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Category Archives: Espanha

Santiago de Compostela – capítulo final

Resumo da Viagem

Bem, agora que eu cheguei de volta ao Brasil, só me resta fazer um resumo da viagem. vamos à ele :

Percurso – Foram 750 kms, de Roncesvalles até Santiago de Compostela. Como já dito anteriormente, o caminho francês começa em Saint Jean Pied du Port. O primeiro trecho é de pura subida, não se aconselha ser feito em bike. Eu não o fiz, e me arrependo, pois sobrou tempo no final. Dizem que a cidade é linda, e o caminho, se estiver com tempo bom, também é.

O caminho pode ser feito pela trilha ou por estradas. Por estradas é mais longo, e realmente não passa por dentro das cidades e povoados. Na primeira parte da viagem faz toda a diferença, pois aí estão as cidades mais interessantes, com muita história, e pontos de interesse turístico. No meio, há um longo trecho plano, onde sempre há uma estrada paralela à trilha. E no final, na Galícia, após as montanhas, o caminho passa por cidades desinteressantes, mas a paisagem é bonita, se torna literalmente um turismo rural.

Abaixo coloco um resumo de cada dia, o quanto pedalei, os horários de partida e chegada. Só lembrando que a cada dia, há paradas para almoço, lanches, e dependendo do local, de visitas, não significa que pedalei todo o dia. Eu tiraria em média 90 minutos por dia deste horária, para calcilau quanto tempo pedalei.

Calculo que somente 20 a 30% do caminho é de asfalto. O resto é terra, pedras, ou combinação dos 2. Nas subidas fica complicado, quanto mais sem pneu de cross (o meu caso). Nas descidas também pode se tornar perigoso, eu caí 3 vezes em descidas.

Dia De Para KM Acumulado Saída Chegada
0 Roncesvalles
1 Roncesvalles Puente la Reina 66 66 08:30 17:00
2 Puente la Reina Logroño 73 139 09:00 17:30
3 Logroño Redecilla del Camiño 60 199 08:00 17:00
4 Redecilla del Camiño Burgos 64 263 08:30 15:30
5 Burgos Villarmentero de Campos 70 333 08:30 16:30
6 Villarmentero de Campos El Burgo Ranero 67 400 09:00 16:15
7 El Burgo Ranero Hospital Órbigo 73 473 09:00 16:00
8 Hospital Órbigo Cacabelos 85 558 08:30 19:00
9 Cacabelos Triacastela 58 616 08:30 18:30
10 Triacastela Portomarin 40 656 09:30 16:00
11 Portomarin Arzua 53 709 09:15 17:00
12 Arzua Monte do Gozo 35 744 11:10 14:15
13 Monte do Gozo Santiago de Compostela 5 749

Mapa – não é necessário, há setas amarelas e conchas por todo o caminho. Se você ficar mais de 500 metros sem ver nenhum dos 2, pode voltar que se enganou.

Qual caminho – o caminho francês é o escolhido por quase 80% dos peregrinos. A maioria é de espanhóis, mas eles normalmente não começam nos primeiros trechos. Fora os nacionais, alemães, franceses e italianos são maioria, nesta ordem. Ciclistas são a grande minoria, não vi tantos assim.

Peregrinos – a grande maioria é de gente com mais de 60 anos, o que me impressionou. Não é um programa fácil, nem para os caminhantes (grande maioria), quanto mais se a pessoa carrega sua própria mochila. Há empresas que transportam mochilas de uma cidade à outra. Não é nada demais, acho que muitos até necessitam este serviço, mas muitos não o utilizam. As descidas são o verdadeiro terror para os joelhos, isso sem falar nas bolhas nos pés. No caso dos ciclistas, a grande dificuldade são as subidas, e os trechos onde se tem que carregar as bikes, pois fica impossível de se pedalar (trechos com pedras).

Albergues – eu acho que os albergues fazem parte da experi6encia, lá você encontra outros peregrinos, só lá você encontra uma infra para os peregrinos, como máquinas de lavar ou secar roupas, espaço para pendurar roupas, computador com acesso à internet, máquinas de refri, cafés e etc, e muita informação sobre o caminho e próximos trechos. O lado ruim é a total falta de privacidade, e os roncos noturnos. Eu compensei com tampões de ouvidos e de olhos, que me fizeram muito bem. Os hostels são o completo oposto, com privacidade e mais silenciosos, mas não tem nada de experiência de peregrinos.

Bike – eu levei minha boa e velha bike, com pneu de estrada e sem suspensão. Não recomendo para quem vai fazer pela trilha. Dei conta, mas as dores nas costas, e a dificuldade em certos trechos de subida e descida me convenceram do meu erro. Para fazer pela estrada, estaria perfeito. Eu só tive 1 pneu furado, mas encontrei um cara que teve 3 em um só dia. Tudo é possível. O meu pesadelo número 1 acabou acontecendo à 500 metros da chegada final, que foi a corrente arrebentar. Não tive nem preocupação, empurrei a bichinha até o hotel, e a coloquei no malabike, não fez a menor diferença.

O custo de levar a sua varia um pouco. Eu paguei 60 dólares na ida e nada na volta para despachar. Óbvio que tive que comprar um malabike, mas talvez isso não tivesse sido necessário, já que a Iberia vende uma caixa para bicicletas, e em Santiago se pode comprar também outra para a volta. Custa em torno de 20 euros. O meu malabike custo mais de 100 euros, e ainda tive que enviá-lo para Santiago.

Orçamento – depende se vai ficar em albergues ou hostels. Albergues custam de 4 a 10 euros, hostels de 30 a 40 euros. O famoso menu do peregrino, que é um jantar com 2 pratos, sobremesa, pão, vinho e água normalmente custa de 8 à 10 euros. Façam as contas. Mais custo do café da manhã, almoço e lanches. Visitei muitos mercados pelo caminho, não é caro, e se encontra o que comprar por todo o caminho, não precisa acumular nada.

Bagagem – já foi tratado no início do blog, não vou repetir tudo. Acho que eu fiz o correto, isto é, levei o mínimo necessário, já que os alforjes que comprei eram do menor tamanho de todos que eu vi. Invariavelmente quem tinha alforjes maiores carregava mais peso.

Santiago de Compostela – o lugar é mágico, mas não é o mais bonito. A catedral de Burgos é imbatível, por dentro e por fora. A cidade velha é bonita, mas o que vale à pena mesmo é a missa do peregrino e o astral dos peregrinos após concluírem o caminho. Como já disse, chorei na missa, e a assisti 2 dias seguidos.
De novo agradeço à todos que leram e contribuíram para este blog, para mim foi uma grata surpresa. Esta viagem vai ficar marcada em mim para o resto da vida.

 

Após a chegada

 

Bem, hoje faz 1 mês que eu embarquei para minha peregrinação, e 13 dias da minha chegada. O que posso acrescentar mais sobre a viagem?

Primeiro sobre a minha volta. A minha bike chegou amassada no Rio, e depois de várias idas e vindas, e de quase aposentá-la literalmente por invalidez, consegui contratar uma reforma completa, ela ficou que nem a Ângela Bismark, cheia de plásticas, quase nada original. Hoje pela manhã fiz o teste final, subi a Mesa do Imperador, e correu tudo bem.

Sobre a viagem : faltou dizer que neste ano santo, a perspectiva é que 400.000 pessoas façam a peregrinação. Dá para ter uma ideia de como fica a trilha em agosto, o mês mais concorrido? E os albergues, como enchem rápido? Com a política de preferência aos caminhantes, acho inviável fazer de bike em agosto : trilha cheia e albergues lotados.

