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Category Archives: Azerbaijão

Resumo da Viagem – Cáucaso

Chegou a hora de resumir a viagem. O certo é dividir em 2 capítulos, um sobre o Cáucaso e outro sobre o Irã, pois são muito distintos, apesar de fazerem fronteira. Isso por si só já é incrível, como pode? Tudo é tão diferente, e separado somente por uma ponte. Achei fascinante passar fisicamente por essa fronteira entre 2 mundos tão diferentes entre si.

Mas vamos lá, comecemos pelo Cáucaso. Primeira pergunta : onde fica, Ásia ou Europa? Geograficamente falando, a cadeia de montanhas separa a Europa da Ásia. Então a Rússia fica na Europa e o resto fica na Ásia. Difícil imaginar Tbilisi como uma cidade asiática. Tem toda a cara de Europa. Erevan idem.

Política : bem, para qualquer viajante minimamente interessado na região, é imperativo estudar um pouco do que aconteceu por lá, mesmo que seja nas últimas décadas. Até para entender a confusão que é atravessar uma simples fronteira, quais que são abertas, e quais que não são. E os vistos? Se tens um carimbo de entrada na Armênia, vais ter problemas no Azerbaijão. Eu que ganhei um carimbo de entrada em Nagorno Karabakh  já sei que sou persona non grata no Azerbaijão. Provavelmente nunca mais serei aceito por lá. Na Abcázia, se entra pela Rússia, só se pode sair pela Rússia. Se entra pela Georgia, só se pode sair pela Georgia. E assim vai. Entender os conflitos também ajuda, o porquê de religiões diferentes, de tanta briga, ódio e desconfiança em um pedaço de terra tão pequeno. Mas é claro que não deixa de ser super interessante e intrigante buscar saber sobre tudo isso, principalmente antes de ir, e depois ver in loco. Conversar com as pessoas, ouvir seus pontos de vista, enriquece mais ainda a viagem. Até porque não é uma região 5 estrelas em matéria de atrações turísticas, então se não tem interesse pela história e cultura, não é o destino ideal. Para mim, uma agradável surpresa.

Povo : neste quesito a medalha de ouro vai para a Georgia, até porque foi o lugar onde mais ficamos. No Azerbaijão foram 2 dias em Baku, uma cidade grande, então é até injustiça. Me lembro do motorista de táxi que me levou de graça do aeroporto até o centro de Baku. Onde mais no mundo isso acontece? Não tivemos nenhuma situação desagradável, em nenhum dos países, fora aquela em Grozny, onde estávamos de bermudas em uma cidade muçulmana e extremamente conservadora. De quem foi a culpa? Claro que nossa. E não posso deixar de mencionar que, apesar de termos perdido muito tempo com a polícia em Vladikavkaz, todos os policiais foram extremamente educados, e não nos intimidaram nenhuma vez.

Comida : aí o bicho pegou. O Guilherme tem estômago de aço, e come até pedra, mas eu tenho minhas restrições. Mesmo assim, sempre acho alguma opção. Confesso que o prato mais tradicional da Georgia tinha chance zero de ser provado por mim, mas me dei bem com outras opções.Sorte minha que existe uma boa influência árabe, e me deliciei com os kebabs em todo o lado. Tomamos bastante cerveja, antes de irmos pro Irã. Em Tbilisi, o fato de temos ficado ao lado do Carrefour nos ajudou bastante.

Hotéis : ficamos em hostel na maioria dos lugares. Não era alta estação, por causa do calor, e também pela falta de turistas, então a maioria nem estava cheio. Baratos e com razoável infra. Todos tinham wifi, muitos tinham café da manhã, e todos eram bem localizados. Só destoou em Vladikavkaz, na Rússia, que definitivamente não é uma cidade turística.

Transporte : pegamos um pouco de tudo. Começamos com trem, depois mashrutkas, que são os táxis comunitários, ônibus intermunicipais, e até carro com guia (em Nagorno Karabakh). Nas cidades pegamos metro, táxi, ônibus, quase tudo que se locomovia. Nenhum stress, fora claro, aquela estrada na Rússia, de Vladikavkaz até Grozny. Aliás, tudo de exceção aconteceu na Rússia.

Custos : esta parte da viagem foi barata. Não extremamente barata, porém bem mais barata que no resto da Europa. Basicamente tudo nesses países é mais barato do que na Europa, comida, transporte, hotéis, passeios, etc.

Vistos : já tinha mencionado que precisamos de visto para o Azerbaijão e Armênia. Tirei o do Azerbaijão em Brasília e o da Armênia em São Paulo (que é de graça). Poderíamos ter tirado na chegada, mas foi bom ter saído de casa com o assunto resolvido.

Segurança : essa questão é complicada. Segurança relacionada a roubos e furtos é total, não tivemos nenhum problema com isso. A questão complexa é relacionada aos conflitos entre os países, aí o bicho pode pegar. Depois que voltamos, houve 2 atentados à bomba em Gronzy, onde estivemos, e um ataque de helicópteros em Nagorno Karabakh, onde também estivemos. Se tivessem acontecido antes de irmos, não sei se a viagem teria acontecido, pois foi bem onde passamos, e a sensação de clima de guerra existe em muitos lugares. Claro que já sabíamos de tudo isso antes da viagem, mas não achava que estava correndo algum risco quando saí de casa. O que todos temiam era o Irã, exatamente o local mais seguro de todos.

