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Quito e volta para casa

Bem, o último dia da viagem em Quito foi bem tranquilo, depois de uma semana super agitada e cansativa. Meu albergue tinha um terraço com uma vista da cidade, então fiquei por lá curtindo, e me preparando para a volta para casa.

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Vista do terraço do albergue

Depois fui almoçar com o Dennis em um restaurante bem local, ali perto, e me despedir dele, depois de vários dias de viagens em conjunto. Posso dizer que foi uma surpresa bem agradável ter o conhecido, pois trata-se de uma pessoa bem culta, de bom humor, espirituoso, com disposição, e basicamente com os mesmos interesses. Muitas horas de conversas, troca de experiências de viagens, mas lucidamente sabedores de que provavelmente seria nosso último encontro. Dali, cada um seguiria sua vida, mas satisfeitos por terem aproveitado alguns dias viajando juntos.

Provavelmente eu teria feito tudo o que eu fiz sozinho, fico em dúvida sobre a volta no Quilotoa, que foi bem difícil e perigosa, e para fazer sozinho é meio ermo. Qualquer acidente poderia ser fatal, pois não havia como pedir socorro.

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Almoço despedida – comida local

E o que falar sobre o Equador? Muito fácil de se viajar, muito fácil de conseguir o básico, informação, transporte. acomodação, um povo simpático e atencioso, sempre tentando ajudar, quando precisamos. Claro que para mim fica mais fácil ainda, pelo idioma ser muito parecido com o português, mas mesmo os gringos demonstraram tranquilidade sobre este tema. Quanto à segurança, nada à dizer, não tive nenhum problema, mesmo em Quito, onde os guias não recomendam andar sozinho à noite. Fiz isso nas 3 noites em que dormi lá, e nada me aconteceu. Sorte? Não sei, só posso falar sobre o que passou comigo.

Recomendo bastante o roteiro que eu fiz, e provavelmente a parte da Amazônia e Galápagos devem ser bem legais também.

Hora de voltar para casa e pensar na próxima!

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Posted by on May 11, 2017 in Ecuador, Equador

 

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Volta ao Quilotoa : não é para principiantes

A noite foi longa, pois fez um frio de matar, dormi com todas as roupas que eu tinha, mais 4 cobertores. Choveu à noite toda. Acordamos cedo, tomamos um ótimo café da manhã. O tempo estava aberto, e depois de algum debate, decidimos dar a volta à pé no Quilotoa. O dono do hotel nos disse que duraria umas 4 horas, então daria até para fazer um outro trekking antes de pegarmos o ônibus de volta para Latacunga.

Partimos às 9. O vilarejo estava vazio, não havia nenhum turista por lá, acho que não é comum ainda para as pessoas passarem a noite no vilarejo, até porque nos guias os hotéis nem constam ainda, já que são todos novos.

Bem, com o céu limpo, lá fomos nós, começando em sentido horário. O diâmetro máximo da cratera é de aproximadamente 2.200 metros, em baixo, na água, mas na trilha que fica no topo, é de 3.000 metros. Então em uma conta rápida, o contorno à pé dá mais de 18 quilômetros de caminhada, se fosse um círculo perfeito. Será isso tudo? Eu diria que dá menos, talvez uns 12. E partimos, sem pensar muito nisso.

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Vista da cratera pela manhã

Na largada, deu para perceber que a tarefa não iria ser tão fácil. A volta inteira se resumiria à uma sucessão quase que interminável de subidas e descidas, quase todas íngremes, e boa parte delas na beira de um precipício. Isto significava vistas deslumbrantes, tanto para o lado do lago, quanto para o vale que ficava atrás. Porém, ao mesmo tempo significava um perigo enorme. Em várias situações, estávamos à um escorregão de despencar abismo abaixo. Confesso que não me senti seguro, e como tenho pavor de altura, passei boa parte do tempo tenso.

Logo na saída, pudemos ver o vilarejo de Chugchilán, que é onde os andarilhos podem passar a noite. Fica à uma boa caminhada de Quilotoa, e claro que não dava para irmos até lá neste dia.