Não costumo repetir destinos, mas fico com a impressão de que esta viagem eu faria de novo. Fica aqui o recado para todos aqueles que me disseram que adorariam fazer comigo, mas que não podiam na data em que fui. Podemos combinar no futuro (em agosto não!).

Já troquei e-mails com o José, que inclusive me mandou algumas fotos nossas. Já disse à ele de novo que ele é convidado, e não só por mim, para vir ao Brasil. Com a tropa de elite ainda não.

Sobre a minha última noite em Santiago, aquela em que fiquei em um hotel, com quarto e banheiro só para mim, acabou sendo a pior noite da viagem. Exatamente por estar super bem localizado, no coração da cidade velha, foi barulhento demais, com pessoas cantando, gritando e falando alto a noite toda. Nem consegui dormir.

Para o jantar, encontrei as paulistas que tinha conhecido e jantado em Portomarin. Foi um jantar ótimo super agradável. Lembro de ter dito que eram meio peruas, pois estavam ficando em hotéis, contratando a empresa que transporta mochilas, e que não fizeram o caminho todo. Vou repetir : cada um faz o seu caminho, nõ foi em tom de crítica, e nem pejorativo, e sim comparando com a maioria que faz o caminho diferente. Talvez por elas serem paulistas, e casar um pouco a ideia de peruas. De novo : não tenho nada contra paulistas, meu filho é paulista (coitado!), tenhos grandes amigos em SP, foi de propósito, só para gerar uma polemicazinha. Espero que elas me contactem, pois demos boas risadas naquela que foi a última noite da viagem.

Para encerrar, descobri o motivo da minha bike ter chegado amassada no Rio. Nada a ver com a Iberia. Na hora de colocar o malabike no bagageiro do ônibus do aeroporto, fui empurrar uma mochila para não colocar o malabike em cima dela, e veio um alemão não sei de onde gritando, acho que para eu não encostar na mochila dele. O fato é que o cara ficou tão descontrolado, que se desequilibrou sozinho, e caiu em cima do malabike. Só pode ter sido isso.

Outra informação de ordem prática : descobri acessando o site da Iberia que ela vende uma caixa especial para bicicletas, dando inclusive as medidas da caixa. Custa menos que 20 euros. Isso significa que com 40 euros, eu não precisava ter pago 110 euros pelo malabike, e nem mais 11 para despachá-lo de Pamplona para Santiago de Compostela. Outra coisa : no site diz que há que pagar 75 euros para transportar bicicletas. Na ida, me cobraram 60 dólares. Paguei sob protesto, sem saber da regra (pelo visto o pessoal da Iberia aqui no Rio também não sabia). Só que na volta não me cobraram nada! Acho que o pessoal da Iberia precisa de um pouco mais de treino.

Minha última contagem chegou a quase 900 acessos no blog. Não tenho pretensão de continuar, até porque o objetivo do blog era especificamente esta viagem, e acho que a maioria nem vai ler este artigo, eu já tinha me despedido de todos. Vale aqui mais uma despedida e agradecimento à todos. Se bem que alguns nem me ligaram, pois disseram que acessando o blog, não precisaram me ligar, pois já sabiam tudo sobre a viagem. É o que dá querer ajudar!

Marcelo Lessa

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Santiago de Compostela – capítulo 6

Dia 13

Ontem depois que escrevi o artigo lá na caféteria, a tormenta continuou. Tinha vento de mais de 100 km/h, e não parou de chover. Ficamos ilhados até às 10 da noite, quando fomos dormir. Pelo menos deu para falar com a família e com meus pais e irmão pelo Skype.

Fiquei pensando, depois de tanto sacrifício, terminar a viagem com este clima, parecia um verdadeiro anticlimax. Mas se tinha que ser assim, que fosse.

Dormi muito bem, e quando acordei a surpresa: o céu estava claro, sem uma nuvem no céu. Pulamos da cama, nos aprontamos, e saímos para Santiago (afinal eram apenas 4 kms).

Chegamos e fomos direto para a fila pegar a Compostelana, que é o diploma de peregrino. Ficamos uma hora na fila, mas excitados por completar a peregrinação. Depois disso fomos para a catedral, eram 11 horas da manhã, e logo peguei um lugar para ver a missa das 12. Já estava cheio, e resolvi esperar. Quando eram 11:50, olhei para o outro lado da catedral, e vi uma carinha sorridente, olhando para mim. Era o José!!! Chamei ele, que me deu um forte abraço, e assistimos a missa juntos. Incrível.

compostelana

compostelana

catedral Santiago de Compostela

catedral Santiago de Compostela

A missa começou como outra qualquer, mas logo vi que era especial. Hoje é dia de S. Francisco de Assis, e houve uma homenagem aos peregrinos, que me emocionou, principalmente vendo aquela gente toda que sofreu tanto para chegar até aqui. Sem sentir, estava chorando, e vi que eu mesmo tinha realizado algo importante.

Me lembrei de um livro que li na adolescência, Ilusões, de Richard Bach, que começa com uma lenda de uma civilização que habitava o fundo de um rio. As pessoas viviam agarradas nas pedras, e tinham medo de soltá-las, pois não sabiam o que tinha mais a frente no rio. Um personagem decidiu soltar, e começou a descer o rio. As pessoas davam as mãos para ele, pedindo para ele agarrar, já que ele podia se machucar. Mas como elas sabiam que ele podia se machucar, se nunca tinham descido o rio? No caminho, só tem uma direção (para Santiago), então nada tem volta, quando decidimos ir em frente, deixar uma cidade, um albergue, ou umas pessoas, tudo podia acontecer. Inclusive encontrar as mesmas pessoas das quais nos despedimos uma ou mais vezes.

Santiago é muito bonita, o centro histórico é muito rico. Vale à pena ficar mais um pouco. Tem muito turista além dos peregrinos. Amanhã vamos ver a missa de novo.

Bem, o anticlimax de ontem virou um verdadeiro climax hoje. Para completar, encontramos no albergue o resto da tropa de elite. Dois deles já tinham ido embora e voltaram, a Theresa Cruise e o Gianlucca. Hoje vamos jantar todos juntos.

jantar no albergue Santiago de Compostela

jantar no albergue Santiago de Compostela

 

Day After

No dia anterior eu tinha pensado que um filme americano sobre minha peregrinação não poderia terminar daquele jeito, em Monte de Gozo, em meio a uma tormenta.

Bem, ontem o dia foi ótimo, mas para encerrar, só mesmo com um jantar no restaurante do albergue, onde quase todos os “atores” deste fime participaram: a tropa de elite toda, o casal simpático, o casal José (colombiano) e a Petea (búlgara). Todos comeram pasta (não de dente) e beberam 7 garrafas de vinho. Esse sim foi o verdadeiro final de filme americano.

Como o filme acabou, o dia amanheceu hoje chovendo e com frio. Theresa e Gianlucca se foram, e eu fui rever a missa do peregrino na Catedral (uau, 2 missas em 2 dias!!!). Claro que não teve a mesma emoção de ontem.

Aliás, meu encontro com o José ontem não foi apenas coincidência. Ele chegou à Santiago no domingo, dia da tormenta. Foi pegar a compostelana dele, e perdeu a chave da bicicleta. Não conseguiu destrancá-la, e foi para casa. Voltou no dia seguinte com um serrote, e quando foi serrar o cadeado, percebeu que minha bicicleta estava estacionada ao lado da dele. Eu não reconheci a dele, mas ele reconheceu a minha. Por isso decidiu me procurar na catedral. Outro motivo é que domingo é o dia mais cheio para a missa, e ele não conseguiu assistir à missa.

