida era muito acentuada, e o caminho estava todo enlameado. A maioria dos turistas alugam cavalos e burros para descer, mas não foi nossa opção. Como para descer todo santo ajuda, lá fomos nós. Não foi fácil, pois estava bem escorregadio, mas não podíamos deixar para o dia seguinte. Abriu até uma solzinho, durante alguns minutos, com direito à um arco íris.

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Estrada para descer, bem enlameada

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Apareceu o arco íris

Chegamos lá no pier, não havia mais ninguém. Ficamos de bobeira, tiramos fotos do lago, que aliás, tem uma água mal cheirosa, com umas algas esquisitas no fundo. Ah, e a água estava gelada, já que o vulcão é extinto.

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Chegamos lá em baixo

O problema de descer tanto é que na volta tivemos que subir. A subida foi muito cansativa, já que é longa, o caminho estava enlameado, o frio aumentava com o cair da tarde, e estávamos praticamente sozinhos. Fomos em uma carreira só, sem paradas, o que quase me resultou em um infarto, mas chegamos. Logo que atingimos o cume, lá no mirador, as nuvens tomaram conta da cratera, e nos obrigou a ir em direção ao hotel, pois já não havia nada para ver. Claro que antes fomos tomar uma cerveja, até para comemorar o programa que tínhamos acabado de desfrutar.

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Vilarejo novo

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Nosso super hotel

Logo que chegamos de volta no hotel, constatamos que éramos os únicos hóspedes do hotel, o grupo de americanos tinha somente passado o dia por lá, e já tinha retornado para Quito. Com a neblina, o frio, e depois a chuva torrencial que começou a cair, e em um hotel fantasma, comecei a ter a sensação de que estava no filme “O Iluminado”, do Jack Nicholson. Descemos para jantar, e o cozinheiro, que era uma figura, fez um belo jantar para nós. Só aquele jantar já valia os 20 dólares que pagamos.

Outro detalhe : não havia calefação no hotel, apenas um aquecedor portátil no restaurante. Depois do jantar, com toda aquela chuva, e sem internet, não havia outra coisa à fazer se não dormir, antes das 9 da noite.

 
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Posted by on April 24, 2017 in Ecuador, Equador

 

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Chimborazo : Caminhando nas nuvens

Bem, acordamos cedo em Ambato, e partimos de ônibus na direção de Guaranda. Ambato já fica à 2.800 metros de altitude, e o ônibus só fez subir. A subida não é íngreme, mas constante. Depois de uma hora e meia, saltamos do ônibus na entrada do Parque Nacional. Daí me deparei com a placa informando a altitude naquele local : 4.386 metros!! Bem, confesso que fiquei apreensivo, já que há muitos anos atrás, passei mal no Tibet, mais ou menos neste altitude. Tive uma dor de cabeça explosiva, e pela única vez na vida, temi pela minha vida, já que quando se sente mal pela altitude, o recomendável é descer. Naquela ocasião, descer simplesmente não era possível, e contei com o destino para me recuperar do mal da altitude.

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4.386 metros!!!

Mas o tempo estava bom, parcialmente nublado, e com uma boa vista do vulcão, que fica à 6.310 metros de altitude. Isso significa que para os escaladores, ainda havia mais de 1.900 metros de desnível, para vencer. Estávamos na entrada do parque, e a maioria dos turistas vão de carro até o primeiro refúgio, que fica à uns 4.800 metros de altitude. De lá eles sobem caminhando até o segundo refúgio (uns 5.000 metros de altitude) e voltam para o primeiro. Muitos levam mountain bikes nos carros, e descem de bicicletas. Nosso interesse era simplesmente caminhar com aquela vista maravilhosa, por algumas horas. Então decidimos caminhar pela estrada e curtir a paisagem, tirar fotos, etc.

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Chimborazo pela manhã

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Vicunha no Chiborazo

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Vicunhas bem de perto

Após 90 minutos, comecei a ficar tonto, aliás bem tonto, à ponto de achar que eu ia desmaiar. Era um sintoma bem diferente do que eu tive no Tibet, mas não dava para negar que era por conta da altitude. Minhas pernas estavam OK, sem nenhum problema para caminhar, mas minha cabeça só girava. Já tínhamos chegado a pouco mais da metade do caminho até o primeiro refúgio, devíamos estar à uns 4.600 metros de altitude, então decidi que o melhor era eu descer do que arriscar a deixar meus amigos na roubada, tendo que me acudir no meio do nada.

Desci caminhando e curtindo, mas logo vieram várias nuvens, e o tempo começou a fechar rapidamente. Conforme eu já tinha escrito, não fui preparado para muito frio, e não fazia muito frio quando chegamos, mas naquele momento, com o tempo fechando, a temperatura baixou drasticamente, e me lembrei da placa na entrada, que dizia que a temperatura média era entre -2 e 10 graus. Cheguei de volta na entrada do parque, vi vários ciclistas se preparando para subir de carro, e eu fui direto tomar um bom chocolate quente e tentar me aquecer.

