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Pensamentos sobre a Copa do Mundo 2014

Desculpem fugir do tema do blog, é um desabafo que queria deixar registrado.

Esse post é apenas para tentar explicar o porque de eu não ter ficado triste com a humilhação sofrida pelo futebol brasileiro ontem, após a goleada de 7 X 1 pra Alemanha. Desde o início da Copa vinha sendo visto como torcedor “do contra”, o que não era propriamente verdade. ´que faz tempo que não consigo me emocionar com um gol do Brasil. Estive na final da Copa das Confederações, apenas um ano atrás, e vi o Brasil dar um show e golear a toda poderosa Espanha por 3 X 0. Um clima mágico no Maracanã. E meu batimento cardíaco não se alterou, nem quando o Brasil fazia um gol. Por quê?

Minha história com a seleção canarinho começou em 1970. Eu me lembro de todos os jogos, e me orgulhava de saber cantar “nosso hino” de cor : “90 milhões em ação, pra frente Brasil do meu coração, todos juntos vamos….”. Torcer pra seleção era fácil, afinal, ganhávamos todas.

Já em 1974 foi difícil, por mais que quiséssemos, sabíamos que não éramos páreo pra Holanda. Mas foi revoltante vê-la perder a final pra Alemanha. Ali começou minha implicância com a Alemanha, seu jeito feio e pragmático de jogar futebol.

Em 1978 foi triste pela primeira vez ver a interferência da política no futebol. Não conseguia entender tirar Zico e Reinaldo do time, pra botar Jorge Mendonça e Roberto Dinamite. Registre-se que eu era muito pequeno quando sacaram o João Saldanha da Copa de 1970. Além disso, foi minha introdução à marmelada no futebol, claro que me refiro ao fatídico Argentina 6 X 0 Peru.

Em 1982, a melhor seleção que já vi jogar. Até hoje lamento a derrota no Sabiá, mas entendi que futebol é assim mesmo, um lance pode mudar tudo. Faz parte deste esporte. Achei que teríamos outra chance. Tolinho.

Em 1986 fomos com os cacos de 1982, quase ganhamos, outra vez perdemos por detalhes, nos pênaltis. Nem sei como seria um encontro com a Argentina de Maradona, no seu auge.

Aí veio 1990. Lazaroni de técnico, em plena Era Dunga. Só me lembro bem da seleção discutindo os prêmios antes da Copa começar. O que doeu foi ser eliminada pela Argentina, e do jeito que foi, com Maradona driblando meio time. mas tudo bem, vida que segue.

Ja estava impaciente quando 1994 chegou. Um time com futebol feio, mas com suas 2 únicas estrelas brilhando intensamente (Romário e Bebeto), e o tetra veio. O retrato disso foi a final, 120 minutos sem gols, e vitória nos pênaltis.

A minha grande virada se iniciou na volta da seleção. A imagem do nosso avião chegando, com o Rei Romário na janela do piloto com a bandeira brasileira era de emocionar. No entanto, como todos sabemos, houve uma chantagem que partiu dele, que se a Polícia Federal fosse implicar com a muamba que traziam dos EUA, eles simplesmente não iam desfilar em solo brasileiro. O que era aquilo? Se achavam acima da lei, melhores do que os cidadãos que pagam (muito) imposto? Era um Boeing inteiro cheio de muambas. O presidente Ricardo Teixeira montou uma chopperia (El Turf) com equipamentos “importados”, só pra exemplificar. Não podia concordar com isso.

De lá pra cá, uma sucessão de Copas com a CBF somente pensando em patrocínios, meios de ganhar dinheiro, se perpetuar no poder, comprar apoios, evitar investigações, e mais que tudo, virando as costas para o futebol brasileiro. Neste período, quantas viradas de mesa, para acomodar colaboradores, e manter o status quo? E o nível de nosso futebol só caindo. Viramos exportadores de talentos, mas que com o passar do tempo foram rareando. Nosso Brasileirão dá vontade de chorar. Ligo a TV, e antes dos 10 minutos já troco de canal, pois é simplesmente “inassistível”, qualquer jogo, com quaisquer times. O nível do futebol jogado aqui faz parecer um esporte diferente do que é jogado na Europa. Em times de ponta da Europa, fora o Neymar, somente jogam defensores, o que é o retrato da nossa safra. Ontem nosso ataque era formado por um jogador (ou ex-jogador?) do Fluminense, um que joga na Rússia e outro que é reserva de um time da Ucrânia. Olhei pro banco, e deu vontade de chorar.

Bem isso deixa claro que apesar de muita influência política, nada tem a ver que o governo atual, já que esta lamentável situação vem desde 1990. Onde o governo atual entra, é na maneira como foi conduzida a organização da Copa no Brasil. Não vou entrar no mérito de devíamos ou não fazer a Copa aqui, mas poderíamos tê-la feita de modo “menos político”, com menor roubalheira, com somente 8 sedes, para que os estádios tivessem vida útil após a Copa. Muito se fala nas Arenas de Brasília, Manaus e Cuiabá, que obviamente não deveriam ter sido construídas. Mas e a de Pernambuco, que é fora de Recife, e onde cada um dos 3 times tem seu estádio? E o Mineirão, que arrochou tanto, que o Atlético-MG resolveu (no meu modo de ver acertadamente) não jogar lá? E o Maracanã? Se o Flamengo tivesse um mínimo de seriedade, já teria seu estádio pra 40 mil pessoas, e não dependeria dele. E os aeroportos? Claro que não tivemos apagão aéreo, e isso já foi uma vitória? Fico envergonhado cada vez que tenho que passar pelo Galeão, Confins, etc.

