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Resumo da Viagem – Irã

10 Mar

Todas as vezes que me perguntaram para onde eu estava indo, e eu mencionava o Irã, só tinha 2 reações : ou a pessoa reagia com frases tipo “tá maluco?”, “não tem um lugar menos perigoso?”, “o que que você tem na cabeça? nada?”, etc, ou a pessoa ficava em um silêncio total, mas pensava em algumas destas perguntas. Não tive nenhuma reação do tipo : “que legal”, “também queria ir”. Com exceção da minha mãe, que queria e ainda quer muito ir para lá. Mas o fato é que apesar do tal frio na barriga, de ir para um lugar considerado sinistro, de difícil acesso, onde há poucos turistas, no fundo eu sabia que ia adorar, que ia conhecer um país onde a grande atração é o povo, além da cultura milenar. Eu já tinha lido muito e ouvido pouco sobre o Irã, e eram unanimidade as opiniões, principalmente sobre as experiências positivas. Mesmo assim, eu confesso que me surpreendi. Não só com a amabilidade do povo, não foi uma grande surpresa, mas mais do que eu esperava, mas também com a facilidade de se viajar por lá. Tudo é tranquilo, transportes, hotéis, informações, trocar dinheiro, comer, etc. Mesmo nos lugares mais remotos que visitei se consegue se virar. É verdade que fui nos lugares turísticos, ou em cidades grandes, como Tabriz, e assim ficou mesmo mais fácil.

Política : como eu já havia escrito antes, política é um assunto extremamente delicado no Irã. Claro que a maioria das pessoas quer falar sobre política, sobre o que acontece fora do Irã, das perspectivas do país, e principalmente quer saber o que os estrangeiros pensam do país. Mas o fato é que para se ter esta experiência tão positiva no país, o viajante deve esquecer de política. Pois caso contrário, não vai gostar do que vai ver. O povo é extremamente reprimido, e principalmente controlado. Nas ruas, não passa nada sem o controle do governo. A religiosidade extrema às vezes esconde um povo que quer dar seu grito de liberdade, quer tirar o véu da cabeça, quer colocar um bom par de bermudas (principalmente no verão escaldante), quer interagir com outros povos, quer namorar na rua, quer beber (será !?), enfim, uma liberdade absolutamente inexistente no país. Até em Cuba eu vi mais liberdade, apesar de todo o controle que lá existe também. Pelo menos em Cuba as pessoas podem se divertir. No Irã, somente entre quatro ou mais paredes. O resumo que eu fiz é bom adequado : se você não tem intenção de derrubar o governo, pode-se tudo no Irã, desde que escondido, ou que você suborne a polícia. Agora, se tiveres segundas intenções com relação ao governo, tome cuidado, sua vida corre perigo. Uma pena!

Povo : medalha de ouro total. Poucas vezes fui tão bem tratado, com tanta simpatia genuína. É claro que há outros povos que também merecem medalha de ouro, poderia aqui citar alguns (Vietnã, Bangladesh, Líbano, Etiópia e Uganda são alguns deles). Experiências maravilhosas, de gente que queria nos conhecer, nos ajudar, sem querer nada em troca. Acho que muitos fazem porque são assim outros por conta da religião, e alguns por que esperam que quando voltemos para casa, passemos adiante uma opinião positiva sobre o país e o povo. Eles reconhecem que são vistos fora do país como um bando de lunáticos, terroristas, que odeiam à todos e tudo que vem do ocidente. Nada mais errado. Totalmente o contrário. Estou escrevendo tudo isso, tentando não me lembrar dos excelentes papos que tive com o Sayeed, aí eu fico mais parcial.

Comida : quando chegamos ao Irã, meu estoque de chocolate já estava no fim, e realmente não precisamos nem comprar mais. Além da comida ser ótima e barata, existe uma fábrica iraniana de Magnum, aquele sorvete delicioso, que no Brasil é o mais caro do freezer. No Irã o gosto do sorvete é o mesmo, e é muito barato. Então eram 2 ou 3 por dia. e meu regime foi pro espaço. Claro que comi muito kebab, e aquele pão árabe que eu adoro. Nesse ponto o Leo sofreu um pouco, pois sendo vegetariano, teve que batalhar um pouco mais para encontrar um menu adequado. Não tive nenhuma inveja dele.