 

Bem, cada um com seu caminho diferente, tem gente que começa o caminho em León, em Ponferrada, no Cebreiro, etc. Não tem diferença, eu mesmo que comecei em Roncesvalles (quase 800 kms) não fiz o primeiro trecho(de Saint Jean Pied du Port, na França, até Roncesvalles). É uma tremenda subida, não se recomenda fazer de bike (o melhor é deixar a bike em Roncesvalles e fazer à pé). A partir de Ponferrada fica claro que o número de peregrinos aumenta muito. Porém, como já disse antes, é um esforço enorme, e respeito todos que fazem. Inclusive aqui em Santiago vi muita gente que fez o caminho português.

Sobre a Espanha, posso dizer 2 coisas. Uma é que o espanhol pode ser em geral muito simpático e atencioso em cidades pequenas, e muito grosso e mal educado em cidades maiores. Esta foi a minha experiência. Outra coisa que me surpreendeu é a quantidade de lixo pelo caminho. O caminho é super bem sinalizado, com vários locais construídos para descanso, e lanches, todos com latas de lixo. O problema é a coleta deste lixo, pois invariavelmente estavam transbordando, e com muito lixo em volta. Nos bares a mesma coisa, parece que limpam o balcão e o chão só no final do expediente (o episódio do José jogando a garrafa de plástico montanha abaixo é ilustrativo).

Quanto à segurança, posso dizer que não tive nem ouvi falar de nenhum problema de roubo ou furto em todo o caminho. Só para registrar, quando já estava saindo do albergue de Burgos, decidi dar uma última passada no banheiro. De lá saí do albergue, e percebi que faltava o Fanuel (Manuel com F). Voltei para dentro do albergue, e perguntei à ele se estava tudo OK, ele disse que sim. Quando saia de novo, vi uma pochete igual à minha no balcão da recepção, que estava vazia. Aí eu me dei conta que era a MINHA pochete, com o passaporte e todo o meu dinheiro. Eu a tinha esquecido no banheiro, e um casal alemão achou-a e colocou-a ali. Qualquer um poderia ter pego. Se não volto para o albergue para checar o Fanuel, não sei o que teria sido da viagem.

De novo sobre o caminho, só se perde quem quer. Fala isso quem se perdeu 3 vezes nos primeiros 4 dias. O fato é que se você não vê uma seta amarela em 500 metros, pode voltar, pois errou de direção. Ou a seta amarela, ou a concha, que é o símbolo do caminho.

Sinalização no caminho

Sinalização no caminho

É claro que não esperava encontrar em Santiago um monge me esperando com todas as respostas para meus questionamentos. Mas no caminho, além de termos tempo para refletir, tudo o que a gente vê, os peregrinos, os locais, etc nos fazer pensar muito se devemos e podemos melhorarmos. Não me lembro do livro do Paulo Coelho, acho até que vou relê-lo quando voltar, por curiosidade. Mas não houve qualquer influência na minha peregrinação. É interessante ver o quanto cada um desejou e programou fazer esta peregrinação, eu que decidi em cima da hora fico até sem jeito, mas acho que não perde o valor.

Agora que chegou a hora de encerrar a viagem, agradeço à todos que acompanharam, mandaram comentários ou e-mails, pois isso foi um fator motivador para me fazer pensar antes de escrever, e também de saber que não estava sozinho. Até este momento foram 553 visitas ao blog, um número inimaginável para mim antes começar a escrevê-lo. Quando voltar vou fazer um resumo geral, e colocar um link com as fotos. Fica aqui apenas um até breve!

 

 
 

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Santiago de Compostela – capítulo 5

Dia 10

A noite de ontem foi ótima, jantei com o José e 2 espanhóis (pai e filho) que estão o acompanhando. Foi um papo ótimo. No quarto do albergue em que fiquei, estava a tropa de elite. Dormi feito um anjo, das 10 da noite até as 8:30 da manhã. Foi a melhor noite, fez frio mas estava ótimo.

Saímos hoje às 9:30. Chequei a previsão do tempo, que dizia que ia chover hoje já em Santiago, estávamos a 130 kms, portanto resolvemos seguir. A tropa de elite estava com pressa, e decidiu chegar em Santigo amanhã, portanto já me despedi deles antes da partida. O José disse que ia chegar amanhã à noite, portanto disse à ele que não iria até o final. De qualquer forma, pedalamos juntos por 40 kms hoje, até Portomarin. Como minha média tinha sido de quase 70 kms/dia, achei que 40 kms fosse ser fácil. Ninguém tinha me falado que este trecho é um verdadeiro turismo rural. Parecia que estava no interior de Minas. Passamos por dentro de várias fazendas, literalmente, as vilas com estrume da vaca no chão, subimos e descemos morros, sempre com terreno de terra ou pedra, ou os 2. Foi realmente difícil, e parei as 4 da tarde com as pernas cansadas (psicologicamente mais cansado que ontem, pois ontem depois da subida do Cebreiro foi só descida e hoje teve muita subida difícil). O José seguiu, e nos despedimos de vez.

 turismo rural

turismo rural

 

Foi muito bom ter passado este tempo com ele. Eu sei que troquei meu plano original (estou 3 dias adiantado) pela oportunidade de ter a companhia dele, e a companhia da tropa de elite. Foi cômodo saber que tinha gente para me ajudar em alguma dificuldade (quando furou meu pneu, por exemplo), e ter com quem compartilhar. Especialmente com ele, que é um cara especial. Hoje almoçamos juntos, um belo prato de polvo à Galega e mais vinho tinto. Bem, botamos o papo em dia, disse à ele que ele já está famoso no Brasil, que pode ir para lá sem a minha presença, que várias pessoas poderiam acolhê-lo. Mas só um detalhe, ele não é este santo todo. Ontem na subida do Cebreiro, quase caí para trás quando ele terminou de beber uma garrafa de Gatorade e a atirou encosta abaixo.

Passamos pela marca do Km 100 para a chegada. Ela é muito visada, pois é no mínimo dali que os peregrinos caminhantes têm que partir para conseguir o certificado em Santiago de Compostela.

km 100

km 100

Fiquei sozinho em Portomarin, uma cidadezinha simpática, que era à beira de um rio. Mas resolveram demolir tudo, e reconstruí-la no alto do morro por conta das enchentes frequentes. Ao final da tarde o casal simpático (Zé Paulo e Márcia) apareceu, e vamos jantar juntos. Amanhã pretendo ir bem devagar (de verdade), e pedalar pouco. Vamos ver! Faltam 92 kms para chegar, e agora não quero chegar tão rápido. O objetivo é fazer o caminho, e não chegar. Vou aproveitar para conversar mais com os outros peregrinos, pois todos tem motivos e histórias especiais.

entrada Portomarin - tem que carregar a bike

entrada Portomarin – tem que carregar a bike

Dia 11

Ontem conheci vários brasileiros na cidade, 5 estavam no meu quarto do albergue. Jantei com 3 brasileiras coroas paulistas, meio peruas, foi divertido, depois chegou o casal simpático. Achei que ia perder a hora e voltei correndo para o albergue. Realmente foi o pior albergue da viagem. Meu quarto estava cheio, e tinha um cavalheiro do apocalipse que roncava a 180 decibéis. O vizinho dele levou o colchão para o corredor, pois não aguentou o barulho. Com meus protetores de ouvido, consegui dormir sem problemas. Aliás, dentro do meu saco de dormir, bem quentinho, com protetor de ouvidos e de olhos, sempre durmo bem.

