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Category Archives: Irã

Resumo da Viagem – Irã

Todas as vezes que me perguntaram para onde eu estava indo, e eu mencionava o Irã, só tinha 2 reações : ou a pessoa reagia com frases tipo “tá maluco?”, “não tem um lugar menos perigoso?”, “o que que você tem na cabeça? nada?”, etc, ou a pessoa ficava em um silêncio total, mas pensava em algumas destas perguntas. Não tive nenhuma reação do tipo : “que legal”, “também queria ir”. Com exceção da minha mãe, que queria e ainda quer muito ir para lá. Mas o fato é que apesar do tal frio na barriga, de ir para um lugar considerado sinistro, de difícil acesso, onde há poucos turistas, no fundo eu sabia que ia adorar, que ia conhecer um país onde a grande atração é o povo, além da cultura milenar. Eu já tinha lido muito e ouvido pouco sobre o Irã, e eram unanimidade as opiniões, principalmente sobre as experiências positivas. Mesmo assim, eu confesso que me surpreendi. Não só com a amabilidade do povo, não foi uma grande surpresa, mas mais do que eu esperava, mas também com a facilidade de se viajar por lá. Tudo é tranquilo, transportes, hotéis, informações, trocar dinheiro, comer, etc. Mesmo nos lugares mais remotos que visitei se consegue se virar. É verdade que fui nos lugares turísticos, ou em cidades grandes, como Tabriz, e assim ficou mesmo mais fácil.

Política : como eu já havia escrito antes, política é um assunto extremamente delicado no Irã. Claro que a maioria das pessoas quer falar sobre política, sobre o que acontece fora do Irã, das perspectivas do país, e principalmente quer saber o que os estrangeiros pensam do país. Mas o fato é que para se ter esta experiência tão positiva no país, o viajante deve esquecer de política. Pois caso contrário, não vai gostar do que vai ver. O povo é extremamente reprimido, e principalmente controlado. Nas ruas, não passa nada sem o controle do governo. A religiosidade extrema às vezes esconde um povo que quer dar seu grito de liberdade, quer tirar o véu da cabeça, quer colocar um bom par de bermudas (principalmente no verão escaldante), quer interagir com outros povos, quer namorar na rua, quer beber (será !?), enfim, uma liberdade absolutamente inexistente no país. Até em Cuba eu vi mais liberdade, apesar de todo o controle que lá existe também. Pelo menos em Cuba as pessoas podem se divertir. No Irã, somente entre quatro ou mais paredes. O resumo que eu fiz é bom adequado : se você não tem intenção de derrubar o governo, pode-se tudo no Irã, desde que escondido, ou que você suborne a polícia. Agora, se tiveres segundas intenções com relação ao governo, tome cuidado, sua vida corre perigo. Uma pena!

Povo : medalha de ouro total. Poucas vezes fui tão bem tratado, com tanta simpatia genuína. É claro que há outros povos que também merecem medalha de ouro, poderia aqui citar alguns (Vietnã, Bangladesh, Líbano, Etiópia e Uganda são alguns deles). Experiências maravilhosas, de gente que queria nos conhecer, nos ajudar, sem querer nada em troca. Acho que muitos fazem porque são assim outros por conta da religião, e alguns por que esperam que quando voltemos para casa, passemos adiante uma opinião positiva sobre o país e o povo. Eles reconhecem que são vistos fora do país como um bando de lunáticos, terroristas, que odeiam à todos e tudo que vem do ocidente. Nada mais errado. Totalmente o contrário. Estou escrevendo tudo isso, tentando não me lembrar dos excelentes papos que tive com o Sayeed, aí eu fico mais parcial.

Comida : quando chegamos ao Irã, meu estoque de chocolate já estava no fim, e realmente não precisamos nem comprar mais. Além da comida ser ótima e barata, existe uma fábrica iraniana de Magnum, aquele sorvete delicioso, que no Brasil é o mais caro do freezer. No Irã o gosto do sorvete é o mesmo, e é muito barato. Então eram 2 ou 3 por dia. e meu regime foi pro espaço. Claro que comi muito kebab, e aquele pão árabe que eu adoro. Nesse ponto o Leo sofreu um pouco, pois sendo vegetariano, teve que batalhar um pouco mais para encontrar um menu adequado. Não tive nenhuma inveja dele.