Outros viajantes : como escrevi antes, não havia tantos turistas assim. E em locais como esses, os turistas normalmente querem trocar experiências, e informações. Conhecemos pessoas interessantes, não muitas, até porque em um determinado ponto estávamos em 4, e não havia tanta oportunidade assim. Os hostels são os principais locais para se conhecer mais gente.

Planejamento : bem, com o tempo escasso, acho que fizemos o melhor que podíamos. Deixei para trás a região de Mestia, que me pareceu ser a mais legal das que eu não fui. O interior do Azerbaijão também foi esquecido, só que esse vai ficar para a minha próxima encarnação, já que não entro mais naquele país (por conta do carimbo de Nagorno Karabakh no meu passaporte). No mais, vi tudo o que eu queria. Só deixamos a Ossétia do Sul de lado, já que não conseguimos a autorização para entrar lá. Fica para a próxima?

Companhia : excelentes. À 2, 3 ou 4, sempre de alto astral, com pessoas interessantes, viajadas e interessadas. Nada a reclamar. Guilherme já ficou íntimo, foi nossa 2a viagem. O Khouri e o Leo já são veteranos de viajar comigo, já me aturam há décadas, então não teve stress.

 

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Agdam e Tatev. Dois lugares tão próximos e tão diferentes

Acordamos cedo e tomamos um bom café da manhã. O Guilherme não tirou da cabeça a visita à Agdam, e o Armen também não tirou da sua cabeça que ele não ia. Mas como aventura é pouco pra nós, tomamos coragem, e decidimos visitá-la mesmo assim. Nosso amigo Armen se recusou a nos levar lá, disse que era proibido e perigoso, enfim, criou um clima de mais medo ainda. Ele nos levou de carro até Stepanakert, nos deixou em um ponto de taxi em frente à estação de ônibus, e negociamos com um deles para nos levar até lá. A condição é que não desceríamos do carro, só tiraríamos algumas fotos discretamente da janela. E assim foi.

Só um comentário : à princípio o Khouri disse que não queria ir à Agdam, mas depois que viu o clima da casa dos horrores, ele decidiu ir conosco. Afinal, achou mais seguro ir à uma zona de guerra do que ficar nos esperando por lá. Outro motivo é que de manhã deu pra ver que Shushi é super pequena (3.500 habitantes), sem muitos atrativos, e ia ser bem entediante pra ele ficar nos esperando lá.

Agdam já teve mais de 100.000 habitantes, e hoje é uma cidade fantasma. Não há ninguém morando lá. O único prédio que restou de pé, mesmo assim semi destruído foi a mesquita. Claro que depois de os azeris a abandonarem, a galera foi lá saquear tudo o que sobrou. Como é uma região perto da fronteira do Azerbaijão, ela é ocupada pelo exército, e teoricamente proibida para turistas.Recentemente saiu uma reportagem sobre o time de futebol chamada Karabakh, que fez história, e se classificou para a fase de grupos da Liga Europa. Foi o primeiro time azeri a conseguir este feito. Como o nome do clube diz, eles são de NK, mais especificamente de Agdam. Claro que a sede deles hoje não é mais em NK, fica em Baku.

O lugar é à princípio meio decepcionante, pois não há nada para ver. Depois é que me toquei que a atração era exatamente essa, de não ter mais nada lá. Rodamos pelas ruínas, até chegarmos na mesquita semi destruída. Tiramos fotos da janela do carro mesmo. A visita foi rápida, pois nem podíamos parar o carro. Havia soldados espalhados, mas ninguém nos abordou, e pudemos regressar à Stepanakert sem problemas.

Shushi, da janela da casa dos horrores

Shushi, da janela da casa dos horrores

Agdam - ou o que sobrou dela

Agdam – ou o que sobrou dela

Mesquita de Agdam

Mesquita de Agdam

De Agdam voltamos à Stepanakert e ficamos na praça central esperando pelo Armen. Logo ele chegou e pegamos a estrada em direção ao Monastério de Tatev. Para isso, obviamente precisamos cruzar a fronteira de volta para a Armênia. Tatev fica no alto de uma montanha, no fim de um canyon. A paisagem é absolutamente espetacular. De lá se vê inclusive as montanhas de NK. O local é tão inusitado, que existe um teleférico para chegar lá. Este teleférico tem quase 6 km de extensão, é o mais longo do mundo. A paisagem do teleférico e´de tirar o folego, mesmo pra quem não tem medo de altura. O consolo é que dá para ver lá de cima a estrada que precisam pegar se não quiserem utilizar o teleférico. O Armen nos deixou no local onde se pega o teleférico e foi nos pegar lá em cima. Portanto nós utilizamos esta estrada na volta. As fotos falam por si.

