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Volta ao Quilotoa : não é para principiantes

A noite foi longa, pois fez um frio de matar, dormi com todas as roupas que eu tinha, mais 4 cobertores. Choveu à noite toda. Acordamos cedo, tomamos um ótimo café da manhã. O tempo estava aberto, e depois de algum debate, decidimos dar a volta à pé no Quilotoa. O dono do hotel nos disse que duraria umas 4 horas, então daria até para fazer um outro trekking antes de pegarmos o ônibus de volta para Latacunga.

Partimos às 9. O vilarejo estava vazio, não havia nenhum turista por lá, acho que não é comum ainda para as pessoas passarem a noite no vilarejo, até porque nos guias os hotéis nem constam ainda, já que são todos novos.

Bem, com o céu limpo, lá fomos nós, começando em sentido horário. O diâmetro máximo da cratera é de aproximadamente 2.200 metros, em baixo, na água, mas na trilha que fica no topo, é de 3.000 metros. Então em uma conta rápida, o contorno à pé dá mais de 18 quilômetros de caminhada, se fosse um círculo perfeito. Será isso tudo? Eu diria que dá menos, talvez uns 12. E partimos, sem pensar muito nisso.

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Vista da cratera pela manhã

Na largada, deu para perceber que a tarefa não iria ser tão fácil. A volta inteira se resumiria à uma sucessão quase que interminável de subidas e descidas, quase todas íngremes, e boa parte delas na beira de um precipício. Isto significava vistas deslumbrantes, tanto para o lado do lago, quanto para o vale que ficava atrás. Porém, ao mesmo tempo significava um perigo enorme. Em várias situações, estávamos à um escorregão de despencar abismo abaixo. Confesso que não me senti seguro, e como tenho pavor de altura, passei boa parte do tempo tenso.

Logo na saída, pudemos ver o vilarejo de Chugchilán, que é onde os andarilhos podem passar a noite. Fica à uma boa caminhada de Quilotoa, e claro que não dava para irmos até lá neste dia.

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Vista de Chugchilán

Continuamos nossa caminhada. Quando o dono do hotel nos disse que daria para fazer a volta toda em 4 horas, logo achei que como iríamos andando mais rápido, poderíamos completar em cerca de 3 horas e meia. Mas como tínhamos uma noção de distâncias, logo deu para perceber que a coisa era mais difícil do que parecia. E várias situações de caminhar na beira do precipício aumentava minha tensão. Ao mesmo tempo, visual único, sem comparação com nada que já tinha feito antes.

Tudo isso regado à ótimos papos com o Dennis, que se mostrou um cara extremamente culto, bem humorado, com ótimas tiradas, enfim, um bom companheiro de trilha. Serviu para descontrair um pouco, e transformar aquele suplício em um programa apenas desafiador.

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Um escorregão de uma queda fatal

Até que chegamos ao ponto mais alto da trilha, que fica à 3.930 metros de altitude. A placa serviu para me lembrar que, além de todas as dificuldades já descritas, ainda tínhamos a altitude para nos atrapalhar.

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No cume da trilha

Às vezes sentíamos calor pelo esforço, e porque também abria um mormaço, e às vezes batia um vento frio para nos lembrar de onde estávamos. Em toda a volta só cruzamos com 3 pessoas vindo em sentido contrário. Fiquei na dúvida se é por conta da baixa estação, ou se este programa é só para os loucos.DSC05315

Dennis na trilha

Claro que há também os locais, pastores de ovelhas, e camponeses, mas não muitos. Passamos por um menino vendendo bebidas, deu muita pena dele, pois alguém o colocou ali, e simplesmente não havia clientes para ele. Deveria estar na escola, mas isso é outro assunto.

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Muitas ovelhas nas encostas

Bem, na parte final da trilha chegamos à pegar chuva, e o troço não acabava. Demoramos um total de 4 horas e meia. Fiquei meio desapontado. Mas depois o Dennis leu no guia dele que o normal é demorar cerca de 6 horas, e aí ficamos mais felizes.