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Vista de Chugchilán

Continuamos nossa caminhada. Quando o dono do hotel nos disse que daria para fazer a volta toda em 4 horas, logo achei que como iríamos andando mais rápido, poderíamos completar em cerca de 3 horas e meia. Mas como tínhamos uma noção de distâncias, logo deu para perceber que a coisa era mais difícil do que parecia. E várias situações de caminhar na beira do precipício aumentava minha tensão. Ao mesmo tempo, visual único, sem comparação com nada que já tinha feito antes.

Tudo isso regado à ótimos papos com o Dennis, que se mostrou um cara extremamente culto, bem humorado, com ótimas tiradas, enfim, um bom companheiro de trilha. Serviu para descontrair um pouco, e transformar aquele suplício em um programa apenas desafiador.

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Um escorregão de uma queda fatal

Até que chegamos ao ponto mais alto da trilha, que fica à 3.930 metros de altitude. A placa serviu para me lembrar que, além de todas as dificuldades já descritas, ainda tínhamos a altitude para nos atrapalhar.

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No cume da trilha

Às vezes sentíamos calor pelo esforço, e porque também abria um mormaço, e às vezes batia um vento frio para nos lembrar de onde estávamos. Em toda a volta só cruzamos com 3 pessoas vindo em sentido contrário. Fiquei na dúvida se é por conta da baixa estação, ou se este programa é só para os loucos.DSC05315

Dennis na trilha

Claro que há também os locais, pastores de ovelhas, e camponeses, mas não muitos. Passamos por um menino vendendo bebidas, deu muita pena dele, pois alguém o colocou ali, e simplesmente não havia clientes para ele. Deveria estar na escola, mas isso é outro assunto.

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Muitas ovelhas nas encostas

Bem, na parte final da trilha chegamos à pegar chuva, e o troço não acabava. Demoramos um total de 4 horas e meia. Fiquei meio desapontado. Mas depois o Dennis leu no guia dele que o normal é demorar cerca de 6 horas, e aí ficamos mais felizes.

Mas o fato é que chegamos exaustos, sem forças para dar nem mais um passo, então nem tivemos dúvidas do que fazer. Direto tomar uma cerveja, comer algo e pegar o ônibus de volta para Latacunga.

Estávamos mortos, e então decidimos regressar de Latacunga direto para Quito. O Dennis tinha uma amiga por lá e iria ficar no apartamento dela, e eu não tinha nada reservado. Ele me disse que havia um albergue perto do apartamento da amiga, e eu iria tentar ver se havia um quarto pra mim.

A viagem foi tranquila, pena que já era noite e não tivemos oportunidade de ver mais vulcões da janela do ônibus. Como tudo relacionado à transporte no Equador é tranquilo, não tivemos problemas nos vários transportes até chegarmos lá. Foi um ônibus de Quilotoa até Latacunga, outro de Latacunga até o Terminal de Quito, e mais 2 até o apartamento da amiga do Dennis. Chegamos lá depois das 9 da noite.

Fomos até o albergue, e tinha um quarto vago, então deixei a bagagem por lá e fomos jantar. Dormi feito uma pedra, depois de mais um dia super cheio e cansativo.

 
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Posted by on May 1, 2017 in Ecuador, Equador

 

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Saquisilí e Quilotoa, um dia cheio e frio

Acordamos não muito cedo, pois estávamos esgotados, então combinamos de conscientemente perder o melhor do mercado indígena de Saquisilí, que acontece bem no início da manhã. Ainda demos uma volta por Latacunga pela manhã, e pegamos o ônibus para Saquisilí, que fica à 25 kms de Latacunga. Sabíamos que o mercado acontece por setores, em diferentes partes da cidade.  Há o mercado de animais, que na minha opinião deve ser o mais legal, o mercado de alimentos, de artesanato, para aqueles que querem souvenirs, e outros para compras dos locais. Chegando lá fomos direto para o mercado de animais. Já eram quase 10 horas da manhã, então o mercado já estava no fim. Tiramos algumas fotos do que restava, enquanto algumas negociações ainda aconteciam. Este é um mercado semanal, então tem uma importância grande na região. O outro mercado típico do Equador fica em Otavalo, ao norte de Quito. Lá é bem mais turístico, e já não sei se isso é bom ou não.