Hoje saí mais tarde, às 9 da manhã. De novo foi estilo turismo rural, subidas e descidas no meio de florestas e fazendas, muito duro para pedalar. Essa parte da Galícia é muito bonita, com muito verde, apesar das cidades serem absolutamente desinteressantes, principalmente se comparado com Navarra (a região do início, onde fica Pamplona). Cheguei à Melide (38 kms) às 13:45, estava pedalando com o Diego, um espanhol gente boa. Fui carimbar minha credencial de peregrino no albergue de lá, e deu vontade de ficar, pois este era novinho, e estava vazio. Bem, ele me perguntou se eu estava com pressa, eu disse que não, então ele disse que estava me convidando para conhecer o Polvo à Galega (o mesmo que comi com o José ontem). Não pude recusar. Ficamos 2 horas no restaurante, almoçando, tomando uma garrafa de vinho e depois uma espécie de cachaça espanhola. Deu vontade de ir para o albergue e tombar lá mesmo, porém pedalamos mais 15 kms, até Arzúa. Chegamos lá às 5 da tarde, com o início da chuva. Resolvi ficar e ele foi embora.

peregrinos

peregrinos

Faltam 38 kms para chegar em Santiago, se tudo correr bem chego amanhã. Falo isso pois a previsão do tempo é que amanhã vai chover muito forte. Aliás, a previsão é de chuva toda a semana. Ainda bem que o weather channel tem errado bastante. Estava prevista chuva desde ontem e não aconteceu. O albergue que estou é incrível, novinho, limpinho, a além de tudo isso, só tem eu hospedado aqui. Caraca, o que tem de errado nesta história?

Tenho lido todos os comentários, os construtivos e os metidos a engraçadinhos. Não respondi por falta de tempo, e também por que digitar piora minhas costas sensivelmente.

Voltando a falar da bike, nesta região da Galícia, fica muito mais difícil encontrar tempo para pensar, pois o tempo todo estou atento à mudança de terreno, de inclinação, às vezes uma descida desemboca em uma subida. A mudança de marchas tem que ser rápida, às vezes simplesmente não dá tempo. Isso quando esqueço em que marcha eu estou, e mudo a marcha da maneira errada. Bem, 38 kms em 3 dias, agora posso ir me arrastando, então já posso dizer que a bike não me deixou na mão. Parabéns para ela!!!

Com relação à credencial de peregrino, nada mais é que uma caderneta onde vamos carimbando em toda as vilas que queremos e podemos, e com ela ganhamos o diploma de peregrino quando chegarmos à Santiago.

Dia 12

Ontem foi a melhor noite da viagem. No que concerne ao meu sono, é claro. Chegaram mais 10 pessoas no albergue, mas ninguém no meu quarto. Choveu para caramba, finalmente caiu a chuva que a internet disse que ia cair desde ontem. Não deu nem para sair para jantar. Mas um casal que nos acompanha fazem uns 6 dias estava cozinhando, e me convidaram para o rango. Um colombiano casado com uma búlgara, só no caminho mesmo para uma combinação dessas. Resumo, fui dormir antes das 11 e acordei às 9 e 45. Botei meu sono em dia. Sozinho no quarto, dentro do meu saco de dormir quentinho, e ainda com barulho de chuva…

Bem, o problema é que a chuva não parou de cair. De manhã ela continuava, com um vento danado, e deu vontade de ficar, já que tenho 3 dias ainda. No entanto, a galera que estava no albergue resolveu seguir em frente, e afinal de contas o verdadeiro peregrino tem que sofrer, não é mesmo?

Vi na internet que o tempo não vai abrir mesmo nos próximos dias, então resolvi encarar. Afinal, seriam só 34 kms até Monte do Gozo. Sei que o nome é sugestivo, mas é que fica em cima de um monte, de onde em condições normais dá para ver Santiago de Compostela. Fica à 4 kms de Santiago.

Saí às 11:15, e logo voltei ao turismo rural. Mas estava simplesmente impossível de pedalar com tanta lama, subidas e descidas. A galera com pneu de cross fez a festa, mas o trouxa aqui só atolava. Decidi então pegar a estrada, literalmente. Muita chuva, vento e frio, e eu sorrindo, em direção a Santiago. A 10 kms de Santiago bateu um sentimento de culpa, e voltei para trilha, e sofri um bocado até chegar a Monte do Gozo. Foram 3 horas para 34 kms. mais um dia de sofrimento. Pelo menos acaba amanhã, acho que vou ficar uns 2 anos sem pedalar (hehehe).

Dilúvio!!

Dilúvio!!

O albergue de Monte do Gozo é preparado para a chegada de tantos peregrinos. Eles chegam normalmente na parte da tarde, dormem aqui, e no dia seguinte de manhã chegam à Santiago para a missa do peregrino, às 12. Ele tem 800 camas, parece um alojamento de universidade. Ficamos em um quarto com 8 camas, só nós, eu, o Zé Paulo e a Márcia, que por coincidência chegaram juntos comigo aqui. Foi ótimo tê-los encontrado, são super legais, ótimas companhias. Já reservamos um hotel em Santiago para amanhã, não pretendemos ficar por aqui.

jantar no albergue Monte do Gozo - Zé Palo, Márcia, o colombiano e a búlgara

jantar no albergue Monte do Gozo – Zé Palo, Márcia, o colombiano e a búlgara

 

O objetivo inicial deste blog era somente dar notícias com frequência, mas logo vi pela quantidade inesperada de acessos, que a minha responsabilidade tinha aumentado. Por isso o tenho atualizado diariamente, com uns comentários sobre um ou outro assunto. Pena não ter mais tempo para escrever, mas prometo no final fazer um resumo de tudo.

Até amanhã, o grande dia da chegada.

 

 
 

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Santiago de Compostela – capítulo 4

Dia 7

Hoje saímos mais tarde, às 9 da manhã, estava frio, mas nem tanto quanto ontem. Infelizmente esta área da Espanha é muito plana, e para pedalar é meio chata, pois as retas são intermináveis. Imagina para os caminhantes. Aliás, é uma relação complicada entre os caminhantes e os ciclistas. Eles (os caminhantes) acham que nós somos enganadores, pois para eles é muito mais fácil fazer o caminho de bicicleta. É como comparar banana com laranja, totalmente diferente. Mas a impressão que temos é que eles a qualquer momento vão nos atacar com seus cajados. O fato é que respeito muito quem faz a pé, pois não deve ser fácil andar quilômetros à fio com a mesma paisagem. Veja agora que já passamos da metade do caminho como eles sofrem, com bolhas e mais bolhas nos pés, carregando mochilas invariavelmente com mais de 10 kgs. Acho que eu não conseguiria.

Caminho plano

Caminho plano

Bem, vencemos os 38 kms até León em 2 horas e meia, e lá chegando  encontrei o primeiro peregrino à cavalo.

peregrino com cavalo

peregrino com cavalo

Depois fui direto visitar a Catedral, a Plaza Mayor, a Igrejá de San Isidro e a Igraje de San Marcos. Lindíssimos. Vale à pena. Fiquei lá 2 horas e meia, mas decidi seguir em frente, pois não fazia sentido ficar lá sozinho. Encontrei o José de novo, batemos um rápido papo, e ele se foi, pois estava na minha frente, como sempre.