Teleférico de Tatev

Teleférico de Tatev

Vista do teleférico - lá em baixo a estrada alternativa de quem tem medo de altura

Vista do teleférico – lá em baixo a estrada alternativa de quem tem medo de altura

Na verdade nem precisava ter um monastério no alto da montanha para se tornar um passeio excelente, mas com este atrativo a mais, o programa se torna imperdível para quem visita a Armênia. Um dia antes de eu deixar o Brasil, passou na TV o Globo Repórter sobre a Armênia, e no programa mostra o teleférico e o monastério. Mas ao vivo posso afirmar que é bem mais espetacular, não dá nem para comparar.

O monastério em si é meio padrão, já estávamos meio cansados de tantos monastérios, então já passávamos meio batidos. Tem uma igreja principal, como todos os outros. Essa se chama Surp Poghos-Petros, o que significa Igreja de St. Paul and St. Peter. A vista lá de cima é inspiradora.

Tatev - espetáculo!

Tatev – espetáculo!

Igreja de St. Paul and St. Peter (Surp Poghos-Petros), dentro de Tatev

Igreja de St. Paul and St. Peter (Surp Poghos-Petros), dentro de Tatev

Bem, depois de curtir a igreja e o visual, pegamos a estrada de novo, em direção à Goris. Goris é uma cidade que fica em uma encruzilhada. Para o norte, fica Nagorno Karabakh. Para oeste, Erevan, que era para onde o Armen ia, levando o Guilherme. E para o sul, a estrada que leva à fronteira com o Irã, que era para onde íamos no dia seguinte. Portanto, foi a nossa real despedida do Guilherme. A partir dali, seríamos somente 3.

Um breve comentário sobre o grupo. Na verdade, apesar de conhecer o Leo e o Khouri há décadas, foram eles que “invadiram” minha viagem com o Guilherme. Viajar à 4 é diferente de viajar à 2, há vantagens e desvantagens. Mas tenho que admitir que para o Guilherme, tão acostumado a viajar sozinho, deve ter sido no mínimo estranho ter que passar quase 2 semanas à 4, quanto mais com 2 que ele nem conhecia. Ou ele fingiu muito bem, ou realmente conseguiu se adaptar bem. Até porque não houve qualquer stress desde o início da viagem, sempre com o clima de alto astral.

Praça central de Goris

Praça central de Goris

Antes de mais nada, o Armen parou um motorista na rua, e perguntou quanto ele cobraria para nos levar até Agarak, na fronteira com o Irã. São “apenas” 165 kms. Acertamos o preço, e marcamos dele nos pegar no dia seguinte cedo no hotel.

O hotel que ficamos em Goris surpreendentemente foi o melhor da viagem. Um brinco de quarto, mas o melhor viria no dia seguinte. A cidade era quase fantasma, pouquíssimas pessoas nas ruas, quase tudo fechado, mas conseguimos achar um local para trocar dinheiro, e ainda melhor, um mercado para comprarmos mantimentos para a longa jornada do dia seguinte, rumo ao Irã.

Pra completar, um restaurante onde pudemos tomar a última cerveja com álcool da viagem, jantar e ir descansar desses 2 dias super hiper cansativos. Não tínhamos ideia de como esses 2 dias iriam afetar nossa viagem. Como escrevi no último post, aquele Niva não foi feito para carregar 5 adultos em lugar nenhum, quanto mais nestas estradas horrorosas. Antes de dormir, o Khouri começou e reclamar de dor nas costas. Pelo menos no dia seguinte seríamos nós 3 e o motorista, sobraria mais espaço, e o carro era um Renault Logan, bem espaçoso e mais confortável que o Niva.

 

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Nagorno Karabakh – mais um “não país”

O Armen chegou cedo, às 6 da matina, e partimos. Ele tinha um Niva, que pode ser bom pra muita coisa, menos pra carregar 5 adultos por estradas horrorosas. Mas aventura é isso mesmo, então pé na estrada. A primeira parada foi no alto do Cascade, para tirar fotos do Monte Ararat, que só é visível de Erevan em dias muito claros. E tiramos boas fotos.

Vista do Monte Ararat às 6:30 da manhã

Vista do Monte Ararat às 6:30 da manhã

Depois caímos na estrada, rumo à Sevan, uma bela cidade que fica à beira do Lago Sevan. Sevan é a Riviera da Armênia, no verão fica lotada de turistas, a maioria armênios, pois é a melhor praia do país. O objetivo da visita era o Sevanavank (Sevan Monastery). Imponente, ele fica no alto de um morro, permitindo dezenas de fotos dele com o lago ao fundo. Mais um lugar de cartão postal. A vista é espetacular, rivaliza com Khor Virap como a mais bonita da Armênia.

Sevan Monastery

Sevanavank – Sevan Monastery

Passamos pelo centro da cidade, para comprar mantimentos, já que teríamos um longo dia pela frente. Mas as opções eram escassas, senti muitas saudades do Carrefour de Tbilisi. Mesmo assim fomos em frente, dentro do desconfortável Niva. Visitamos um cemitério medieval, bem bacana. Fomos contornando o Lago Sevan até termos que desviar no sentido de Nagorno Karabakh. Paramos na última vila, chamada Vardenis, essa realmente tinha cara de final de linha, onde o vento faz a curva. Dali pra frente, estávamos entrando em um mundo meio sinistro, e vou explicar porque.

