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Category Archives: Ruanda

Ruanda – Um exemplo?

Eu tinha prometido que faria uma viagem de onibus nesta viagem que nao merecesse nenhum comentario, e de novo nao foi desta vez. Dia 6 a tarde, fomos ver o transporte para Kigali, a capital de Ruanda, e nos surpreendemos com um microonibus quase novo, e ficamos com agua na boca. Acordamos dia 7 cedo, e com o tempo nublado, e como tinha dito, resolvemos antecipar nossa ida para Kigali em 2 dias. Quando chegamos para pegar o microonibus, ele ja’ estava saindo, e me restou sentar no ultimo banco (na direcao do corredor), com uma mae e um bebe de colo de um lado, e um casal do outro. So’ que na minha frente sentou um cara num banquinho extra, que amassava minha perna. Outra coisa : nao tinha mais espaco no bagageiro, e minha mochila foi debaixo do banquinho, e minha mochila de mao no meu colo. Ah, a bota, Depois de uma atuacao brilhante no trekking com os gorilas, ganhou uma sobrevida, e veio tambem. So’ que na mao, pois ela ainda esta’ sob suspeita, e nao sobrou saco plastico para carrega’-la. O Leo foi em outro daqueles banquinhos extras, com o mochilao nas costas, e a outra mochila (que atualmente pesa mais do que a minha maior) no colo.

Tudo ia bem (?!) ate’ a primeira parada. Saiu o casal, eu pulei para o canto, e entraram 2 caras. Um sentou do meu lado, e o outro no banquinho da frente. So’ um detalhe : a estrada parece a Serra das Araras, uma sucessao de curvas sem parar, o motorista faltou ao teste psicotecnico, e dirigia como um louco. Depois de 10 minutos, meu vizinho sacou um pano todo sujo e fedorento, colocou-o no seu colo, e vomitou ate’ as tripas em cima dele, so’ que metade caiu no chao. Eca!!!! Seu companheiro da frente fez o mesmo. Eu tive que botar toda a minha bagagem pra cima, no meu colo, pois com aquelas curvas, o rio andava de um lado pro outro. So’ pra encurtar a historia, mais 2 pessoas repetiram a cena. Por que nao deixam usar as sacolas plasticas pelo menos nos onibus?

Se Ruanda e’ conhecida por ser o pais das mil colinas, em Kigali ha’ pelo menos metade delas. E’ uma cidade estilo Belo Horizonte, so’ tem ladeira. Nao tem uma rua plana. E’ um tal de sobe e desce, o centro e’ bem concentrado em cima de um morro. Tem ate’ shopping. So’ que e’ bem carinha, tudo, desde o hotel, comida, transporte, etc. Conseguimos trocar os bilhetes para o Quenia apenas para o sabado dia 10, portanto vamos ficar um dia a mais do que queriamos por aqui.

A tarde fomos visitar o Hotel des Milles Colinnes. Foi la’ que aconteram os fatos do filme Hotel Ruanda, que trata do genocidio. O filme foi feito na Africa do Sul, mas os fatos aconteceram la’ mesmo. Hoje e’ o hotel mais chique da cidade, e nao tem nada que lembre aqueles fatos.

Ruanda, assim como a maioria dos paises africanos era composta por varias tribos, que conviviam normalmente (um conflitinho aqui, outro acola’), ate’ que chegaram os alemaes para colonizarem. Na Primeira Grande Guerra eles foram expulsos pelos belgas, que se tornaram os reis do pedaco. Eles determinaram que quem tinha pelo menos 10 cabecas de gado era tutsi, e o resto virou hutu. Claro que os hutus eram maioria, mas os tutsis, que ja’ eram mais ricos, ficaram com varias regalias. Claro que era receita para o fracasso. Com o passar do tempo, o ressentimento foi aumentando, e um novo ditador comecou a privilegiar os hutus, com o apoio dos belgas e franceses. Foram criadas milicias, treinadas pelos franceses, e a ONU nao fez nada para impedir. Comecaram alguns massacres de tutsis, e a imprensa comprada incentivou a rixa. Todos eram incentivados a delatar onde havia tutsis, sejam esposas, filhos, vizinhos, amigos, etc. O assassinato do presidente em um atentado ao seu aviao foi o estopim do genocidio. Foram 100 dias de massacres, estupros, e tudo o de mais horrivel que o ser humando pode fazer com outro. Hoje visitamos o memorial do genocidio, que esta’ muito bem documentado, inclusive com imagens, fotos e depoimentos de sobreviventes. E’ de revoltar qualquer um.