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Quer comprar uma ovelinha?

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Ou um porquinho?

De lá fomos para o mercado de alimentos. Bem típico local. Gosto de caminhar por estes mercados, apenas apreciando os vendedores, seus produtos e o clima de compras. Confesso que não me encheu os olhos, pois nem estava tão cheio quanto eu imaginava, e de lá partimos para os outros mercados.

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Mercado de alimentos

Algumas quadras dali, ficava o mercado de artesanatos e roupas, incluindo barracas como a de chapéus indígenas, quase uma unanimidade entres as mulheres equatorianas.

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Barraca de chapéus

Também havia barracas de roupas de frio, e muitas de comidas locais, onde acabamos comendo um peixe frito. Já estava na hora de partir para Quilotoa, mas tínhamos que retornar à Latacunga, onde tínhamos deixado nossas bagagens, e de lá pegamos outro ônibus para Quilotoa.

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Roupas

Já era à tarde, e partimos para uma viagem de 2 horas entre Latacunga e Quilotoa. Quilotoa é um vulcão extinto, com um lago dentro da sua cratera. A vista lá de cima é fantástica, então muita gente vai lá só para ver a vista, tirar fotos e retornar. Alguns fazem este passeio saindo de Quito, outros de Latacunga. E alguns continuam o chamado Quilotoa Loop, que passa por alguns vilarejos, até chegar em Saquisilí e finalmente de volta à Latacunga. Dura de 2 à 3 dias, dependendo do transporte e do roteiro.

Nosso objetivo era dormir em Quilotoa e fazer um trekking no dia seguinte. Havia algumas alternativas, mas íamos decidir somente à noite.

A estrada passa ao lado da vila de Quilotoa, e saltamos do ônibus por ali. Havia um hotel bem em frente de onde saltamos do ônibus, então decidimos entrar e perguntar para que lado ficava a cratera, para não perdermos tempo indo na direção errada. Acabou que falamos com o dono do hotel, que era novíssimo, havia sido inaugurado há 40 dias apenas, e que perguntou se queríamos ficar hospedados lá. Isso seria contra os meus princípios, aceitar ficar no primeiro lugar que visitávamos, mas o hotel era muito bom, e depois de visitar os quartos, comecei a negociar com o dono. Acabamos conseguindo um preço de 20 dólares pela noite, jantar e café da manhã inclusos, o que parecia ser um achado. Havia um grupo de americanos almoçando, era quase 4 horas da tarde.

Acertamos com o dono, deixamos nossa bagagem por lá, e partimos para a cratera. Já fazia frio, o tempo estava bem fechado, mas não chovia, o que para mim já era lucro. O hotel ficava à uns 500 metros da cratera, e deu para ver claramente que a vila era recém construída. Suas ruas, praças e principais hotéis e restaurantes eram todos novos, e havia mais muitos prédios em construção. Isso é o que se pode chamar de mudança que o turismo traz. O que o pessoal local disse é que o Rafael Correa transformou a região, investindo em infra estrutura para transporte e turismo. Não havia muitos turistas, apenas algumas dezenas, e logo chegamos ao mirador do vulcão.

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Vista do mirador

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Tempo fechado e frio

Não tínhamos muito tempo antes de escurecer, mas resolvemos descer até o lago. A descida era muito acentuada, e o caminho estava todo enlameado. A maioria dos turistas alugam cavalos e burros para descer, mas não foi nossa opção. Como para descer todo santo ajuda, lá fomos nós. Não foi fácil, pois estava bem escorregadio, mas não podíamos deixar para o dia seguinte. Abriu até uma solzinho, durante alguns minutos, com direito à um arco íris.