Hotéis : ficamos em hotéis o tempo todo. O de Tabriz era mais simples, mas os outros foram fantásticos. O de Yazd não tinha luxo no quarto, mas o ambiente do hotel era mágico, muita troca de informações e experiências. Foram os melhores hotéis da viagem. O mais caro foi o de Teerã, que custava US$ 90 para um quarto triplo, com café da manhã. Uma pechincha.

Transporte : muito fácil de pegar. Primeiro o excelente trem de Tabriz até Teerã. Depois pegamos ônibus VIPs, com ar condicionado e tudo. Alguns táxis também, pois para ir até Abyaneh, como a Angélica diz, só de táxi. Dentro das cidades testamos ônibus e metro (em Teerã). A experiência de andar de ônibus, onde homens andam na frente e mulheres atrás foi estranha, e para mim meio constrangedora. Não gostei desta discriminação. No metro de Teerã é assim também, os últimos carros são para mulheres ou casais. Transporte foi um dos pontos altos da viagem, certamente.

Vistos : o visto foi tirado em Brasília, sem eu ter posto os pés na embaixada. Muito simples, sem burocracia. Para quem chega de avião, é possível tirar no aeroporto, mas como não era nosso caso (entramos por terra), tivemos que tirar antes. Graças à amizade do Lula com o Ahmadinejad, tudo ficou fácil para brasileiros.

Segurança : 200%. Um dos lugares mais seguros que já visitei. Claro que tudo pode mudar no futuro. Eu disse a mesma coisa quando visitei a Síria. Mas hoje posso afirmar que não há qualquer chance de acontecer nada de violento. Arrisco dizer que também são mínimas as chances de se ter algo furtado em qualquer lugar do país. Me senti assim o tempo todo.

Outros viajantes : como escrevi antes, não havia tantos turistas assim. Claro que americanos não são bem vindos, mas tem um pouco mais de europeus que no Cáucaso. Principalmente em Isfahan, que é o lugar mais turístico. vimos grupos de italianos, espanhóis e alemães por lá.

Planejamento : para o pouco tempo que tínhamos, acho que vimos o principal. Não acho que perdemos muitos lugares, apenas fiquei com vontade de sair um pouco da rota turística, conhecer vilarejos que não tivessem turistas. E ir até Mashhad, que é a cidade mais religiosa do Irã. Mas fica no nordeste do país, perto da fronteira com o Turcomenistão, e ficava bem longe da nossa rota. Pena.

Companhia : bem, a do Khouri durou no Irã por 2 cidades, Tabriz e Teerã. Lamento, pois eu sabia que ele queria muito continuar a viagem. Sobramos eu e o Leo, que me aturou até o final. Já veterano de outras aventuras, não tivemos problemas, quanto mais em um lugar tão fácil de viajar. Voltamos com o eterno gostinho de querer mais, de começar a pensar nas próximas viagens. É realmente uma doença incurável (Graças à Deus!).

 
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Posted by on March 10, 2015 in Caucasus, Cáucaso, Iran, Irã

 

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Shiraz – destino final da viagem

Shiraz já foi capital do Irã na era Zand, e hoje, com seus 2 milhões de habitantes, é um centro cultural e educacional. Uma cidade grande, com sua avenidas largas, viadutos e subúrbios. Ficamos no centro, na avenida principal da cidade (Karim Khan-e Zand Boulevard) o que nos permitiu fazer à pé todos os principais passeios. Depois de voltar de Persépolis, ainda tínhamos um final de tarde e mais um dia inteiro em Shiraz, antes de voltarmos para casa. Seriam as últimas horas da viagem. Primeiro partimos para conhecer o Bazar. Para chegar lá, precisamos passar pelo Arg-e Karim Khan (Citadela de Karim Khan). É toda rodeada por muros altos, com 12m de altura, e me chamou a atenção suas torres inclinadas. Foi construída obviamente com intuitos militares, e está muito bem conservada.

Shiraz - avenida principal

Karim Khan-e Zand Boulevard

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Shiraz

Arg-e Karim Khan

Depois fomos para o Bazar. Mais do que conhecer, o objetivo era iniciar uma pesquisa de preços para fazer as últimas compras da viagem, principalmente na ala dos tapetes. Ir ao Irã e não trazer pelo menos um tapete equivale à ir à França e não trazer uma garrafa de vinho, um queijo francês e uma baguete hehe. Em uma cidade deste porte, é claro que o Bazar e redondezas concentravam a grande maioria do comércio. Uma verdadeira multidão. Claro que não chegava aos pés de Teerã, mas tinha bastante vida.Havia na verdade vários bazares, mas o principal era em formato de cruz, e tem sua arquitetura ligada ao período zand, quando Shiraz foi um importante centro de comércio. No meio de tudo, uma mesquita, a Masjed-e Vakil, a única mesquita remanescente do período Zand. Conseguimos fazer as últimas compras, não deu para reclamar dos preços e da variedade no Bazar. Não ficou devendo nada ao de Teerã e ao de Isfahan.