Cemitério medieval - com ovelhas pastando

Cemitério medieval – com ovelhas pastando

Khouri fazendo um lanche em Vardenis

Khouri fazendo um lanche em Vardenis

Pra começar, só o significado do nome já mostra o cartão de visitas dessa encrenca. Nagorno significa montanhoso, em russo. Kara significa preto, em turco. E bakh significa jardim, em persa. Como todo a região do Cáucaso, Nagorno Karabakh (NK) foi habitado séculos antes de Cristo, e em algum momento fazia parte da Grande Armênia. Não sou perito em História, quanto mais desta região, apenas estou repassando o pouco que entendi, bem resumido, não quero ser acusado de estar escondendo parte do que aconteceu. Mas o fato é que depois de muitas conquistas, dentre elas pelos turcomanos, persas e russos, com sua população indo e vindo, emigrando e imigrando, até que chegamos à era soviética. Após a Revolução Russa, Stalin formou a República Democrática Federativa Transcaucásia, formada pelo que hoje são Azerbaijão, Geórgia e Armênia. Logo foi desmembrada e começou o conflito entre a Armênia e o Azerbaijão envolvendo várias regiões, NK entre elas. Pra complicar mais ainda, os britânicos intervieram e indicaram o Azerbaijão como governantes, o que iniciou mais uma rodada de conflitos. Logo depois, em 1920, o exército bolchevique invadiu, e, em uma manobra política com a Turquia, acabou devolvendo NK para os azeris. Durante toda a duração da União Soviética, este status não mudou, mas o fato é que a maioria da população era armênia, e é claro que mais cedo ou mais tarde ia dar confusão. E deu.

Com o declínio da União Soviética, em 1988 os conflitos recomeçaram, iniciando o êxodo das minorias azeris para o Azerbaijão e armênias para a Armênia. Em 1989 os soviéticos saíram do governo, e logo depois o Conselho Nacional proclamou unificação com a Armênia. Nada disso poderia dar certo, e só demorou mais 2 anos até que a guerra efetivamente começasse. Foi uma carnificina. Dezenas de milhares de mortos, refugiados pra todos os lados, principalmente os azeris, que quase não existem mais em NK. Hoje NK é um estado independente, tem seu governo próprio, sua bandeira, etc. Mas é intimamente ligado à Armênia, tanto que usa sua moeda, e tem muitos soldados armênios por lá. Cerca de 95% da população é de armênios.  Um exemplo mais forte ainda é que um ex primeiro ministro de NK, Robert Kocharian, virou primeiro ministro da Armênia e depois presidente. A pergunta que não quer calar : porque a Armênia não anexo de vez NK? Simplesmente por medo da comunidade internacional, que ainda reconhece NK como parte do Azerbaijão, e do próprio Azerbaijão, que pelo visto ainda não desistiu de retomar para si esta região. É claramente uma situação pendente, e muita água vai passar ainda por debaixo desta ponte. Quando estávamos em Baku, no Azerbaijão, conversando com o povo local, dá pra sentir claramente que eles consideram NK como terra deles, que foi tomada na mão grande, e que mais cedo ou mais tarde vai ser retomada. Eles se consideram pacíficos, mas é só da boca para fora. Eles só não entram em guerra de novo porque a Grande Irmã Rússia não deixa. Na Armênia é exatamente ao contrário, eles acham que NK é deles, e um dia será finalmente anexada. E em NK, eles se consideram independentes, não querem estar com ninguém, mas é claro que pela etnia e cultura, se inclinam pela Armênia.

Na semana passada um helicóptero do exército de NK foi derrubado for forças azeris, demonstrando que as tensões só aumentam na região, em vez de diminuir. Claro que se tivesse acontecido antes da nossa viagem, iria nos fazer provavelmente alterar nossos planos, pois ninguém estava disposto a arriscar sua vida apenas para visitar este enclave. Mas, assim como na Chechênia, os ataques só aconteceram depois da nossa volta, graças à Deus foi tarde demais. Lembro que em 2011 estava em Lamu, no Quênia, quando aconteceu um sequestro e assassinato de um turista, enquanto eu estava lá. Não vi, não me afetou, pois estava de partida no dia seguinte, mas não deixa de ser uma sensação bem estranha.

Dito tudo isso, fiquei na dúvida se comemorava meu 100º país. Ora, se é um estado independente, porque não? E a Palestina, que aliás foi ontem reconhecida pela Suécia, não conta? Quando que conta? Cada um tem sua conta, e a minha tem, além dos países reconhecidos pela ONU, os países que de fato funcionam independentes. Palestina, Abcásia, Kosovo são alguns deles. Este número 100 nunca foi um objetivo em si, apenas uma consequência de sempre preferir ir à lugares diferentes do que repetir os lugares já visitados, mesmo aqueles que eu gostei muito. Esses ficam na minha lista de desejos futuros, mas a preferência sempre será por novidades. E nessa viagem o que não faltou foi novidade.