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Estrada para descer, bem enlameada

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Apareceu o arco íris

Chegamos lá no pier, não havia mais ninguém. Ficamos de bobeira, tiramos fotos do lago, que aliás, tem uma água mal cheirosa, com umas algas esquisitas no fundo. Ah, e a água estava gelada, já que o vulcão é extinto.

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Chegamos lá em baixo

O problema de descer tanto é que na volta tivemos que subir. A subida foi muito cansativa, já que é longa, o caminho estava enlameado, o frio aumentava com o cair da tarde, e estávamos praticamente sozinhos. Fomos em uma carreira só, sem paradas, o que quase me resultou em um infarto, mas chegamos. Logo que atingimos o cume, lá no mirador, as nuvens tomaram conta da cratera, e nos obrigou a ir em direção ao hotel, pois já não havia nada para ver. Claro que antes fomos tomar uma cerveja, até para comemorar o programa que tínhamos acabado de desfrutar.

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Vilarejo novo

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Nosso super hotel

Logo que chegamos de volta no hotel, constatamos que éramos os únicos hóspedes do hotel, o grupo de americanos tinha somente passado o dia por lá, e já tinha retornado para Quito. Com a neblina, o frio, e depois a chuva torrencial que começou a cair, e em um hotel fantasma, comecei a ter a sensação de que estava no filme “O Iluminado”, do Jack Nicholson. Descemos para jantar, e o cozinheiro, que era uma figura, fez um belo jantar para nós. Só aquele jantar já valia os 20 dólares que pagamos.

Outro detalhe : não havia calefação no hotel, apenas um aquecedor portátil no restaurante. Depois do jantar, com toda aquela chuva, e sem internet, não havia outra coisa à fazer se não dormir, antes das 9 da noite.

 
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Posted by on April 24, 2017 in Ecuador, Equador

 

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Chimborazo : Caminhando nas nuvens

Bem, acordamos cedo em Ambato, e partimos de ônibus na direção de Guaranda. Ambato já fica à 2.800 metros de altitude, e o ônibus só fez subir. A subida não é íngreme, mas constante. Depois de uma hora e meia, saltamos do ônibus na entrada do Parque Nacional. Daí me deparei com a placa informando a altitude naquele local : 4.386 metros!! Bem, confesso que fiquei apreensivo, já que há muitos anos atrás, passei mal no Tibet, mais ou menos neste altitude. Tive uma dor de cabeça explosiva, e pela única vez na vida, temi pela minha vida, já que quando se sente mal pela altitude, o recomendável é descer. Naquela ocasião, descer simplesmente não era possível, e contei com o destino para me recuperar do mal da altitude.

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4.386 metros!!!

Mas o tempo estava bom, parcialmente nublado, e com uma boa vista do vulcão, que fica à 6.310 metros de altitude. Isso significa que para os escaladores, ainda havia mais de 1.900 metros de desnível, para vencer. Estávamos na entrada do parque, e a maioria dos turistas vão de carro até o primeiro refúgio, que fica à uns 4.800 metros de altitude. De lá eles sobem caminhando até o segundo refúgio (uns 5.000 metros de altitude) e voltam para o primeiro. Muitos levam mountain bikes nos carros, e descem de bicicletas. Nosso interesse era simplesmente caminhar com aquela vista maravilhosa, por algumas horas. Então decidimos caminhar pela estrada e curtir a paisagem, tirar fotos, etc.

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Chimborazo pela manhã

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Vicunha no Chiborazo

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Vicunhas bem de perto

Após 90 minutos, comecei a ficar tonto, aliás bem tonto, à ponto de achar que eu ia desmaiar. Era um sintoma bem diferente do que eu tive no Tibet, mas não dava para negar que era por conta da altitude. Minhas pernas estavam OK, sem nenhum problema para caminhar, mas minha cabeça só girava. Já tínhamos chegado a pouco mais da metade do caminho até o primeiro refúgio, devíamos estar à uns 4.600 metros de altitude, então decidi que o melhor era eu descer do que arriscar a deixar meus amigos na roubada, tendo que me acudir no meio do nada.