Mais um bazar

Mais um bazar

Agora dá pra saber o que é o que...

Agora dá pra saber o que é o que…

Ala dos tapetes feitos à mão

Ala dos tapetes feitos à mão

Mais uma mesquita

Masjed-e Vakil (Vakil Mosque)

Entre a cidade velha, onde ficam o Bazar e a mesquita, há um comércio de rua pulsante, com muitas lojas de moda.

Tá com sede?

Tá com sede?

Moda iraniana

Moda iraniana

Antes de pegarmos o táxi para o aeroporto, o último jantar, para comemorar esta viagem rica e maravilhosa. E a foto dos últimos sobreviventes.

A última ceia (literalmente)

A última ceia (literalmente)

 
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Posted by on February 18, 2015 in Iran, Irã

 

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Persépolis – aula de história

Magnífica!

Essa é a palavra que pode descrever Persépolis. Me senti até como uma miniatura, ao contemplar este local, e imaginar o que já foi, e o que representou. Para entender um pouco melhor sua magnitude, preciso fazer uma breve introdução histórica.

O Império Aquemênida foi um império iraniano, fundado por Ciro, o Grande, no século VI a.c., e que no seu auge, se estendeu desde onde hoje fica o Paquistão até a Macedônia, depois da Grécia, e também ao Egito, passando por todo o Oriente Médio. Sua religião era o zoroastrismo, e a língua oficial era o persa antigo, derivada da tribo Parsua (Persa). Daí a origem dos iranianos, que não são, e não gostam de serem chamados de árabes. São persas. Sua derrocada se deu quando da invasão de Alexandre, o Grande (aparentemente todo mundo era Grande, naquela época), em 334 a.c.. Ficaram as ruínas do que foi uma das capitais do império, e que mostra a sua importância na época. As ruínas ficaram esquecidas por séculos, até serem descobertas em 1930, o que revelou ao mundo sua glória.

Bem, após uma longa noite no ônibus, vindos de Yazd, chegamos cedo em Shiraz. Deixamos as coisa no hotel, descansamos um pouco e partimos com um táxi fretado para Persépolis, que fica à 70 kms de distância. O local não tem nenhuma sombra, e não vou me alongar sobre o calor inclemente que fazia. Então é só fazer as contas.

As fotos de cima já dão uma ideia do tamanho, e da grandiosidade do que Persépolis foi. Por outro lado, mostra também o nível da destruição, não sobrou muita coisa. Então há que visitar o local com a mente aberta, pois muito do que vemos está mais na imaginação do que na vista propriamente dita. Mas nem pensem que não vale à pena o trabalho todo de vir até aqui. Vale cada grau de calor.

Persépolis - de cima

Persépolis – de cima

mais ruínas

mais ruínas

ruinas mirins

ruinas mirins

São tantas as alternativas de fotos, que fica até difícil de escolher. É só para ter uma ideia. Eu que nem gosto muito de ruínas, fiquei encantado e impressionado com o que vi.

Sobrou pouco...

Sobrou pouco…

Espetáculo

Espetáculo

Muita história

Muita história

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Arte pura

Arte pura

Grandiosidade

Grandiosidade

Olha que nem ficamos muito tempo por lá. Deu para ver tudo, em uma velocidade um pouco maior do que a ideal, mas é um daqueles programas obrigatórios em uma viagem ao Irã. Nem que eu quisesse, eu conseguiria explicar cada parte do complexo. Para isso existem os guias de viagem.

 
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Posted by on February 12, 2015 in Iran, Irã

 

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Yazd – muita história e muito calor

Depois de um caminhão de emoções de Isfahan, partimos para Yazd. A viagem foi mais ou menos a mesma das outras que fizemos de ônibus. Paisagem desértica, estrada ótima, muito sol e calor, mas o ônibus era VIP, com ar condicionado. Na estação em Isfahan, o Saeed disse ao motorista que éramos brasileiros e amigos do Neymar, que precisávamos de tratamento especial. Não é que na segunda parada o motorista saltou do ônibus, e preparou 2 canecas de chá, e nos serviu. Somente para nós 2. Não sabia se ficava envergonhado, ou se me matava de rir. O cara é mesmo uma figura.