Mas o fato é que chegamos exaustos, sem forças para dar nem mais um passo, então nem tivemos dúvidas do que fazer. Direto tomar uma cerveja, comer algo e pegar o ônibus de volta para Latacunga.

Estávamos mortos, e então decidimos regressar de Latacunga direto para Quito. O Dennis tinha uma amiga por lá e iria ficar no apartamento dela, e eu não tinha nada reservado. Ele me disse que havia um albergue perto do apartamento da amiga, e eu iria tentar ver se havia um quarto pra mim.

A viagem foi tranquila, pena que já era noite e não tivemos oportunidade de ver mais vulcões da janela do ônibus. Como tudo relacionado à transporte no Equador é tranquilo, não tivemos problemas nos vários transportes até chegarmos lá. Foi um ônibus de Quilotoa até Latacunga, outro de Latacunga até o Terminal de Quito, e mais 2 até o apartamento da amiga do Dennis. Chegamos lá depois das 9 da noite.

Fomos até o albergue, e tinha um quarto vago, então deixei a bagagem por lá e fomos jantar. Dormi feito uma pedra, depois de mais um dia super cheio e cansativo.

 
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Posted by on May 1, 2017 in Ecuador, Equador

 

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Saquisilí e Quilotoa, um dia cheio e frio

Acordamos não muito cedo, pois estávamos esgotados, então combinamos de conscientemente perder o melhor do mercado indígena de Saquisilí, que acontece bem no início da manhã. Ainda demos uma volta por Latacunga pela manhã, e pegamos o ônibus para Saquisilí, que fica à 25 kms de Latacunga. Sabíamos que o mercado acontece por setores, em diferentes partes da cidade.  Há o mercado de animais, que na minha opinião deve ser o mais legal, o mercado de alimentos, de artesanato, para aqueles que querem souvenirs, e outros para compras dos locais. Chegando lá fomos direto para o mercado de animais. Já eram quase 10 horas da manhã, então o mercado já estava no fim. Tiramos algumas fotos do que restava, enquanto algumas negociações ainda aconteciam. Este é um mercado semanal, então tem uma importância grande na região. O outro mercado típico do Equador fica em Otavalo, ao norte de Quito. Lá é bem mais turístico, e já não sei se isso é bom ou não.

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Quer comprar uma ovelinha?

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Ou um porquinho?

De lá fomos para o mercado de alimentos. Bem típico local. Gosto de caminhar por estes mercados, apenas apreciando os vendedores, seus produtos e o clima de compras. Confesso que não me encheu os olhos, pois nem estava tão cheio quanto eu imaginava, e de lá partimos para os outros mercados.

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Mercado de alimentos

Algumas quadras dali, ficava o mercado de artesanatos e roupas, incluindo barracas como a de chapéus indígenas, quase uma unanimidade entres as mulheres equatorianas.

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Barraca de chapéus

Também havia barracas de roupas de frio, e muitas de comidas locais, onde acabamos comendo um peixe frito. Já estava na hora de partir para Quilotoa, mas tínhamos que retornar à Latacunga, onde tínhamos deixado nossas bagagens, e de lá pegamos outro ônibus para Quilotoa.

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Roupas

Já era à tarde, e partimos para uma viagem de 2 horas entre Latacunga e Quilotoa. Quilotoa é um vulcão extinto, com um lago dentro da sua cratera. A vista lá de cima é fantástica, então muita gente vai lá só para ver a vista, tirar fotos e retornar. Alguns fazem este passeio saindo de Quito, outros de Latacunga. E alguns continuam o chamado Quilotoa Loop, que passa por alguns vilarejos, até chegar em Saquisilí e finalmente de volta à Latacunga. Dura de 2 à 3 dias, dependendo do transporte e do roteiro.