Desci caminhando e curtindo, mas logo vieram várias nuvens, e o tempo começou a fechar rapidamente. Conforme eu já tinha escrito, não fui preparado para muito frio, e não fazia muito frio quando chegamos, mas naquele momento, com o tempo fechando, a temperatura baixou drasticamente, e me lembrei da placa na entrada, que dizia que a temperatura média era entre -2 e 10 graus. Cheguei de volta na entrada do parque, vi vários ciclistas se preparando para subir de carro, e eu fui direto tomar um bom chocolate quente e tentar me aquecer.

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Entrada do parque

Infelizmente o chocolate quente não foi suficiente, o frio baixou de vez. Fui perguntar ao vigia à quanto estava a temperatura, e ele me disse que fazia 2 graus negativos. Não preciso descrever o frio que eu sentia, usando 2 camisas, um moleton simples e uma capa de chuva! Decidi não esperar pelos meus amigos ali, e regressar para Ambato. Mas para isso era necessário ficar na beira da estrada esperando o ônibus passar, passando um dos maiores frios da minha vida. Achei que o maior risco seria pela altitude, mas acabou sendo o frio.

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Tempo fechado, esperando o ônibus

Sorte minha que chegou um casal, e depois um soldado para esperar o ônibus, e logo eles pediram carona para um carro que passava em direção à Ambato. Havia 4 lugares no carro, e todos entraram. Foi um alívio duplo. Primeiro porque tive a sensação de que salvei minha vida, que corria risco, e depois porque quando começamos a descer, a montanha já estava toda branca, coberta de neve. Mais alguns minutos na beira daquela estrada eu poderia ter virado um picolé.

Cheguei logo em Ambato, parecia que tinha mudado de país, tal a diferença de temperatura. Um alívio total. Depois de algumas horas, o Dennis e o Juan Carlos voltaram, e contaram que pegaram a nevasca lá em cima, ao chegar no segundo refúgio. Ao contrário de mim, eles estavam preparados para o frio e a neve, então se divertiram bastante. E disseram que os ciclistas não puderam descer de bicicletas, pois o terreno ficou muito escorregadio.

Missão cumprida em Ambato, pegamos o primeiro ônibus para Latacunga, onde iríamos pernoitar. Chegando lá, tivemos uma agradável surpresa, pois Latacunga é uma cidade com um Centro Histórico bem legal, porém enxuto. Pena que quase não vimos turistas por lá. Acho que porque estávamos na baixa estação. Estávamos bem satisfeitos pelo belo passeio do dia, e ansiosos pelo dia seguinte, que seria bem cheio. Saímos para uma pizza e cervejas. Acabaria sendo a despedida do Juan Carlos, que decidiu seguir sua viagem original para o litoral. Foi uma boa companhia de viagem, apesar do stress constante de ter que ficar trocando de idiomas, e ou traduzindo de um para o outro o que estava sendo dito, já que não falavam nenhum idioma em comum. De agora em diante, seria somente o inglês.

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Pizza com cerveja

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Latacunga by night

 
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Posted by on April 17, 2017 in Ecuador, Equador

 

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Relax em Baños

No meu plano original, hoje seria o dia de ir para Latacunga, pois de lá se sai para fazer o chamado Quilotoa Loop. Este passeio geralmente começa pelo Vulcão Quilotoa, que tem um lago dentro da sua cratera. Os turistas normalmente o visitam, e voltam para Latacunga (que fica à 2 horas de ônibus), ou seguem pelos vilarejos nas montanhas, e acabam de volta à Latacunga. Geralmente dura 2 ou 3 dias, e no último dia se recomenda visitar o tradicional mercado indígena de Saquisilí.

Exatamente com a intenção de flexibilizar meu roteiro, eu só tinha reservado hotel até Baños, depois deixei em aberto. O Dennis e o Juan Carlos estavam à fim de seguir comigo, mas queriam ficar mais um dia em Baños. Para mim já estava pronto para ir embora de Baños, mas resolvi ficar, pelas companhias. O Juan Carlos queria muito ir ao topo de uma das montanhas visitar a Casa del Arbol, que nada mais era do que uma casinha de madeira em cima de uma árvore. A vista era deslumbrante, então valeu à pena por isso, já que o local era bem sem graça, com uma tirolesa bem infantil, alguns balanços na beira do precipício e um restaurante meio caído. Fora isso, passeamos por Baños, comemos no Mercado Municipal, fizemos algumas compras e no final da tarde decidimos ir para Ambato, pois de lá iríamos no dia seguinte visitar o Chimborazo, maior vulcão do Equador.