Catedral de Léon

Catedral de Léon

Léon

Léon

O caminho depois de León é também plano, com cidades feias, que não valem a pena, portanto avançamos bastante, até Hospital de Orbigo. Foram 73 kms hoje. A verdade é que só faltam 270 kms para Santiago. Fiz 480 kms em 7 dias, quase 70 por dia. Com essa média, chego à Santiago em mais 4 dias (e tenho mais 7). Porém, há 2 atenuantes nesta conta. A primeira é que vêm 2 montanhas pela frente, a Cruz de Fierro (amanhã), e o Cebreiro (o mais temido de todos) depois de amanhã. Além disso, a previsão do tempo é que vai começar a chover na sexta (daqui à 3 dias) por 6 dias, portanto talvez use minha gordura nesses dias. Depois do Cebreiro, faltarão somente 152 kms. À ver.

A tropa de elite continua de pé, agora com a presença do Zé Paulo e da Márcia, que também estão no nosso albergue hoje, e jantaram conosco. Foi muito legal. Fez um dia lindíssimo, de manhã com muito frio para os ciclistas, pois com a velocidade, o vento aumenta a sensação de frio. À tarde esquentou um pouco.

galera no albergue Hospital de Órbigo

galera no albergue Hospital de Órbigo

O albergue em que estamos tem um astral ótimo, é o melhor até agora. Amanhã tem mais 70 kms, com uma subida braba e descida idem. Mas todos estão confiantes. A dor nas costas continua, mas dá para seguir em frente.

Dia 8

Hoje saímos cedo, as 8:30. Estava frio, o segundo dia mais frio. Dá para medir pela intensidade do congelamento dos dedos, mas já sabendo que ia esquentar, já saí de bermuda. Dito e feito, em 1 hora já tinha esquentado. Cheguei em Astorga, uma cidade bem bonita, com uma catedral estilo gótico e um palácio de Gaudí, lindíssimo. De lá foi só morro acima. Saímos de 860 metros para 1.490 metros, onde fica a famosa Cruz de Ferro. Era um antigo local de observação, onde hoje as pessoas jogam pedras, ou deixam alguma coisa pessoal e fazem pedidos (deixam roupas, sapatos, capacetes, bichos de pelúcia, bilhetes, etc.).

Palácio de Gaudi Astorga

Palácio de Gaudi Astorga

parada para um lanchinho em Rabanal del Camiño

parada para um lanchinho em Rabanal del Camiño

Cruz de Fierro

Cruz de Fierro

 

De lá, descemos 1.000 metros.  Aliás, a subida foi dose, fui pelo caminho, foi a segunda mais difícil depois daquela na saída de Pamplona (Alto del Perdon). Passamos por Molinaseca, cidade pequena com uma ponte medieval linda, depois por Ponferrada. onde pretendíamos dormir. Já tínhamos pedalado 71 kms, e para mim chegava. Mas todos resolveram ir até Cacabelos, pois ficaria mais perto do Cebreiro (A Besta). Portanto, foram 86 kms, recorde da viagem. Estou quebrado, mas amanhã pretendo dormir lá em cima. Vão faltar somente 152 kms para 5 dias, estou bem adiantado. Mas sexta deve comecar a chuva, vamos ver o que vai acontecer. Até o José estava aqui hoje. Jantamos todos juntos, só o casal simpático (Zé Paulo e Márcia) que ficou para trás.

ponte Molinaseca

ponte Molinaseca

castelo Ponferrada

castelo Ponferrada

Eu sei que estou reclamando de ir muito rápido, e hoje fiz muito mais ainda do que havia feito, mas só o fiz porque a previsão de chuva é constante, e aí vai prejudicar muito o passeio. Aí terei minha oportunidade de descansar as pernas, que estão cansadas. As costas estão doendo, mas estou aguentando, afinal de contas, peregrino tem que sofrer.

Pernoitamos em um albergue que fica ao redor de uma igreja, bem interessante. Quando voltar ao Brasil, vou descarregar as fotos, e vai dar para ter uma ideia melhor de tudo o que estou descrevendo.

Agora entrei em outra fase do caminho, com mais variação de paisagem. Antes parecia que estava na Ladeira do Amendoim, em Belo Horizonte, onde você pensa que a descida é para um lado, mas na verdade é para o outro. Tem lugar aqui que só dá para saber se estamos subindo ou descendo pela força que a perna faz, pois a paisagem engana. Mas amanhã não vai ter erro, só vai ter subida, serão mais de 900 metros. Até lá!!

Dia 9

Hoje mais um dia que começou cedo. Acordei às 7, e às 8 e 15 estava na estrada. A ideia de esticar um pouco mais ontem foi ótima, pois o trecho até Vega de Valcarze foi só de 26 kms, em vez de 41. Passamos por um povoado perto de Cacabelos muito bonito (Villafranca de Bierzo), com um castelo e igreja belíssimos. Fui à uma loja de bikes, pois descobri ontem que meu freio traseiro tinha ido para o espaço. O dianteiro está tão bom, que não fez diferença na descida. Comprei uma nova bomba de ar e consertei o freio, agora os 2 estão tinindo.

Encontrei o José (de novo) nesta cidade e fomos pedalando juntos, papeando, deixei a tropa de elite disparar na frente como sempre. Chegamos à Vega de Valcarze ao meio dia, fui no albergue brasileiro, mas o Bira estava super ocupado com a limpeza, e não deu muita atenção. Não importou, almoçamos e fomos encarar a Besta.

Com José em Villafranca del Bierzo

Com José em Villafranca del Bierzo

albergue Brasil Vega de Valcarze

albergue Brasil Vega de Valcarze

A subida do Cebreiro nada mais é do que uma subida ao Cristo Redentor turbinada, pois é mais alto, e mais inclinado. Realmente é difícil, tive que ir de primeira marcha (ainda bem que consertei) quase o tempo todo. Mas para as bikes, a pista é de asfalto, portanto não assusta muito. Para os caminhantes é uma trilha horrorosa, e por isso as bikes não vão por lá. O Cebreiro fica à 1330 metros de altitude. A subida é em meio à uma floresta, a paisagem é mais bonita e agradável. Lá em cima é um charme, toda de pedra, com uma vista incrível, e realmente resolvi ficar.

subida Cebreiro

subida Cebreiro

O Cebreiro - venci a Besta!

O Cebreiro – venci a Besta!

Cebrero - charmosa

Cebrero – charmosa

 

O problema é que o albergue só aceita ciclistas depois das 7 da noite, e eram 3 horas. Não ia arriscar ficar sem cama a essa hora da noite. Liguei para a Ibéria, e todos os voos estão cheios, portanto terei que ser peregrino até o final. Desta forma, decidi descer até Tricastela, e hoje pedalei em torno de 65 kms. Só faltam 130 kms em 5 dias, desta forma eu poderia ir empurrando a minha bike, que ainda chegaria à Santiago antes do previsto.

Se o tempo não fechar, posso chegar à Santiago antes, e esticar até Finisterra, na praia (é o que muitos fazem). Mas se estiver chovendo, vou aproveitar e ir devagar até Santiago, descansar o corpo (e a bike).

Por falar nela, todo dia acordo e faço um carinho nela, pois tenho que reconhecer que estou usando e abusando da coitada. Ela não foi feita para este “passeio”, e tá dando conta direitinho. Não posso reclamar dos pequenos problemas que tive com ela, foram poucos. Só o uruguaio que conhecemos ontem no albergue teve 3 pneus furados no mesmo dia. Hoje mesmo o Gianlucca furou o dele pela segunda vez (eu só tive 1 até agora).

A rotina diária é basicamente a mesma. Acordar, vestir o uniforme, fechar os alforjes, carregar a bike, comer um pouco e sair. Quando chego aos albergues (são só para peregrinos, o que é bom), tomo banho, lavo a roupa, e vou procurar lugar para comer e atualizar o blog, não necessariamente nesta ordem. Agora por exemplo vou comer.