Depois que partimos de Vardenis, duas coisas aconteceram : a paisagem ficou bem montanhosa, e deserta ao mesmo tempo. Deserta de carros e pessoas. Existe um posto fronteiriço, mas que não para ninguém para checagem. O que precisávamos fazer era chegar em Stepanakert, capital de NK, e tirar o visto lá mesmo. Pra não dizer que não vimos ninguém, paramos nosso Niva na estrada para umas fotos, bem perto de um trator. Enquanto todos tiravam fotos da paisagem montanhosa, e muito bonita, por sinal, o motorista veio me oferecer drogas. No mínimo inusitado.

Na estrada, em Nagorno Karabakh

Na estrada, em Nagorno Karabakh

Continuamos balançando furiosamente na estrada que era ora de terra, ora de cascalho, ora de pedrinhas, e quase nunca de asfalto. O Armen me disse que uma vez teve problemas com o carro, e ficou mais de 8 horas esperando por ajuda, de tão deserto que é o caminho. O caminho principal do país é a estrada que liga Erevan para Stepanakert, a capital de NK, e para onde estávamos indo.

De repente, do meio do nada, o Armen sai da estrada, sobe um morro e chega no Monastério Dadivank. Simplesmente perdido no meio do nada. Incrível.Foi construído no século XIII, e hoje está praticamente abandonado. Muito triste ver a situação de uma atração como essa. A vista de longe é linda, mas de perto dá dó.

Dadivank Monastery

Dadivank Monastery

Mais adiante na estrada, uma parada para tirar fotos de um dos tanques abandonados da guerra recente.

Tanque abandonado na beira da estrada

Tanque abandonado na beira da estrada

O vilarejo de Vank merece alguns comentários. O primeiro é que eles construíram um muro feito de placas de carros azeris abandonados durante a guerra. Uma imagem que nunca tinha imaginado ver.

Muro formado por placas de carros azeris

Muro formado por placas de carros azeris

O outro comentário é que este vilarejo é único, pois tem o dedo de um patrono do local, Levon Hairapetian, um barão sediado na Rússia, mas que resolveu entre outras coisas construir um hotel bem esquisito. O restaurante tem forma de um navio, a área de lazer é de um mau gosoto extremo, mas o mais incrível para mim foi ver uma escavação nas rochas em formato de cara de tigre. Eis a imagem :

Escavação em Vank

Escavação em Vank

De Vank, subimos até o Gandzasar Monastery, que é o maior de NK. Bem impressionante, principalmente comparado com os outros, que estão em petição de miséria. Além de bem cuidado, é grande, e tem uma vista bonita lá de cima. Ele é do século XIII

Gandzasar Monastery

Gandzasar Monastery

Após esta visita, rumamos para Stepanakert. Que dia mais cheio. Chegamos já exaustos, mas precisávamos ainda tirar o visto de entrada em NK. Passamos primeiro por um monumento chamado Papik Tatik. É difícl descrever, acho que a foto pode me ajudar. Mas a verdade é que este “casal” aparece em tudo que é souvenir do país. Eles significam”Nós somos nossas montanhas”.

Papik Tatik

Papik Tatik

De lá fomos direto para o centro de Stepanakert, onde fica o Ministério das Relações Exteriores, tirar o visto. Foi rapidíssimo. Talvez explicado pelo fato de que não havia mais turistas (acho que no país todo).

Onde pegamos nosso visto

Onde pegamos nosso visto

Caminhamos pela avenida principal, que tem um nome incompreensível : Azatamartkneri Poghota. É bem agradável, e da em uma praça, onde havia wifi grátis, fontes de água, e vários locais. Difícil saber quem olhava mais para quem, nós para eles ou eles para nós.

Azatamartkneri Poghota (esse é o nome da avenida principal)

Azatamartkneri Poghota (esse é o nome da avenida principal)

Galera das antigas na praça principal. Quem era atração, nós ou eles?

Galera das antigas na praça principal. Quem era atração, nós ou eles?

Perto fica o Palácio Presidencial, e outros monumentos menos cotados.

Palácio Presidencial em Stepanakert

Palácio Presidencial em Stepanakert

Tava visto, e daí fomos tomar uma cerveja com o Armen. Escureceu e fomos para Shushi, sua cidade, que fica à apenas 9 km de Stepanakert, mas tem que subir uma pirambeira. Pra se ter uma ideia, Stepanakert, a capital do país, tem 55.000 habitantes. Shushi tem apenas 3.500.

Chegamos lá, e sua esposa já nos esperava para o jantar. Complicado descrever a situação. Pra começar, o prédio era super velho, e inacabado (ou semi destruído pela guerra, fiquei com vergonha de perguntar). A filha deles era o verdadeiro capeta, fazia maldades com o gato, que me deu nó no estômago. A mãe até pediu desculpas  A infra era super precária, até aí já nem estávamos mais ligando. Só o que queríamos era tomar um banho, comer algo e dormir. Eles tinham um casal de franceses como convidados para o jantar, e assim foi. Claro que pagamos pelo pacote, com carro com motorista por 2 dias, cama e janta. E claro que valeu à pena, jamais teríamos feito tudo o que fizemos em 2 dias sem um pacote destes. Viajar por conta própria em NK deve ser um inferno, nem imagino se é possível.