O mais incrivel e’ que isso ocorreu em 1994, pouco tempo atras, e hoje o povo vive como se nada tivesse acontecido. Nao se ve nenhum traco de violencia, rancor, nada que transpareca um sentimento de vinganca. Claro que os tutsis, que foram massacrados, e ja’ eram minoria, sao mais minoria ainda, pois 1 milhao de pessoas foram mortas. Talvez por um agudo sentimento de culpa, a comunidade internacional comecou a despejar dinheiro no pais, e hoje Ruanda e’ uma ilha de paz e prosperidade no leste da Africa, ou na Africa mesmo. Varias construcoes novas, estradas otimas, e ainda sendo reformadas, enfim, um corpo estranho por aqui. Ja’ ouvi que eles usam Ruanda como laboratorio para qualquer acao de ajuda, pois como e’ um pais pequeno e em melhores condicoes, fica mais facil de testar uma nova tatica de auxilio.

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Posted by on September 8, 2011 in Africa, Ruanda

 

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Gisenyi

Ontem depois que publiquei o post comecou a chover e nao parou mais. Acordamos as 4 e 30, fomos pegar o onibus para Gisenyi as 5 e 30. O onibus saiu as 6. Pensei que seria mais uma viagem daquelas comuns da Africa, que nao mereceria nenhum comentario, mas de novo houve fatos inusitados.

Kisoro fica a 8km da fronteira, portanto chegamos la as 6 e 15. O pessoal da imigracao de Uganda simplesmente nao apareceu pra trabalhar. Ficaram todos os passageiros 1 hora esperando, até que eles chegaram. Passamos entao para o lado de Ruanda, e eles gastaram 1 hora e meia revistando TODAS as bagagens, a procura de sacolas plasticas. Eh proibido entrar em Ruanda com elas. A ideia é até boa, mas a fiscalizacao é bem falha, e muita gente entra com algumas delas. Pra encerrar, tocou 2 musicas brasileiras evangelicas no onibus (?!?!).

Bem, da estrada deu pra ver que Ruanda é bem diferente de Uganda e Etiopia. Eh uma pobreza bem menor, e muito mais organizada. Os campos e montanhas sao todos cultivados. As casas sao bem melhores. Chegamos a Gisenyi, uma cidade pequena a beira do Lago Kivu. Descemos até a beira do lago, do lado esquerdo comeca com o hotel Lake Kivu Serena, um tremendo 5 estrelas. Dai vem uma avenida costeando o lago, lindissima, sem um papel na rua, cheia de mansoes espetaculares, hoteis boutiques, bares e restaurantes. Realmente nao parece Africa.

Dois km depois ela acaba na fronteira com a Republica Democratica do Congo. Um tremendo choque, pois é um pais super pobre, muito mais que Uganda. Conversamos com turistas que vinham de la, e disseram que é uma pobreza so, as pessoas pedindo tudo na rua, e nao tem nada pra ver, so o lago. Teriamos que pagar um visto pra entrar, e outro de Ruanda pra voltar, se quisessemos conhecer. Fica pra proxima. Outra coisa : tem permissoes pra ver os gorilas em Ruanda pra qualquer dia, aqui é bem menos procurado do que Uganda.

Ruanda parece o Uruguai da Africa. Tudo aqui é mais organizado. Eh um pais pequeno, apenas 10 milhoes de habitantes. Mas o povo é bem sério, ninguém cumprimenta ninguém na rua, como em Uganda. E temos que nos virar com meu frances do primario (e primario)… Por enquanto nao morremos de fome, nem pegamos o onibus errado.

Nos nossos planos, hoje passariamos o dia viajando, até chegarmos aqui, e ainda teriamos mais 2 dias por aqui. Achamos que nao vale a pena, pois a cidade esta sem turistas (é baixa estacao), o tempo nao esta bom, e tavez seja melhor irmos para Kigali amanha. Vamos decidir ao acordar.

Umas palavras sobre a malaria. Quase todos os mochileiros tomam pilulas contra a malaria. Elas nao sao garantia de imunidade, porem por estarem tomando-as, eles acabam nao se cuidando muito para nao serem picados. Nos estamos tomando cuidado, dormindo com mosquiteiros, e passando repelente. No mais, so nos resta rezar. So apos 1 ano depois de voltarmos é que teremos certeza que nao pegamos. Ha 20 anos eu tomei estas pilulas, me faziam muito mal. Elas tem varios efeitos colaterais.

 
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Posted by on September 6, 2011 in Africa, Ruanda

 

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