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Monthly Archives: December 2017

Mais um dia entre 2 lados da fronteira

Acordamos cedo, e retornamos para a rua de pedestres, a fim de cruzarmos a fronteira de novo, e caminhar pelo lado turco mais um pouco. Ao lado da Santa Sofia, fica o Bedestan. Trata-se de uma antiga igreja, construída há mais de 1.000 anos, transformada em um mercado coberto, que hoje funciona mais como um centro cultural, mas com algumas lojas de souvenirs. Ou era muito cedo, ou em baixa estação (julho!?), ou é de se lamentar a ausência de turistas, mais uma vez.

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Bedestan

Ali perto fica o Büyük Han, que voltamos à visitar, agora com sol. Muito legal. Aliás, é considerado a maior atração de Nicósia do Norte, mas novamente vazio. É de chorar.

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Büyük Han

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Lojas e galerias de arte

Regressamos ao lado grego, devolvemos o apartamento, pegamos o carro, e partimos para o litoral norte, destino Kyrenia. São pouco mais de 30 quilômetros, mas o que chamou a nossa atenção foram as 2 bandeiras, a turca e a turca cipriota, “desenhadas” no morro ao lado da estrada. Nunca havia visto uma coisa igual. Na foto abaixo elas não aparecem direito, por conta da névoa, mas são impressionantes.

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Estrada para Kyrenia, com bandeirões no morro

Apesar de ser um importante centro turístico, Kyrenia tem apenas cerca de 20.000 habitantes. A cidade tem mais de 6.000 anos de história, e era habitada na sua maioria por gregos cipriotas, antes da invasão turca de 1974. Hoje, obviamente, é habitada pelos turcos cipriotas. A cidade fica espremida entre o mar e as montanhas, e tem uma enseada lindíssima, cheia de barcos e iates, com um belo castelo da época dos cruzados.

Fazia um calor fenomenal, e mais uma vez tivemos que nos refrescar com sorvetes e um banho de mar.

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Enseada de Kyrenia

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Eu e Fabrício na orla

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Torre com castelo ao fundo

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Castelo de Kyrenia

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Muitos barcos

Bem, depois de um passeio sem pressa, tinha chegado a hora de cruzarmos a fronteira pela quarta vez no mesmo dia, isto é, voltarmos para o lado grego, desta vez, com destina a Larnaca, onde iríamos passar nossa última noite no Chipre. São 85 quilômetros para cruzar o país, de um lado para o outro. Rapidamente estávamos de volta à Larnaca, onde fomos diretamente para nosso hotel. Este ficava perto da praia, para onde fomos imediatamente. É uma orla meio sem graça, lembra muito algumas praias de nosso litoral, com prédios de apartamentos e hotéis na beira do mar, e uma rua cheia de cafés, restaurantes, sorveterias e boates. Nada de mais para o meu gosto.

Claro que teve mais um mergulho, antes de voltarmos ao hotel.

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Orla de Larnaca

Demos uma volta pelo centro histórico, antes de jantar em um restaurante na orla. Vimos a Igreja Ortodoxa de São Lázaro, muito bonita. É uma cidade agradável, mas que não estaria na minha lista de prioridades.

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Chegou a hora das 2 bandeiras gregas

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Happy hour em Larnaca

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Igreja Ortodoxa de São Lázaro à note

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Chipre do Norte : cultura e história

Depois de um bom descanso, saímos para explorar Famagusta. A cidade é pequena, e não demoramos muito. Visitamos a mesquita, que tinha sido uma igreja (neste lado da ilha isso é normal). Depois fomos na muralha do Castelo de Othello, que circunda o centro histórico de Famagusta. Nada de muito grandioso.

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Mesuita Kamisi, de longe (ou Lala Mustafa Pasha)

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Entrada da mesquita, nota-se que foi uma igreja antes

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Muralha do Castelo Othello

Dali partimos para a melhor loja de doces da cidade. Uma variedade incrível, especialidade do local. Aliás, é o ponto onde vimos mais turistas até então. Claro que ficava ao lado das lojas do mercado árabe, mas deu pena de ver tão poucos turistas em pleno verão europeu. Uma ducha de água fria. Como situações políticas como essa podem impactar a vida de tanta gente? Quando a gente lê sobre essas situações, é diferente de quando a gente vai ao local e presencia as consequências.