Na chegada, pegamos um taxi que nos levou ao nosso hotel o Silk Road Hotel. Era o mesmo estilo do hotel de Kashan, com uma área comum bem estilosa, onde os hóspedes se encontram e trocam experiências. O quarto não era lá essas coisas. Mas não tínhamos tempo a perder. Já tinha anoitecido e eu tinha combinado de me encontrar com o Majid, um iraniano que conheci em Tbilisi. Ele me disse que era de Yazd, e que ia me mostrar a cidade. Nós trocamos algumas mensagens nestes dias, e deu certo.

Ele veio com um amigo, e partimos para um passeio. Fomos primeiro até a Jameh Mosque, que ficava em frente ao hotel. Nos explicaram muitas coisas sobre a mesquita e sobre a vida no Irã. Após duas sessões intensas de papo com o Saeed, confesso que me senti meio estranho. Os caras estavam com a maior das boas vontades, mas a realidade é que eles eram muito formais, e por qualquer parâmetro que eu pudesse usar, era meio que um anticlimax. Além de passearmos pelo Bazar e ruelas próximas, nos levaram para comer uma snack super estranho e doce. Era quinta-feira,, véspera do domingo islâmico, e as ruas já estavam vazias. Mas deu para um ótimo passeio, e também pata termos um visual diferente, dos prédios antigos de Yazd à noite, iluminados.

Yazd

Yazd

Yazd

Yazd

Yazd é uma das cidades mais antigas do mundo. Dizem que está há mais de 7.000 anos continuamente habitada. Suas casa e prédios são feitos de barro, e dá aquela sensação monocromática que tivemos em Kashan. Só que aqui, por ser no coração do deserto, há muitas torres de vento, chamadas badgirs. nada mais são que ar condicionados medievais. A cidade velha é uma coleção de prédios antigos, um desfile de obras de arte. Sexta-feira é o feriado deles, e não havia uma alma viva na cidade velha. Começamos o dia pela Janeh Mosque, que como havia escrito, ficava em frente do hotel.Seus minaretes t}em 48m de altura, o que equivale à um edifício de 16 andares.

Depois andamos pra cima e pra baixo, e nada de vermos gente. Algumas crianças jogando bola (de calças compridas, é claro), e um ou outro morador. O calor estava nos fritando, era uma verdadeira maratona fazer turismo nessas condições. Estranho ver o Bazar 100% fechado, nem para comprar água dava.

Yazd

Jameh Mosque

Yazd

Dentro da Jameh Mosque

Yazd

Bazar vazio

Yazd

Badgirs – torres de vento

Yazd

Meu novo amigo iraniano

Yazd

ruelas de Yazd

Yazd

Visual de Yazd, visto de cima

Yazd

Yazd

Fora da cidade velha também tinham algumas atrações, como o Amir Chakhmaq Complex, um takieh, um prédio utilizado para as comemorações da morte do Iman Houssein. É um dos maiores do Irã. No térreo há um mini bazar, onde a galera faz refeições típicas iranianas.

Yazd

Amir Chakhmaq Complex

Yazd

Só escolher o almoço

De volta ao hotel, no meio da tarde,, pois o calor nos impedia de fazer qualquer coisa a mais. O fato de ser feriado também nos impediu de sair de novo, pois estava tudo fechado. Então decidimos curtir a área social do hotel, e jantarmos. Nosso ônibus para Shiraz sairia às 22:30, então tivemos bastante tempo por lá.

Yazd

Silk Road Hotel

Uma pena que Yazd foi vista em uma sexta-feira, perdemos suas principais atrações. Há algumas fora da cidade. Há que se mencionar que Yazd é o centro do zoroatrismo, que é a religião dos antigos persas, antes da chegada do islã. Mas de fato o potencial turístico é enorme, Yazd era uma das principais paradas da Rota da Seda, e sua importância histórica é única. Vale a visita, de preferência em um dia útil.

 
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Posted by on February 7, 2015 in Iran, Irã

 

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Isfahan – mais um dia espetacular

Depois de um dia super intenso como ontem, hoje ainda tínhamos muito pela frente. Acordamos e partimos para conhecer a Jameh Mosque. Para chegar lá caminhando, tivemos que passar pela Iman Square de novo, depois adentrar o Bazar pela entrada principal, e cruzá-lo de ponta a ponta, pois a Jameh Mosque fica do outro lado. No mapa parece perto, mas demoramos mais de uma hora para chegar lá. Até porque paramos algumas vezes para fotos e observar o cotidiano iraniano. Só o Bazar tem 1 km de comprimento. A Jameh Mosque tem mais de 800 anos, e é a maior mesquita do Irã. Além disso, é altamente ativa, muito utilizada no dia a dia pelos iranianos. E é um super museu, realmente impressionante.