Quanto ao corpo, as pernas estão pedindo repouso, mas continuam dando conta. Ontem e hoje foram bons exemplos, aguentaram bem as subidas. Os treinos na Vista Chinesa foram super úteis. O Hipoglós espanhol fez o seu papel, e agora está tudo estabilizado. E quanto às costas, bem, os peregrinos têm que sofrer, portanto vou até o final.

 
 

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Santiago de Compostela – capítulo 3

Dia 4

Depois que escrevi o blog de ontem, fui conhecer melhor a cidade. Ela tem 136 habitantes, isso mesmo 136, parece uma cidade fantasma. Mas foi uma noite legal. Bom jantar no albergue e depois uns copos de vinho no único bar das redondezas. Quase 40% da cidade estava lá (contando com o barman, é claro).

A noite foi outra história interessante. No meu quarto estavam umas 10 pessoas, dormi logo, mas também acordei com uma verdadeira orquestra. Vários roncadores, cada um com seu estilo, timbre e ritmo. Se tivesse um ambulante espanhol vendendo protetor de ouvidos, pagaria o quanto ele pedisse. Aí me lembrei que a Monica tinha comprado um par, só faltava achá-lo. Levei minha bagagem toda para o banheiro e achei-o. Bem, da Noite das Trevas, imediatamente passei a uma Noite Perfeita, com um silêncio maravilhoso. Que durou pouco, pois um dos Cavalheiros do Apocalipse conseguiu roncar tão alto, que ainda dava para ouvi-lo.

Hoje a pedalada foi complicada. Muita subida, com terra e pedra, várias vezes tive que carregar a bike, e no meio de uma subida, e em uma floresta, começou a chover, ventar e fazer um superfrio. Tudo ao mesmo tempo. O que eu fiz? Comecei a sorrir, pois afinal foi para isso que eu vim, não foi? Bem, passamos por San Juan Ortega, no alto do morro (para variar), e lá há um monastério lindo. A descida foi com chuva e frio, e assim fui até Burgos.

Caminho

Caminho

San Juan Ortega

San Juan Ortega

Catedral de Burgos

Catedral de Burgos

Acabei de chegar em um albergue enorme, super bem equipado, de primeiro mundo. Dá vontade de ficar uns 3 dias aqui. Vou sair agora para visitar a lindíssima catedral, e aproveitar um pouco a cidade. Minha bagagem foi quase que milimetricamente calculada. Dos ciclistas que tenho visto, eu sou o que leva menos peso. E por enquanto não senti falta de nada (exceto do Hipoglós). Vamos ver como vai ser daqui para a frente.

Ontem já tinha chovido um pouco, mas nada como hoje. Minha proteção da bagagem com um plástico de guardar edredom funcionou perfeitamente. Não molhou nada.

Quanto ao rango, minhas opções de café da manhã são

1 – iogurte, água, biscoitos, chocolate, bananas e sanduíche de presunto de presunto de Parma

Para o almoço, ver o item 1.

Para o lanche da manhã e o da tarde, ver o item 1.

Para o jantar, sempre há um restaurante com Menu de Peregrinos. Uma entrada (para mim sempre é massa), uma carne com batatas, pão, vinho e água, tudo isso sai por mais ou menos 10 euros. Agora tem que ser peregrino de verdade, não adianta chegar com um cajado ou um capacete fedorento. É bom pois a refeição tem muitas calorias, e é disso que eu preciso.

Eu já tinha vindo a Burgos em 1984, e claro que já tinha esquecido de tudo. Mas lembrava que era muito bonito. É na verdade muito mais que bonito, é um espetáculo. A catedral é no estilo gótico, por dentro dá vontade de babar, de tanta coisa para ver, tantos detalhes. As ruas cheias de gente, hoje é sábado, e o povo todo está na rua. A Plaza Mayor também é linda, valeu a pena dar esta visitada, pois nas outras cidades turísticas (Pamplona e Logroño) não tive tempo assim. Das cidades médias ou grandes ainda faltam Leon e Santiago, claro.

 

Hoje foram 64 kms. Já pedalei uns 265 kms desde o início (fora os trechos onde me perco, e tenho que voltar, estes não contam, quem manda se perder…). Já cumpri mais de um terço do caminho, em 4 dias. Vou fazer em 14 dias, pois o último será só a chegada a Santiago. Mesmo assim estou adiantado, portanto agora quero diminuir minha média diária (até porque minhas costas não estão dando conta, vou tomar um remédio para dor agora).

Dia 5

Saí de Burgos às 8 da manhã, pois fomos “expulsos” do albergue (ele simplesmente fecha). Estava um frio danado, mas tivemos que ir embora mesmo assim. O dia parecia que seria tranquilo, sem aquelas intermináveis sequências de subidas e descidas. Ao meio dia chegamos em Castrojeriz, uma verdadeira cidade fantasma. Não havia ninguém na rua, nenhuma loja aberta, nada. Acho que eu poderia ficar pelado na praça principal e nada aconteceria. Aliás, este é um problema grave das cidades pequenas na Espanha, a população tem diminuindo muito, os jovens vão embora, e só sobram os velhos.

Vista de Castrojeriz

Vista de Castrojeriz

Atenção na descida!

Atenção na descida!

Depois de Castrojeriz, havia uma subida insana de um morro, de uns 200 metros de diferença de altitude, mas que matou todo mundo. Pior foi a descida, que também era bem íngreme, e foi a morte para os trouxas que tinham bicicleta com pneu liso e ainda bagagem (eu). Resultado, caí 2 vezes da bicicleta, por não conseguir controlá-la.

Para terminar, o meu pesadelo número 2 aconteceu. Furou o pneu traseiro. Tive que tirar a roda para trocá-lo, para isso retirei toda a bagagem. Isso no meio do nada, se meus amigos não estivessem comigo, teria sido um sufoco maior. Isso sem falar que descobri que minha bobinha de encher o pneu tinha se quebrado no primeiro dia, e a Theresa me salvou, emprestando-me a dela.

Puente Fitero

Puente Fitero

Aliás, a tropa de elite continua junta. Eu, a Tom Crise, o Fanuel (isso mesmo, Manuel com F) e o Gianlucca. Nós pedalamos alguns trechos juntos somente. Normalmente marcamos de nos encontrar em alguma cidade no caminho, ao longo do dia, e temos dormido nos mesmos albergues desde Puente la Reina. Por um lado é bom saber que tenho companhia quando quero, e a possibilidade de ajuda. Por outro, sei que não temos muita afinidade, pela diferença de idade. Eu sou mais um “Tiozão” para eles. Só na hora das subidas é que eles me respeitam, pois todos ficam para trás.

Chegamos a uma cidade chamada Villamentero de Campos. Para resumir, a cidade tem 13 habitantes, há o albergue e mais meia dúzia de casas. Ficamos em um albergue meio hippie, mas foi bom. E nada do José.

albergue Villarmentero de Campos

albergue Villarmentero de Campos

Hoje pedalei 68 kms, mais do que o planejado de novo.

Aliás, antes de partir, cometi um erro de planejamento básico, errei as contas, e adicionei um dia no meu quadro, isto é, além de estar adiantado, terei 1 dia sobrando no final. Espero que possa ser útil se surgir alguma emergência.