Mas só para finalizar, os doces estavam bem saborosos.

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Melhor loja de doces

Dali fomos para Salamis, uma antiga cidade grega, construída no século 11 antes de Cristo. É um sítio arqueológico, com muitas colunas, estátuas e um anfiteatro grego que foi restaurado para eventos (uma pena, pois ficou horrível depois da restauração, fica claro o que é original e o que não é). Um calor terrível, tivemos que nos refrescar com um belo banho de mar.

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Exemplo de estátua no local

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Colunas do Ginásio

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Anfiteatro

Voltamos para Famagusta para mais uma rodada de doces,e pegar o Leo, que tinha ficado pela manhã sem condições de se afastar mais de 10 metros de algum banheiro. O detalhe é que ele foi muito bem tratado pelos nossos anfitriões, e na hora do almoço já estava em condições de jogo.

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Volta à loja de doces

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Nossos anfitriões simpáticos

Bem, era hora de botar todos os pés na estrada, então partimos para Nicósia, onde ficaríamos na próxima noite. Tudo é muito perto nessa ilha, então logo estávamos do outro lado da fronteira (o grego), procurando o apartamento que tínhamos alugado. Este era muito bom, moderno. Logo deixamos nossas coisas, e fomos explorar esta cidade.

Nicósia fica no coração da ilha, e é hoje a capital do Chipre. Uma cidade com somente 300.000 habitantes, com uma fronteira que divide os 2 lados, como se fossem 2 países distintos. O apartamento ficava a algumas quadras da rua principal de pedestres (Ledras). É uma rua normal de comércio, que de repente é interrompida por uma cerca, e um posto de controle de fronteiras.

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Ledras, no lado grego

A passagem para o outro lado é rápida, sem muita burocracia. Não há qualquer clima de conflito. Passamos rapidamente por uma terra de ninguém, entre os 2 lados da fronteira, onde as lojas estavam logicamente fechadas, não havia nenhum comércio.

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Terra de ninguém, entre os 2 lados da fronteira

Assim logo voltamos para o lado turco. Parecia um túnel cultural, de um lado nós estávamos na Europa, do outro estávamos no Oriente Médio. Isso com poucas dezenas de metros de distância. Certamente uma situação destas é que me faz ter esta curiosidade extrema, de vivenciar este tipo de situação e de local, coisa que o turista comum não tem oportunidade. Isso me tocou mais do que visitar uma grande obra moderna.

E ao mesmo tempo me deprimiu um pouco, pois é o retrato da nossa civilização. Uma ilha tão pequena, uma capital tão pequena, dividida ao meio, e sem perspectiva de reunificação. Pessoas que simplesmente não podem se mudar de um lado para outro, por conta de política. Muito triste!

Bem, eu adoro mercados árabes, então estava bem à vontade. Rapidamente demos de cara com a Mesquita Selimiye, antiga Basílica de Santa Sofia. Como o centro de Nicósia é muito apertado, não há um lugar de onde se possa tirar uma foto boa, apenas de perto. Mas é uma basílica linda, hoje mesquita. Por dentro fica mais claro ainda que se tratava de uma igreja. Mas, assim como em Istambul, assim é a história.

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Basílica de Santa Sofia, hoje Mesquita Selimiye

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Mesquita Selimiye por dentro

Demos mais uma andada, e paramos para um souvlaki, um wrap árabe cheio de carne, legumes e batata frita. Delicioso!

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Souvlaki

Depois de abastecidos, fomos conhecer o Buyuk Han. Trata-se de um caravansarai, que nada mais é que um local para os viajantes descansarem durante as viagens longas. Havia também comércio. Normalmente rodeado por muros, provia também segurança para os viajantes. Este aqui foi construído em 1572, e recentemente foi reformado, transformado em um polo da artistas e de lojas. Muito legal. Só faltavam os turistas. Aliás, o lado grego estava bem mais cheio do que o turco, uma pena.

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Buyuk Han – Caravansarai

Bem, já estava escurecendo, e tratamos de cruzar a fronteira pela quarta vez no mesmo dia, voltando para o lado grego, onde tomamos mais um sorvete antes de cair duros na cama, depois de um longo e proveitoso dia.

 
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Posted by on December 15, 2017 in Chipre, Cyprus

 

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