Hotéis : ficamos em hotéis o tempo todo. O de Tabriz era mais simples, mas os outros foram fantásticos. O de Yazd não tinha luxo no quarto, mas o ambiente do hotel era mágico, muita troca de informações e experiências. Foram os melhores hotéis da viagem. O mais caro foi o de Teerã, que custava US$ 90 para um quarto triplo, com café da manhã. Uma pechincha.

Transporte : muito fácil de pegar. Primeiro o excelente trem de Tabriz até Teerã. Depois pegamos ônibus VIPs, com ar condicionado e tudo. Alguns táxis também, pois para ir até Abyaneh, como a Angélica diz, só de táxi. Dentro das cidades testamos ônibus e metro (em Teerã). A experiência de andar de ônibus, onde homens andam na frente e mulheres atrás foi estranha, e para mim meio constrangedora. Não gostei desta discriminação. No metro de Teerã é assim também, os últimos carros são para mulheres ou casais. Transporte foi um dos pontos altos da viagem, certamente.

Vistos : o visto foi tirado em Brasília, sem eu ter posto os pés na embaixada. Muito simples, sem burocracia. Para quem chega de avião, é possível tirar no aeroporto, mas como não era nosso caso (entramos por terra), tivemos que tirar antes. Graças à amizade do Lula com o Ahmadinejad, tudo ficou fácil para brasileiros.

Segurança : 200%. Um dos lugares mais seguros que já visitei. Claro que tudo pode mudar no futuro. Eu disse a mesma coisa quando visitei a Síria. Mas hoje posso afirmar que não há qualquer chance de acontecer nada de violento. Arrisco dizer que também são mínimas as chances de se ter algo furtado em qualquer lugar do país. Me senti assim o tempo todo.

Outros viajantes : como escrevi antes, não havia tantos turistas assim. Claro que americanos não são bem vindos, mas tem um pouco mais de europeus que no Cáucaso. Principalmente em Isfahan, que é o lugar mais turístico. vimos grupos de italianos, espanhóis e alemães por lá.

Planejamento : para o pouco tempo que tínhamos, acho que vimos o principal. Não acho que perdemos muitos lugares, apenas fiquei com vontade de sair um pouco da rota turística, conhecer vilarejos que não tivessem turistas. E ir até Mashhad, que é a cidade mais religiosa do Irã. Mas fica no nordeste do país, perto da fronteira com o Turcomenistão, e ficava bem longe da nossa rota. Pena.

Companhia : bem, a do Khouri durou no Irã por 2 cidades, Tabriz e Teerã. Lamento, pois eu sabia que ele queria muito continuar a viagem. Sobramos eu e o Leo, que me aturou até o final. Já veterano de outras aventuras, não tivemos problemas, quanto mais em um lugar tão fácil de viajar. Voltamos com o eterno gostinho de querer mais, de começar a pensar nas próximas viagens. É realmente uma doença incurável (Graças à Deus!).

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2 Comments

Posted by on March 10, 2015 in Caucasus, Cáucaso, Iran, Irã

 

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2 responses to “Resumo da Viagem – Irã

  1. valéria Ribas de Oliveira

    August 4, 2016 at 8:45 pm

    parabéns pela bela viagem. roteiro muito bom!1 vou em novembro ao Iran e gostaria de conhecer a georgia tb. o que vc me aconselha? qual país ir primeiro?? avião ou onibus? grata pelas orientações.

     
    • Africa Trip 2001

      August 4, 2016 at 10:19 pm

      Valeria,

      Fiz essa viagem por terra, da Georgia para a Armenia, e depois o Iran. Não consegui comprar voos daqui, por isso fui por terra. A viagem é interessante, porém um pouco longa, pois tem que passar por Tabriz, que não é muito turística e sul da Armênia, que vale à pena. Tudo depende de quanto tempo tens, e se queres ir à Armenia também (já que Goergia e Iran não fazem fronteira). A viagem por terra seria : Tbilisi – Erevan por trem, depois Erevan – Goris de ônibus. De Goris para Tabriz é que tem que dividir em 2 partes, que são simples : carro até a fronteira, e quando passa a fronteira, outro carro para Tabriz. De lá, fomos de trem noturno para Teerã. Se tiver mais dúvidas, me avise.

      E boa viagem! O Iran é maravilhoso!!!

       

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