Dia 6

Acordamos mais tarde, aliás foi a primeira noite decente de sono da viagem. A temperatura às 9 horas estava em 3 graus, a bicicleta da Theresa tinha uma capa de gelo por cima. Foi assim que partimos. Um frio de rachar, tive que colocar toda a roupa de frio que tinha. Meus dedos estavam congelando, minha careca também. Quando pensei que ia sorrir de novo pela dificuldade, não consegui, pois meu queixo e a minha boca também estavam congelados. Paramos para um café na primeira cidade que vimos, e conheci um casal de brasileiros ciclistas, o José e a Márcia. Batemos um papo, e fui para o café. De repente passa o José, espanhol, de bike. Saí correndo do bar e gritei para ele. O danado tinha dormido lá, isto é, já estava mais avançado do que nós.

Não preciso nem dizer que passei o dia com ele. Hoje foi um dia mais fácil, já que praticamente todo o trecho era plano. O ruim foi a dor nas costas, pelo fato de não ter amortecedor, todo o impacto de passar por qualquer buraco vai para as costas, Já tomei remédio para a dor, fiz tudo para melhorar.

José em Ledigos

José em Ledigos

Chegamos à um povoado que se chama El Burgo Ranero. Foram 73 kms, de novo mais que o planejado. O José ia pedalar mais 20 kms, pois era cedo ainda. Não deu. Me despedi dele decentemente, trocamos telefones e e-mails, e decidi ficar com a tropa de elite e o casal simpático de brasileiros. Aliás, jantamos juntos e foi um ótimo papo.

Amanhã devo decidir se fico em Leon ou não, pois é uma cidade que vale à pena visitar, mas estou somente à 38 kms dela.

 
 

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Santiago de Compostela – capítulo 2

A viagem

Não consegui antecipar o voo, cheguei em Pamplona em cima da hora 2 minutos antes do ônibus para Roncesvalles partir. Tive que levar o malabike comigo. O ônibus parecia o Expresso dos Peregrinos. Se fosse uma corrida, eu seria franco favorito na minha faixa etária (de 45 a 54 anos), pois só tinha eu. 70% era de garotões, e o resto de coroas andarilhos.

Chegando lá, fui montar a bike, e na pressa, achei que tinha feito tudo certo. Já estava quase escuro, e não dava pra ver muita coisa com detalhes. Que ilusão, o futuro me aguardava com uma surpresa. Roncesvalles tem um monastério lindíssimo, e é onde os peregrinos se hospedam. Menos os ciclistas, que ficam em um estacionamento um pouco longe, dentro de uns containers. Tem container quarto, container banheiro, e até banheiro depósito de bikes. À noite fez 3 graus, e pela excitação, não consegui dormir. Bem faz parte.

Dia 1

Saí cedo de Roncesvalles, fazia 3 graus pela manhã também. Para minha surpresa, a bike estava com vários problemas de montagem, e após 10 km de caminho, tive que retornar para a estrada asfaltada, pois vi que não ia conseguir ir pelo caminho, minha corrente saia toda a hora, e meu frei não estava bom.

Mosteiro de Roncesvalles

Mosteiro de Roncesvalles

Vamos que falta pouco!

Vamos que falta pouco!

 

Fiz até Pamplona em 3 horas e meia (48km), e fui direto para o correio, despachar meu mala bike para Santiago. Depois de me livrar deste peso morto (3,2 quilos), procurei uma loja de bicicleta para consertá-la. Mas só achei uma às 13:25, 5 minutos antes de fechar para o almoço, portanto o cara só teve tempo de consertar o freio, e colocar a roda traseira no lugar certo. Faltava consertar a marcha, mas ficou para a próxima, pois fiquei sem a primeira marcha (parecia o Senna).

O trecho de Pamplona até Ponte la Reina parecia fácil no papel, apenas 24 km. O problema é que tinha uma subida brabíssima, e o caminho era de pedras. Tive que empurrar a bike várias vezes. Lá em cima fica o Alto do Perdão, com uma vista belíssima. Depois, só descida até Puente la Reina. Cheguei exausto. Conheci um espanhol e 2 italianos no caminho, jantamos juntos, e amanhã pretendemos partir juntos pela manhã. No caminho é assim, você faz planos, mas depois tudo muda.

Caminho depois de Pamplona

Caminho depois de Pamplona

Alto do Perdão

Alto do Perdão

Puente la Reina

Puente la Reina

 

Pelo menos fez tempo bom hoje, e amanhã parece que vai fazer também.

Dia 2

Bem, o primeiro dia me ensinou algumas lições. Uma delas é que o caminho não se chama caminho por acaso. Ele foi feito para caminhantes, e não para ciclistas. Principalmente aqueles trouxas que se aventuram a fazer o caminho original com pneus lisos, e sem suspensão na bike. O caminho original é mais de 80% de terra ou pedras, ou terra com pedras. Muitas subidas e descidas, o problema é que as descidas acabam rápido, e a impressão que tenho é que só sobram as subidas.

Outra coisa é que recebi uma notícia muito triste, perdi uma pessoa muito querida no Brasil, e isso me deixou para baixo. Foi uma mistura de sentimentos, além disso, as dores nas pernas também me causaram bastante desconforto. Por outro lado, estar aqui e me tocar do que o caminho representa para as pessoas que o fazem me dá mais responsabilidade. Se fosse para pedalar 800 km somente, bastaria pegar minha bike, e por 15 dias dar 7 ou 8 voltas por dia em torno da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio.

Quem quer fazer o caminho pelas estradas de asfalto consegue, mas realmente não deve ter o mesmo significado. Às vezes estou pedalando em uma estrada de terra cheia de pedras, e em paralelo vejo outra estrada, com asfalto perfeito. Dá aquela vontade, já que não há ninguém me vigiando, mas eu só usarei a estrada asfaltada se houver uma necessidade.

Bem, de Puente la Reina iniciei o dia pedalando com meu amigo José, um espanhol de 63 anos que conheci na véspera. Ele já tinha feito o caminho, e é um autêntico guerreiro, pois me acompanhava direto, menos nas subidas. Mas dava gosto de esperar por ele, já que ele tem um super alto astral, muita cultura e conhecimento, e assim tivemos ótimos papos.

O diabo é que os espanhóis decidiram construir todas as vilas no alto dos morros, e por isso para chegar em qualquer uma delas é preciso subir uma pirambeira .Passamos por vários vilarejos,e em um deles tem uma bodega para os peregrinos, que serve vinho de graça.

Estella

Estella

Bodegas Irache

Bodegas Irache

Já à tarde, o José me disse para não esperá-lo, pois ele ia descansar por mais de meia hora. Ele foi tão enfático, que eu obedeci, mas combinamos de nos encontrar em Logroño. Ainda faltavam 20 km.

Parada em Los Arcos para abastecimento

Parada em Los Arcos para abastecimento

O que não sabíamos é que nesta semana tem uma festa tipo carnaval em Logroño, e os albergues públicos e particulares e hotéis estavam todos cheios. Não nos restou outra alternativa a não ser ficar no albergue paroquial. Incrível, ficamos num quarto enorme, cheio de colchonetes, em um prédio da igreja. Preço: donativo. Preço do jantar e café da manhã: donativo.

Albergue paroquial de Logroño

Albergue paroquial de Logroño

Bem, encontrei o Fanuel (é isso mesmo, não foi erro de digitação), o Gianlucca e a Theresa no albergue. Fanuel é um italiano de 33 anos com jeito de garotão, o Gianlucca tem 22 anos (tem idade para ser meu filho), também italiano, e a Teresa é uma austríaca que já está pedalando há mais de 4 meses, mais de 9.000 km pela Europa. Ela tem a cara do Tom Cruise (depois coloco uma foto dela para provar…).