Jantar na casa dos horrores

Jantar na casa dos horrores

Depois do jantar o Armen foi levar seus convidados em algum lugar e fomos dormir. Já estava no décimo sono quando acordei com um barulho de alguém esmurrando uma porta, falando em um idioma incompreensível. Me toquei aonde eu estava, e resolvi nem me mexer. Isso durou mais de 15 minutos até que o Guilherme saiu do quarto dele e abriu a porta da casa. Era o Armen, que não tinha levado a chave. A mulher dele não acordou com o barulho, e tomou uma super bronca. Aliás, o Armen tratava a mulher dele como empregada, e isso nos incomodou bastante. A filha era uma lunática, imagina como era a vida naquela casa sem visitas. O melhor a fazer era mesmo virar pro lado e dormir.

 

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Baku e arredores

Bem, faltou mencionar a questão da temperatura. Fazia um calor de 40 graus à sombra, e era virtualmente impossível andar pela rua após o almoço. Fiquei no hostel esperando o Guilherme chegar, e daí partimos para conhecer Baku.

No dia seguinte caminhamos pela Old Town, que como falei no último post, está totalmente restaurada ou reformada. O fato é que a impressão não é tão boa por um lado, já que todos os prédios parecem iguais, por outro a imagem que fica é de um bairro muito limpo e bem cuidado.

Old Town

Old Town

Já não havia tanto pra se ver, ainda era cedo, e decidimos contratar um motorista pra nos levar às atrações fora de Baku. No hostel um casal de russos resolveu se juntar à nós, e fomos todos. Foi super providencial os russos estarem juntos, porque eles puderam traduzir o que o motorista azeri dizia. Além de azeri, ele falava russo, como muitos no Azerbaijão.

Primeiramente pegamos um mega engarrafamento na saída de Baku para o oeste. Aquela estória das ruas desertas só existe até às 10 da manhã, depois sai todo mundo ao mesmo tempo, e é uma confusão. Passamos pela orla, vimos o tal empreendimento sendo construído no lago, e depois de quase 1 hora chegamos à Qobustan Petroglyph Reserve. Há muitos séculos, o Mar Cáspio era 80 metros mais alto, e os habitantes à beira do mar moravam em cavernas e deixaram vários desenhos nas rochas. O museu é muito moderno e bem feito, o local em si foi de difícil apreciação, pois o calor estava infernal, o que mais queríamos era sombra e água fresca.

Qobustan

Qobustan

Dali fomos ver os Mud Volcanos, que como o nome diz, são mini vulcões de lama, a maioria em pequena atividade. Não sei se eu esperava mais, o fato é que achei meio decepcionante (seria o calor de novo)? Voltamos pra Baku, e pegamos a saída leste, com o objetivo de visitar a Fire Mountain. Como o nome diz, é um local que provavelmente tem um escapamento de gas, e sai fogo de um barranco. Duas atrações insólitas, mas achei desespero de causa de quem não tem mais o que ver.

Mud Volcanos

Mud Volcanos

Fire Mountain

Fire Mountain

A minha conclusão foi que o melhor do passeio, que durou umas 6 horas, foi cruzar toda a cidade, ver as construções novas e imponentes, as centenas de árvores de natal, que são pequenas explorações de petróleo em terra, enfim, conhecer melhor Baku. Os russos era gente boa, batemos bom papo com eles. Depois descobrimos que eles iam pegar o mesmo trem para Tbilisi à noite.

Na volta ainda fomos para um local no alto de um morro, de onde tiramos fotos do centro de Baku. Valeu à pena visitar, mas não sei se voltaria.

Baku - de cima

Baku – de cima

Pegamos as coisas no hostel, e partimos para a estação de trem, não sem antes uma parada para um bom e volumoso kebab. O trem para Tbilisi era bom, de 1a classe, cabine com 4 pessoas. Acabou que eu e o Guilherme ficamos em cabines diferentes, mas não fez muita diferença. Tive dificuldade para dormir, mas por conta do fuso. Pelo menos descansei bem o corpo.

Claro que visitando apenas Baku, não dá pra concluir muito sobre o país inteiro. A impressão e a informação que tive é que o interior não tem nada a ver com esse desenvolvimento todo da capital, que realmente deve ter “descolado” do resto. Talvez tenha um pouco a ver com o interior da Geórgia e da Armênia? Lembremos que o Azerbaijão é muçulmano. Aliás, muito muito light, na maioria do tempo nem lembrava disso.