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Casa del Arbol

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Almoço no Mercado Municipal com Juan Carlos e Dennis

Pegamos um ônibus no final da tarde, que demorou umas 3 horas até Ambato. Chegando lá, decidimos ficar no hotel em frente à Rodoviária, pois no dia seguinte iríamos partir cedo.

O transporte rodoviário é um capítulo à parte no Equador. Há ônibus de todas as cidades para qualquer lado, as passagens são baratas, as estradas são ótimas, enfim, não há qualquer stress para se locomover. Fora que nesta região, as vistas são sempre deslumbrantes, e se não estiver nublado, há sempre um vulcão à vista. Por isso neste trecho a Rodovia Panamericana é chamada de “Avenida dos Vulcões”. A viagem foi tranquila, mas como foi feita à noite, não deu para termos uma boa vista da janela do ônibus.

 
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Posted by on April 11, 2017 in Ecuador, Equador

 

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Esporte pouco radical

Acordei cedo, e o céu estava limpo, sem nuvens. A vista do meu quarto era deslumbrante. Tomei café, e tinha que decidir o que fazer. Havia 7 cachoeiras na estrada que leva para Puyo, que já fica na Amazônia, sendo que as 5 primeiras podiam ser vistas da estrada. As últimas 2 eram fora da estrada e demandavam descer por uma escadaria longa. O que a galera normalmente fazia era contratar uma jardineira com guia, que ia parando em todas elas. A alternativa era alugar uma bicicleta e descer pela estrada os 22 quilômetros que separavam Baños da última cachoeira. Lá havia um caminhão que levava a galera e as bicicletas de volta para Baños. Foi o que eu decidi fazer.

Pesquisei algumas lojas e logo decidi por aquela que tinha mais bicicletas e em melhor estado. Mas na hora de pagar, verifiquei que não tinha trazido meu passaporte.Tive que voltar para pegar, e para isso era mais uma caminhada morro acima. Na descida, passei em frente ao hostel do alemão do dia anterior, Dennis, que estava saindo naquele mesmo instante. Coincidência pura! Perguntei pra ele o que ele iria fazer, e ele me respondeu que ia alugar uma bicicleta para ver as cachoeiras. Destino! Fomos juntos para a loja, e alugamos uma bicicleta cada um, e partimos para as cachoeiras.

No início era só descida, uma beleza, mais de 5 quilômetros. Depois começaram a se intercalar descidas e subidas, até que chegamos à primeira cachoeira. Não era lá essas coisas, mas paramos para tirar fotos e logo surgiu uma figura pequena, mas com sorriso no rosto, que logo chamou minha atenção. Era uma guatemalteco, Juan Carlos, que puxou papo, e foi logo incorporado por mim ao grupo. O único detalhe era que o Juan Carlos não falava inglês e o Dennis não falava espanhol. Naquele momento não me pareceu um problema, estava animado com o formato do novo grupo. E assim fomos ladeira mais abaixo do que acima.

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Tirolesa de mais de 1 km

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Descida para ver uma das cachoeiras

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A descida era acentuada

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Nessa dava para nadar

Foram horas de pedalada, um para para tirar e foto, e pedala, e mais as 2 escaladas para baixo nas últimas cachoeiras. A maioria dos normais pegam carona em um caminhão que fica estrategicamente estacionado na última cachoeira, mas nós estávamos bem, e decidimos voltar os 22 kms pedalando. Dizem que a volta é sempre mais rápida do que a ida, mas não funcionou neste caso. Primeiro porque na volta tem mais subidas do que descidas, e depois porque paramos para que o Dennis fizesse o passeio na tirolesa de 1 km. Para terminar, tinha a tal mega ladeira na chegada à Baños, que na ida era uma descida, mas na volta se transformou em uma subida interminável. Chegamos babando de cansaço, mas felizes pelo dia bem aproveitado. Só um detalhe : fez sol o dia todo, apesar da previsão do tempo dizer que ia chover sem parar. Já estava no lucro.

