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Volta ao Quilotoa : não é para principiantes

01 May

A noite foi longa, pois fez um frio de matar, dormi com todas as roupas que eu tinha, mais 4 cobertores. Choveu à noite toda. Acordamos cedo, tomamos um ótimo café da manhã. O tempo estava aberto, e depois de algum debate, decidimos dar a volta à pé no Quilotoa. O dono do hotel nos disse que duraria umas 4 horas, então daria até para fazer um outro trekking antes de pegarmos o ônibus de volta para Latacunga.

Partimos às 9. O vilarejo estava vazio, não havia nenhum turista por lá, acho que não é comum ainda para as pessoas passarem a noite no vilarejo, até porque nos guias os hotéis nem constam ainda, já que são todos novos.

Bem, com o céu limpo, lá fomos nós, começando em sentido horário. O diâmetro máximo da cratera é de aproximadamente 2.200 metros, em baixo, na água, mas na trilha que fica no topo, é de 3.000 metros. Então em uma conta rápida, o contorno à pé dá mais de 18 quilômetros de caminhada, se fosse um círculo perfeito. Será isso tudo? Eu diria que dá menos, talvez uns 12. E partimos, sem pensar muito nisso.

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Vista da cratera pela manhã

Na largada, deu para perceber que a tarefa não iria ser tão fácil. A volta inteira se resumiria à uma sucessão quase que interminável de subidas e descidas, quase todas íngremes, e boa parte delas na beira de um precipício. Isto significava vistas deslumbrantes, tanto para o lado do lago, quanto para o vale que ficava atrás. Porém, ao mesmo tempo significava um perigo enorme. Em várias situações, estávamos à um escorregão de despencar abismo abaixo. Confesso que não me senti seguro, e como tenho pavor de altura, passei boa parte do tempo tenso.

Logo na saída, pudemos ver o vilarejo de Chugchilán, que é onde os andarilhos podem passar a noite. Fica à uma boa caminhada de Quilotoa, e claro que não dava para irmos até lá neste dia.

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Vista de Chugchilán

Continuamos nossa caminhada. Quando o dono do hotel nos disse que daria para fazer a volta toda em 4 horas, logo achei que como iríamos andando mais rápido, poderíamos completar em cerca de 3 horas e meia. Mas como tínhamos uma noção de distâncias, logo deu para perceber que a coisa era mais difícil do que parecia. E várias situações de caminhar na beira do precipício aumentava minha tensão. Ao mesmo tempo, visual único, sem comparação com nada que já tinha feito antes.

Tudo isso regado à ótimos papos com o Dennis, que se mostrou um cara extremamente culto, bem humorado, com ótimas tiradas, enfim, um bom companheiro de trilha. Serviu para descontrair um pouco, e transformar aquele suplício em um programa apenas desafiador.

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Um escorregão de uma queda fatal

Até que chegamos ao ponto mais alto da trilha, que fica à 3.930 metros de altitude. A placa serviu para me lembrar que, além de todas as dificuldades já descritas, ainda tínhamos a altitude para nos atrapalhar.

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No cume da trilha

Às vezes sentíamos calor pelo esforço, e porque também abria um mormaço, e às vezes batia um vento frio para nos lembrar de onde estávamos. Em toda a volta só cruzamos com 3 pessoas vindo em sentido contrário. Fiquei na dúvida se é por conta da baixa estação, ou se este programa é só para os loucos.DSC05315

Dennis na trilha

Claro que há também os locais, pastores de ovelhas, e camponeses, mas não muitos. Passamos por um menino vendendo bebidas, deu muita pena dele, pois alguém o colocou ali, e simplesmente não havia clientes para ele. Deveria estar na escola, mas isso é outro assunto.

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Muitas ovelhas nas encostas

Bem, na parte final da trilha chegamos à pegar chuva, e o troço não acabava. Demoramos um total de 4 horas e meia. Fiquei meio desapontado. Mas depois o Dennis leu no guia dele que o normal é demorar cerca de 6 horas, e aí ficamos mais felizes.

Mas o fato é que chegamos exaustos, sem forças para dar nem mais um passo, então nem tivemos dúvidas do que fazer. Direto tomar uma cerveja, comer algo e pegar o ônibus de volta para Latacunga.

Estávamos mortos, e então decidimos regressar de Latacunga direto para Quito. O Dennis tinha uma amiga por lá e iria ficar no apartamento dela, e eu não tinha nada reservado. Ele me disse que havia um albergue perto do apartamento da amiga, e eu iria tentar ver se havia um quarto pra mim.

A viagem foi tranquila, pena que já era noite e não tivemos oportunidade de ver mais vulcões da janela do ônibus. Como tudo relacionado à transporte no Equador é tranquilo, não tivemos problemas nos vários transportes até chegarmos lá. Foi um ônibus de Quilotoa até Latacunga, outro de Latacunga até o Terminal de Quito, e mais 2 até o apartamento da amiga do Dennis. Chegamos lá depois das 9 da noite.

Fomos até o albergue, e tinha um quarto vago, então deixei a bagagem por lá e fomos jantar. Dormi feito uma pedra, depois de mais um dia super cheio e cansativo.

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Posted by on May 1, 2017 in Ecuador, Equador

 

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