 
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Posted by on October 2, 2014 in Azerbaijão, Caucasus, Cáucaso

 

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Baku – A Nova Dubai

Minha chegada em Baku já foi reveladora. O Guilherme perdeu o voo dele em Chisinau, e não me encontrou em Istambul. Assim, cheguei sozinho em Baku, às 5:30 da matina. Como o hostel avisou que o check in só poderia ser feito depois das 10, tinha tempo sobrando. Aliás, tinha que passar na estação de trem, para comprar nossos bilhetes para Tbilisi. Pelo guia, o ônibus do aeroporto para o centro só começaria a rodar às 7, então resolvi sentar em um café, ouvir um pouco de música e relaxar. O problema é que a cada 2 minutos em média um motorista de táxi vinha me abordar (o café era do lado de fora do aeroporto). Comecei a ficar aborrecido, e fui procurar o ônibus. Enquanto perguntava para uns azeris que não falavam nada de inglês, mais um motorista de táxi me abordou, mas desta vez de uma forma tão simpática, que resolvi perder um pouco mais de tempo, e explicar pra ele que já tinha hotel, mas ia primeiro para a estação de trem. Ele então apontou pro seu carro, e disse “Come in, no money”. Se fosse no Brasil, infelizmente teria certeza de que seria um sequestro, mas depois de ouvir tanto sobre e hospitalidade da galera desta região, resolvi arriscar. O carro era novinho, no mesmo modelo dos táxis londrinos. Pelo menos seria sequestrado em grande estilo. No caminho comecei a perceber a quantidade de prédios novíssimos, um estádio de futebol em construção para as finais da Euro 2016, enfim, para o turista recém chegado a impressão é de estar um em país de primeiro mundo. Finalmente chegamos à estação de trem, o táxi parou, o motorista abriu a porta, e me disse “Welcome to Baku”. Claro que ameacei pagar, mas ele recusou, e repetiu “No money”. Já tirei o primeiro brinde da mochila, dei pra ele, tirei uma foto, agradeci, e fui pra estação. Sem maiores comentários.

Aeroporto de Baku

Aeroporto de Baku

Taxista gente boa

Taxista Gente Boa

Depois de comprar nosso bilhete para amanhã à noite para Tbilisi, fui andando para o hostel. Próxima impressão : era 8 da matina, e as ruas da capital estavam desertas, sem pedestres e sem carros. Onde foram parar os azeris? Passei na Praça da Fonte, que é linda, e parei pra fazer um lanche no McDonald’s, que ninguém é de ferro. Aliás, era a única loja aberta neste horário.

Fountain Square

Fountain Square

Cheguei ao hostel, deixei as coisas, e logo saí para perambular por Baku. O hostel fica na cidade velha, que na verdade nem tem muito de velha. Está toda reformada, praticamente todos os prédios foram recapeados, dando uma impressão de “novos”, e meio padrão. Esteticamente legal, mas pouco original. As 3 torres em forma de chamas, que ficam no alto de um morro, chamadas Flame Towers são imponentes, e aparecem no fundo de praticamente todas as fotos. Andei até a beira mar (na verdade, beira lago). Chamou a atenção o cheiro de óleo da água (não esqueçamos a forte produção de petróleo bem em frente de Baku) e a recente urbanização da orla. Fizeram um verdadeiro parque, tudo novo, limpinho, organizado, uma ótima impressão.

Orla

Orla

Orla urbanizada - um brinco!

Orla urbanizada – um brinco!

Depois de rodar bastante em Baku, inclusive de carro, percebi que o investimento do governo é altíssimo, novos shoppings, novos prédios governamentais, a orla, o estádio, etc. Para que eu concluísse que Baku é a nova Dubai, só faltava um condomínio multiuso construído no mar. E já está em construção, o nome do projeto é Khazar Island, chequem no Google, é realmente grandioso. São várias ilhas artificiais. A conclusão é que o governo quer transformar Baku em destino comercial e turístico. Está quase tudo pronto. Só faltam os turistas. Eles são poucos, apesar de estarmos na alta estação na Europa (última semana de agosto). Vamos ver a evolução deste caso.

Baku - Old Town (Flame Towers ao fundo)

Baku – Old Town (Flame Towers ao fundo)

Guilherme chegou, rodamos bastante pelo Centro, imaginem o cansaço, depois de 2 noites no avião em claro, mais um dia caminhando sem parar. Mas valeu à pena, bem intenso para primeiro dia da viagem.

O Guilherme particularmente estava feliz, pois este é o 100º país na lista dele, o que convenhamos, pra idade dele é um grande feito. Eu me senti um pouco honrado em estar presente com ele neste momento. Será que estarei vivo quando ele completar o 200º?

Uma coisa chamou nossa atenção : as passarelas subterrâneas são lindíssimas, limpíssimas, algumas com obras de arte, outras com lojinhas, e todas com escadas rolantes. Um luxo!

Entrada de uma passarela

Entrada de uma passarela

 
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Posted by on September 30, 2014 in Azerbaijão, Caucasus, Cáucaso

 

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Azerbaijão – que confusão!

Cá estou em İstambul, esperando por 6 horas e meia pelo meu voo para Baku. Pelo menos estou na sala vıp do HSBC, com um pouco de mordomia. Cenário perfeito para uma cerveja, e um pouco de histórıa do Azerbaijão.