Comemos algo e depois fomos para a termas La Piscina de La Virgem, a mesma do dia anterior. Nos divertimos bastante, depois fomos beber uma cerveja, e o dia acabou.

 
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Posted by on March 31, 2017 in Ecuador, Equador

 

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Baños -programa cultural

Acordei cedo e parti para o Terminal de Ônibus de Quito. Para minha surpresa, o Terminal é novo, super organizado, um dos melhores que eu já vi, parece um aeroporto. Aliás, só no terceiro dia é que descobri que o aeroporto no qual eu cheguei é um aeroporto completamente novo, fora da cidade. O antigo foi simplesmente desativado. Aconteceu o mesmo com o Terminal de Ônibus.

Então chegando lá, não demorou mais do que 3 minutos para eu achar o guichê correto para comprar minha passagem para Baños, a capital do ecoturismo, e achar a plataforma e entrar no ônibus, que saiu em menos de 5 minutos. Tudo muito rápido. São cerca de 3horas e meia até Baños, o céu estava meio nublado, não deu para ver os vulcões pelo caminho, somente na chegada à Baños que deu pra ver um vulcão, encoberto pelas nuvens.

Baños é a capital do esporte radical no Equador. Nesta área do país, é a cidade que mais concentra turistas, já que há tantas atividades. Além disso, é uma cidade agradável de se passar o tempo, mesmo para quem não tem nada mais radical para fazer. Porém, na minha chegada, em pleno domingo, este primeiro dia acabou se tornando mais um programa cultural do que turismo radical.

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Baños vista de cima

A cidade estava cheia de famílias equatorianas, passeando pelo Centro, que é bem pequeno, pelas lojas, pelas praças e pela Basílica, que é bem bonita. Tudo perto, tudo fácil, muitos restaurantes, lojinhas vendendo os passeios turísticos, e acima de tudo, muito movimento de locais. Claro que nem dava tempo para fazer nenhum esporte radical, então caminhei pelo centro, visitei a encantadora Basílica, fui ao Mercado Municipal, que é bem peculiar. Há mini cozinhas, uma ao lado da outra, e em frente de cada uma, há 1 ou 2 mesas, onde o pessoal come. Tem literalmente de tudo para comer, claro que a atração principal é a culinária equatoriana, nem podia ser diferente, já que a clientela principal são os próprios equatorianos. Depois tem uma ala das frutas e sucos de frutas, que podem ser pedidos na hora, com a combinação de frutas à escolher. E depois a parte do mercado propriamente dito, com venda de frutas, legumes, verduras, carnes, etc.

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Mercado Municipal

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Basílica com mercado

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Uma das piscinas das termas

De lá fui procurar as famosas termas, e logo encontrei a principal delas, e mais movimentada. Já estava de noite, e havia fila para entrar. Todos precisam de roupas de banho e toucas, que podem ser compradas ou alugadas na entrada. No andar de baixo há a piscina mais quente, quase que um caldeirão ligado. Só de botar meus pés dentro d’água, já senti uma queimadura instantânea. Depois descobri o método de entrar nesta piscina, que nada mais é que um banho super gelado antes, e depois deve-se entrar rápido, com o corpo inteiro de uma vez. Depois, melhor ficar parado, porque só do movimento da água, dá para se queimar. Fui para o andar superior, onde havia uma piscina com água menos quente, que obviamente estava lotada. Foi super interessante observar as famílias se banhando, e socializando. Havia uma minoria de estrangeiros, que nada mudavam o clima do lugar. Foi uma experiência super interessante e relaxante.

Depois de horas por lá, hora de ir para a cama.

 
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Posted by on March 28, 2017 in Ecuador, Equador

 

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