Pra finalizar : ontem, uma derrota de 2 X 0, 3 X 1, ou algo parecido levaria a um coro de que foi pela ausência do Neymar, pela fatalidade, e nada de novo iria acontecer no futebol brasileiro. Esse placar humilhante é apenas uma esperança de que as coisas possam mudar, apesar de infelizmente não acreditar que vão.Vejo muito profissionalismo nas negociatas, e muito amadorismo na condução do futebol propriamente dito. Só pra exemplificar : fomos a única seleção a não fazer treinos secretos. Por que? Apelamos para um patriotismo, e sentimentalismo antes da copa, que me fez sentir um pouco de vergonha por não ter uma camisa da seleção, por não me entupir de cerveja e comemorar cada gol como se fosse o do campeonato. Será que sou um traidor da pátria por pensar assim?

Precisamos largar a soberba, e nos conscientizar de que nessas horas é que podemos aprender a lição e evoluir, como os próprios alemães fizeram depois de perder pro Brasil em 2002. Hoje não tenho mais a implicância com eles, aliás, acho a seleção mais simpática, e com o melhor futebol, e com certeza vou torcer pra eles na final de domingo.

Só espero um dia voltar a torcer pra nossa seleção. Estou com saudades.

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Posted by on July 9, 2014 in Uncategorized

 

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Blog de viagens – Quais?

Bem, este é o primeiro post do meu terceiro blog. Isso por conta da minha falta de planejamento. O meu primeiro blog foi referente à uma viagem que fiz à Espanha em 2010, uma peregrinação à Santiago de Compostela. Foi um blog bem amador, e nem está mais disponível na internet. Sorte que guardei o texto e fotos, e pretendo publicar aqui em breve.

O outro foi criado em 2011, referente à uma viagem ao Leste da Africa. Ele foi muito acessado, e acabei o utilizando para falar de outras viagens que fui fazendo até 2013. Como o nome do blog é Africatrip2011, não fazia mais sentido continuar a descrever minhas viagens para outros continentes em um blog com este nome.

Por isso criei este blog, no qual pretendo incluir as próximas (isso mesmo já tem uma próxima 90% definida, e para este ano), e algumas passadas.

Espero que aproveitem!

 
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Posted by on March 15, 2014 in Uncategorized

 

Se tivéssemos outra vida?

Bem, minha viagem já terminou em 20 de setembro de 2011, mas eu continuo aqui escrevendo. Pra quem chegou agora, vale lembrar que o blog está em ordem cronológica, de trás pra frente, por isso que os últimos posts não são diretamente relacionados à viagem.

Agora quero escrever brevemente sobre um texto do Jorge Luiz Borges (dizem que não foi ele quem escreveu, mas o que isso importa?), um argentino famoso que recebeu vários prêmios literários. Para quem conhece o texto, deve pensar: “O Marcelo deveria pensar em algo mais criativo para colocar no seu blog”. Mas pra quem não conhece, é uma boa oportunidade de conhecer.

O mais relevante do texto é seu significado para mim. Eu o descobri logo depois da morte do Borges, em 1986. Todo mundo que o lia dizia que era muito legal, mas neste quarto de século que passou, jamais encontrei qualquer pessoa que me tivesse dito que este texto tinha feito uma REAL diferença na sua vida. Para mim fez. Vamos ao texto:

“Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais. Seria mais tolo do que tenho sido, bem poucas coisas levaria à sério. Seria menos higiênico. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres. Subiria mais montanhas nadaria mais rios. Iria à lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e comeria menos lentilhas. Teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto de sua vida. Claro que tive momentos de alegria. Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos. Não perca o agora.

Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuvas e um paraquedas. Se voltasse a viver, começaria a andar descalço no começo da Primavera e continuaria até o final do outono. Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças. Se tivesse outra vez uma vida pela frente. Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.”

Ele morreu 2 anos depois, com 87 anos.

Desde o dia que o descobri, tratei de utilizá-lo em toda e qualquer decisão minimamente importante que fiz na minha vida. Algumas vezes eu piscava pra ele (o texto), e o agradecia por me fazer tomar uma decisão diferente do que eu teria tomado, não fosse ele. Tenho até uma lista de algumas grandes decisões que foram alteradas graças ao Borges (ou não). Desde então guardo uma cópia do texto na minha carteira. Apesar de poder recitá-lo de cor, eu me dou ao trabalho de lê-lo sempre que vou tomar uma decisão. É para não deixar escapar nenhum detalhe. E quem me conhece, sabe que eu aplico de fato muitos dos conceitos do texto. Fica aí uma sugestão.

 
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Posted by on December 15, 2011 in Uncategorized