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Entrada do parque

Infelizmente o chocolate quente não foi suficiente, o frio baixou de vez. Fui perguntar ao vigia à quanto estava a temperatura, e ele me disse que fazia 2 graus negativos. Não preciso descrever o frio que eu sentia, usando 2 camisas, um moleton simples e uma capa de chuva! Decidi não esperar pelos meus amigos ali, e regressar para Ambato. Mas para isso era necessário ficar na beira da estrada esperando o ônibus passar, passando um dos maiores frios da minha vida. Achei que o maior risco seria pela altitude, mas acabou sendo o frio.

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Tempo fechado, esperando o ônibus

Sorte minha que chegou um casal, e depois um soldado para esperar o ônibus, e logo eles pediram carona para um carro que passava em direção à Ambato. Havia 4 lugares no carro, e todos entraram. Foi um alívio duplo. Primeiro porque tive a sensação de que salvei minha vida, que corria risco, e depois porque quando começamos a descer, a montanha já estava toda branca, coberta de neve. Mais alguns minutos na beira daquela estrada eu poderia ter virado um picolé.

Cheguei logo em Ambato, parecia que tinha mudado de país, tal a diferença de temperatura. Um alívio total. Depois de algumas horas, o Dennis e o Juan Carlos voltaram, e contaram que pegaram a nevasca lá em cima, ao chegar no segundo refúgio. Ao contrário de mim, eles estavam preparados para o frio e a neve, então se divertiram bastante. E disseram que os ciclistas não puderam descer de bicicletas, pois o terreno ficou muito escorregadio.

Missão cumprida em Ambato, pegamos o primeiro ônibus para Latacunga, onde iríamos pernoitar. Chegando lá, tivemos uma agradável surpresa, pois Latacunga é uma cidade com um Centro Histórico bem legal, porém enxuto. Pena que quase não vimos turistas por lá. Acho que porque estávamos na baixa estação. Estávamos bem satisfeitos pelo belo passeio do dia, e ansiosos pelo dia seguinte, que seria bem cheio. Saímos para uma pizza e cervejas. Acabaria sendo a despedida do Juan Carlos, que decidiu seguir sua viagem original para o litoral. Foi uma boa companhia de viagem, apesar do stress constante de ter que ficar trocando de idiomas, e ou traduzindo de um para o outro o que estava sendo dito, já que não falavam nenhum idioma em comum. De agora em diante, seria somente o inglês.

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Pizza com cerveja

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Latacunga by night

 
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Posted by on April 17, 2017 in Ecuador, Equador

 

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Relax em Baños

No meu plano original, hoje seria o dia de ir para Latacunga, pois de lá se sai para fazer o chamado Quilotoa Loop. Este passeio geralmente começa pelo Vulcão Quilotoa, que tem um lago dentro da sua cratera. Os turistas normalmente o visitam, e voltam para Latacunga (que fica à 2 horas de ônibus), ou seguem pelos vilarejos nas montanhas, e acabam de volta à Latacunga. Geralmente dura 2 ou 3 dias, e no último dia se recomenda visitar o tradicional mercado indígena de Saquisilí.

Exatamente com a intenção de flexibilizar meu roteiro, eu só tinha reservado hotel até Baños, depois deixei em aberto. O Dennis e o Juan Carlos estavam à fim de seguir comigo, mas queriam ficar mais um dia em Baños. Para mim já estava pronto para ir embora de Baños, mas resolvi ficar, pelas companhias. O Juan Carlos queria muito ir ao topo de uma das montanhas visitar a Casa del Arbol, que nada mais era do que uma casinha de madeira em cima de uma árvore. A vista era deslumbrante, então valeu à pena por isso, já que o local era bem sem graça, com uma tirolesa bem infantil, alguns balanços na beira do precipício e um restaurante meio caído. Fora isso, passeamos por Baños, comemos no Mercado Municipal, fizemos algumas compras e no final da tarde decidimos ir para Ambato, pois de lá iríamos no dia seguinte visitar o Chimborazo, maior vulcão do Equador.

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Casa del Arbol

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Almoço no Mercado Municipal com Juan Carlos e Dennis

Pegamos um ônibus no final da tarde, que demorou umas 3 horas até Ambato. Chegando lá, decidimos ficar no hotel em frente à Rodoviária, pois no dia seguinte iríamos partir cedo.

O transporte rodoviário é um capítulo à parte no Equador. Há ônibus de todas as cidades para qualquer lado, as passagens são baratas, as estradas são ótimas, enfim, não há qualquer stress para se locomover. Fora que nesta região, as vistas são sempre deslumbrantes, e se não estiver nublado, há sempre um vulcão à vista. Por isso neste trecho a Rodovia Panamericana é chamada de “Avenida dos Vulcões”. A viagem foi tranquila, mas como foi feita à noite, não deu para termos uma boa vista da janela do ônibus.

 
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Posted by on April 11, 2017 in Ecuador, Equador

 

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