Saímos à noite para jantar (fora, é claro), e vimos um pouco da festa, que pelo barulho que ouvíamos do quarto, durou até as 5 da matina. Parecia uma micareta. E acabou que o José sumiu, não sei nem se ele chegou à Logroño, ou se chegou e arrumou outro local para ficar. Uma pena, espero encontrá-lo mais à frente.

 

Dia 3

Hoje acordamos cedo, aliás fomos acordados cedo pelo pároco, às 7 da matina. Às 8 estávamos na estrada. Não foi um dia tão duro quanto ontem, mas até ontem o que estava me matando eram minhas pernas. Hoje minhas costas estão doendo tanto, que esqueci das pernas. Além disso, minha área reto furicular está em chamas, tive que comprar um Hipoglós espanhol, do contrário não vou aguentar até Santiago.

Minha bike piorou. Além da primeira matcha, que começou a fazer muita falta, as marchas não estavam passando direito. Parei em Nájera para procurar uma loja de bike, e acabei ficando mais de uma hora por lá. O cara descobriu que o mecânico de Pamplona não tinha recolocado a roda traseira direito, e tinha sido um perigo pedalar por 100Kms daquele jeito. Bem, considerando que ela tem 17 anos, e tem algumas pecas que já não estão dando conta, até que ele arrumou bem a bike. As marchas ainda não passam direito, mas agora posso usar todas. Sei que estou judiando do coitada, realmente ela não foi feita para isso. Não decidi se na volta eu faço mais uma revisão completa, ou a aposento por invalidez.

Igreja de Santo Domingo de la Calzada

Igreja de Santo Domingo de la Calzada

Fanuel, Gianluca, eu e Tom Cruise

Fanuel, Gianluca, Tom Cruise e eu

Pedalei 60 Kms até Redecillas del Camiño, onde só tem um albergue municipal, e funciona do mesmo jeito do último, isto é, por meio de donativos. Pelo menos os banheiros são razoavelmente limpos, e dá para tomar banho tranquilo. Encontrei os 2 italianos e a Tom Cruise várias vezes no caminho, às vezes pedalávamos juntos, mas sem compromisso. Acabou que todos eles estão aqui no albergue, e vamos jantar juntos.

 
 

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Santiago de Compostela – capítulo 1

Vou inserir a viagens em capítulos, esta é a primeira parte. Lembrem que foi escrito em setembro de 2010.

Introdução à minha aventura

Ainda faltam 26 dias para a viagem, mas minha vontade é que faltassem uns 3 ou 4, já que estou mentalmente preparado para partir. No entanto, devo admitir que ainda falta uma lista de providências à serem tomadas.

A principal delas é uma revisão completa da minha bike, pois ela vai ser a atriz principal desta aventura. Se ela brigar comigo, se zangar, ou cismar, eu estarei ferrado. Portanto tenho que tratá-la com carinho e assim o farei.

Além desta revisão, a lista do que vou levar é fundamental, já que a não ser que eu queira descartar algo pelo caminho, terei que carregar tudo que levar por todo o percurso. A lista se divide em 3 categorias : 1 – vestuário, 2 – ferramentas e peças de reposição da bike, 3 – itens pessoais e primeiros socorros.

No próximo texto vou tentar apresentar a lista com detalhes.

A viagem começará em Roncesvalles, na Espanha, e terminará obviamente em Santiago de Compostela. Serão 790 km, em 15 dias de pedaladas, com uma média de 50 km por dia. Levando em consideração que a maior parte do caminho não é asfaltado, que há muitas subidas, que eu terei que carregar toda a minha bagagem, e que o tempo pode ser um fator decisivo, essa média não me parece tão fácil assim. Porém, a ideia que tenho é que mesmo assim não terei problemas em superar esses obstáculos e concluir meu plano.

Essa peregrinação sempre tem um cunho espiritual, mas confesso que existem também fatores culturais, turísticos e esportivos envolvidos. Passarei por mais de 150 cidades/vilarejos, muitos deles medievais, campos, montanhas, etc. Encontrarei pessoas dos mais variados países, com variados objetivos, alguns vão ser amigáveis, outros nem vão querer papo, para não atrapalhar sua concentração. Enfim, o inesperado é o que me dá um frio na barriga, e o que me atrai neste passeio.

Falta 1 semana

Hoje é dia 13, falta somente 1 semana para a viagem. Minha expectativa é grande, e preferiria que faltasse 1 dia. Quanto aos preparativos, estou na reta final. Falta basicamente o exercício de desmontar e montar a bike, assim como de colocá-la no mala bike.

No mais é a incerteza se a bike vai chegar inteira lá em Pamplona, e se vai dar algum problema nela durante a viagem que eu não consiga resolver. Mas já resolvi que isso faz parte do script, esse frio na barriga faz parte do pacote todo.

No final da viagem vou fazer um resumo do que levar, com meus comentários (já que há na internet várias listas, e nós simplesmente temos que decidir o que é melhor para nós). No meu caso, decidi que quero ir o mais leve possível mesmo que isso signifique ter que fazer algumas compras por lá, afinal tenho que pedalar carregando tudo o que eu levar.

Quanto ao percurso, já o estudei várias vezes, não adianta mesmo programar onde pretendo dormir,  pois vai depender de algumas variáveis básicas, como minha condição física, o tempo e alternativas de locais. Bem, isso vou explicar melhor durante o percurso.

Pronto para a partida!

Véspera da viagem. Bike pronta, mala pronta. Não falta nada. Quanto à bike, revisão completa, troca de vários itens, está com cara de nova (apesar de ano que vem ela ter que se alistar no exército, pois fará 18 anos)

Bagagem :

1 – para pedalar :

2 bermudas

2 camisas

1 calça comprida

1 camisa de montanhista

1 casaco para esquentar

1 capa de chuva

3 pares de meias

tênis/sapatilha
boné
capacete
luvas

2 – outros itens vestuário

1 calça comprida tactel

1 bermuda

2 camisas

1 sunga

3 cuecas

1 sandália havaiana

3 – para a bike

câmara reserva

bomba encher pneu

kit conserto de câmara

kit chaves e ferramentas

bolsinha no guidão para carregar máquina fotográfica, carteira, chocolates, frutas, etc.

saco de dormir

4 – primeiros socorros e higiene pessoal (fica a critério de cada um)

É importante frisar que vou para Espanha, e não para o meio do mato. Terei acesso a qualquer coisa que precisar. A grande questão é ter que carregar tudo o que eu levar, por isso a óbvia limitação na bagagem.

Infelizmente não consegui fazer 2 coisas BÁSICAS : pedalar com o alforje com peso, e pedalar distâncias grandes (máximo 20 km). Estou acreditando no meu histórico de subidas à Vista Chinesa.

Uma coisa que está me preocupando é a logística da chegada, já que meu voo chega em Pamplona às 17:30 de terça. Eu tenho que despachar meu malabike para Santiago de Compostela. pois não vou precisar dele até lá, e não posso levá-lo comigo por motivos óbvios. O correio vai estar fechado, e tenho que ir para Roncesvalles (42 km) no mesmo dia, pois é de lá que o meu caminho começa. A solução (agradeço à minha amiga Leda que me inspirou a fazer esta viagem) é deixar o malabike num guarda volume, e no dia seguinte, quando estiver vindo de Roncesvalles e passar por Pamplona, aí eu despacho o malabike para Santiago.

Já vi a previsão do tempo, é de chuva nos 5 primeiros dias, com possibilidades de algumas aberturas. Nunca rezei tanto para o weather channel estar errado. mas se estiver correto, vou encarar, pois faz parte, e estarei preparado para encarar a chuva.

Bem, agora eu volto à escrever da Espanha.

 
 

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