Fıco aliviado em ler que até para os azeris é complicado de entender a salada de etnias e religiões que o país passou. Vou tentar resumir, sem a menor pretensão de ser perfeito na análıse, fica apenas uma ideia do que vou enfrentar.

Tudo começou no seculo 6 AC, e o Azerbaijão era parte do İmpério Persa, e a religião predomınate era o zoroastrısmo. Depois de 3 séculos, se transformaram em cristãos, e começaram a construir várias igrejas, que hoje estão em ruinas. No século 7 DC o islamismo tomou conta, com a chegada dos árabes. No século 13 chegaram os mongóis e vários terremotos assolaram a região. Em 1500 os xiitas ınvadiram e logo tomaram conta do pedaço. Por séculos, ficaram no meio do caminho entre os impérios persa e otomano. Tudo isso mudou com a chegada dos russos, que incentivaram a emigração de cristãos ortodoxos para a região, o que claro gerou vários conflitos étnicos. Em 1905 Baku era responsável por metade da produção de petróleo mundial, e se tornou uma cidade riquíssima. Claro que a intervenção do Stalin atrapalhou tudo, e acabou resultando em caos total. Com a Revolução Russa a coisa complicou de vez. Foi a época que a confusão com a vizinha Armênia começou, e ainda não acabou. Pra se ter uma ideia, há um pedaço do Azerbaıjão do outro lado da Armênia, fora a região de Nagorno Karabakh, que se transformou em zona total de conflitıo, com guerras e limpezas étnicas, e até hoje é dısputada pelos 2 países. Depois da perestroika, veio a independência. Nagorno Karabakh hoje é ocupada pela Geórgia (com 800.000 azeris refugiados), que não sai para não dar a ideia de derrota. Enfim, um impasse sem soluçao à vista.

Acabo de receber uma mensagem do Guilherme, que está no aeroporto de Chisinau (Moldávia), vindo me encontrar em İstambul, mas parece que o voo atrasou, e vou ter que me virar sozinho na chegada.

 
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Posted by on August 24, 2014 in Azerbaijão, Caucasus, Cáucaso

 

Tá chegando a hora!

Está chegando a hora de mais uma viagem. Em 8 dias partimos para uma aventura na região dos Cáucasus. A vida continua a de sempre, trabalho, família, enfim a rotina tradicional, mas com um friozinho na barriga, só de lembrar o que nos espera. Nesta altura, prefiro nem ler muito mais sobre os lugares que vou, e nem ver muitas fotos. Hoje em dia, com o avanço da tecnologia, dá pra visitar o mundo todo sem sair de casa. E qual é a graça então de viajar? A graça é, além de ser surpreendido por lugares que você não tinha visto em fotos, ou no Google Steet View, é de ter contato com a cultura local, de conhecer gente de verdade, comer comida bem diferente da nossa, de conversar e tentar mergulhar em mundos diferentes do nosso. Isso é o que me motiva.

Escrevo hoje sem saber muito bem o que vou enfrentar, só que desta vez, como vou ter boas companhias, sei que a tarefa ficará mais fácil, pois certas tarefas poderão ser divididas com eles. Do roteiro já descrito em outro post, quase nada mudou. Temos hotéis ou hostels reservados nas principais cidades, como Baku, Tiblisi, Ierevan, Goris, Teran, Kashan, Isfahan e Yazd. Ainda falta Tabriz e Shiraz, no Iran, e todas as outras do Caucasus. Estas são cidades menores, ou não turísticas, e que vamos deixar pra decidir quando chegarmos, até porque nestes locais não há como reservar pela internet. Bacana, né? Ainda é possível viajar com frio na barriga.

Isso fora as fronteiras para áreas separatistas que vamos ter que cruzar, enão serão poucas. Georgia-Abkhazia (ida e volta), Rússia-Ossétia do Sul (ida e volta) e Armênia-Nagorno Karabak (ida e volta).

Quanto aos vistos, já saímos daqui com 3 deles : Azerbaijão, Armênia e Iran. Todos foram super fáceis de conseguir, Azerbaijão e Iran em Brasília, e o da Armênia em São Paulo, e este, acreditem, é grátis. Já viram isso? Pra Geórgia e Rússia não há necessidade de vistos. Com relação às repúblicas separatistas, pra Abkhazia já fizemos pela internet (também grátis), pra Ossétia do Sul será mais complicado, teremos que fazer por lá, e pra Nagorno Karabak poderemos tirar em Ierevan, sem maiores burocracias (espero).

Pra quem já se perdeu no mapa, ou não faz a menor ideia de onde esses lugares ficam, voltem ao post do Roteiro da Viagem, o mapa está lá.

Preciso confessar que minha mochila está 90% pronta, já que o que eu pretendo levar não uso muito por aqui. Em uma pesquisa rápida no Weather Channel, verifiquei que as temperaturas na maioria dos lugares está acima dos 35 graus, no Iran elas passam dos 40 graus facilmente no verão. A única vantagem nisso é que muitos turistas evitam esses lugares nesta época. isso eu vou me certificar quando chegar lá.