Nosso objetivo era dormir em Quilotoa e fazer um trekking no dia seguinte. Havia algumas alternativas, mas íamos decidir somente à noite.

A estrada passa ao lado da vila de Quilotoa, e saltamos do ônibus por ali. Havia um hotel bem em frente de onde saltamos do ônibus, então decidimos entrar e perguntar para que lado ficava a cratera, para não perdermos tempo indo na direção errada. Acabou que falamos com o dono do hotel, que era novíssimo, havia sido inaugurado há 40 dias apenas, e que perguntou se queríamos ficar hospedados lá. Isso seria contra os meus princípios, aceitar ficar no primeiro lugar que visitávamos, mas o hotel era muito bom, e depois de visitar os quartos, comecei a negociar com o dono. Acabamos conseguindo um preço de 20 dólares pela noite, jantar e café da manhã inclusos, o que parecia ser um achado. Havia um grupo de americanos almoçando, era quase 4 horas da tarde.

Acertamos com o dono, deixamos nossa bagagem por lá, e partimos para a cratera. Já fazia frio, o tempo estava bem fechado, mas não chovia, o que para mim já era lucro. O hotel ficava à uns 500 metros da cratera, e deu para ver claramente que a vila era recém construída. Suas ruas, praças e principais hotéis e restaurantes eram todos novos, e havia mais muitos prédios em construção. Isso é o que se pode chamar de mudança que o turismo traz. O que o pessoal local disse é que o Rafael Correa transformou a região, investindo em infra estrutura para transporte e turismo. Não havia muitos turistas, apenas algumas dezenas, e logo chegamos ao mirador do vulcão.

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Vista do mirador

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Tempo fechado e frio

Não tínhamos muito tempo antes de escurecer, mas resolvemos descer até o lago. A descida era muito acentuada, e o caminho estava todo enlameado. A maioria dos turistas alugam cavalos e burros para descer, mas não foi nossa opção. Como para descer todo santo ajuda, lá fomos nós. Não foi fácil, pois estava bem escorregadio, mas não podíamos deixar para o dia seguinte. Abriu até uma solzinho, durante alguns minutos, com direito à um arco íris.

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Estrada para descer, bem enlameada

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Apareceu o arco íris

Chegamos lá no pier, não havia mais ninguém. Ficamos de bobeira, tiramos fotos do lago, que aliás, tem uma água mal cheirosa, com umas algas esquisitas no fundo. Ah, e a água estava gelada, já que o vulcão é extinto.

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Chegamos lá em baixo

O problema de descer tanto é que na volta tivemos que subir. A subida foi muito cansativa, já que é longa, o caminho estava enlameado, o frio aumentava com o cair da tarde, e estávamos praticamente sozinhos. Fomos em uma carreira só, sem paradas, o que quase me resultou em um infarto, mas chegamos. Logo que atingimos o cume, lá no mirador, as nuvens tomaram conta da cratera, e nos obrigou a ir em direção ao hotel, pois já não havia nada para ver. Claro que antes fomos tomar uma cerveja, até para comemorar o programa que tínhamos acabado de desfrutar.

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Vilarejo novo

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Nosso super hotel

Logo que chegamos de volta no hotel, constatamos que éramos os únicos hóspedes do hotel, o grupo de americanos tinha somente passado o dia por lá, e já tinha retornado para Quito. Com a neblina, o frio, e depois a chuva torrencial que começou a cair, e em um hotel fantasma, comecei a ter a sensação de que estava no filme “O Iluminado”, do Jack Nicholson. Descemos para jantar, e o cozinheiro, que era uma figura, fez um belo jantar para nós. Só aquele jantar já valia os 20 dólares que pagamos.

Outro detalhe : não havia calefação no hotel, apenas um aquecedor portátil no restaurante. Depois do jantar, com toda aquela chuva, e sem internet, não havia outra coisa à fazer se não dormir, antes das 9 da noite.

 
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Posted by on April 24, 2017 in Ecuador, Equador

 

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