Jameh Mosque

Jameh Mosque

Espetáculo

Espetáculo

Jameh Mosque - obras de arte

Jameh Mosque – obras de arte

Só no Irã

Só no Irã

Teto fantástico

Teto fantástico

Depois de perambular por todos os compartimentos da mesquita, saímos e fomos rodar pelos mercados e ruelas ao redor da mesquita e do Bazar. Apesar de um pouco apressados, nos tomou bastante tempo, pois foram muitas as paradas para fotos, beber e beliscar algo na rua mesmo. Seguramente faz parte da experiência de Isfahan.

mercado fora do Bazar

mercado fora do Bazar

Fornecedor da KFC iraniana

Fornecedor da KFC iraniana

Na volta em direção à Iman Square, achamos uma super praça, novinha, nem inaugurada ainda, quase do tamanho da Iman Square, que se tornará um novo mercado, pois ela é toda rodeada de lojinhas. Fico imaginando o que havia lá antes, pois a área é enorme.

nova praça, com novas lojas

nova praça, com novas lojas

Voltamos para dentro do Bazar, até porque o calor não dava trégua. Cruzamos a Iman Square de volta e resolvemos ir até o Rio Zayandeh, que fica na outra direção, mais uns 40 minutos andando. Chamo de rio pois é o que diz o mapa, pois não havia uma única gota d’água para contar a história. Além de estarmos lá no verão, dizem que Yazd está desviando a água de Isfahan, e não passava água por lá havia mais de 5 anos. Depois de alguns meses eu vi fotos da água de volta, o que deve ser um espetáculo à parte. Enfim, existem 11 pontes medievais em Isfahan, 6 delas cruzam o Rio Zayandeh. Algumas delas são verdadeiras obras de arte. Todo o entorno do rio é tomado por um parque, o que torna bem agradável caminhar pelas margens, cruzar uma ponte e voltar por outra, e assim conhecê-las melhor. Algumas nem dão passagem para veículos, somente pedestres. Muitos iranianos se refugiam do calor em baixo delas, alguns para conversar, outros para dormir mesmo. Nem sabia que havia siesta no Irã. Os únicos senões deste passeio foram o calor e a falta de água no rio, no mais, é imperdível. E à noite, dizem que fica tudo iluminado. Infelizmente não fomos lá à noite, pois tínhamos outros planos.

lojinha

lojinha

Que diabo de loja é essa?

Que loja é essa?

Isso é uma ponte

Isso é uma ponte, só falta a água

Essa ponte não tem tráfego de veículos

Essa ponte não tem tráfego de veículos

galera descansa de baixo da ponte

galera descansa de baixo da ponte

Nosso plano só podia ser voltar para a Iman Square. Desta vez fomos até a Sheikh Lotfollah Mosque, que fica na praça, mas estava fechada. Confesso que naquela altura já tínhamos recebido uma overdose de mesquitas, e nem demos muita bola para o fato de não podermos entrar. Depois me arrependi um pouco, pois dizem que esta mesquita, apesar de não taõ grandiosa como as outras, é também espetacular.

Sheikh Lotfollah Mosque

Sheikh Lotfollah Mosque

De lá voltamos para a praça, a fim de observar o mundo social iraniano. Descobrimos vários “fiscais” da moralidade, isto é, agentes especiais que ficam observando a multidão, e reprimindo qualquer tipo de comportamento que vai de encontro ao que prega o governo. Aí pode estar incluído alguém que queira vender algo sem licença, e até casais que não poderiam demonstrar afeto. Isso mesmo, qualquer casal que demonstre algum afeto é rapidamente parado e questionado sobre o grau de relacionamento. Se não for casado de fato, não pode, e se cruzar o limite estabelecido pelo governo, pode até ser preso. Encontramos um adolescente, que ficou de papo conosco por um bom tempo, e nos explicou o procedimento para pedir alguma menina em namoro. Ele tem que pedir para a mãe dele ligar para a mãe dela, e marcar o encontro. Se a menina não quiser, a mãe dela dá uma desculpa que seja socialmente aceita, como por exemplo que ela tem que estudar, e aí o namoro não engrena. Caso ela queira evoluir, todos os encontros se dão na casa de um deles, só depois de muito tempo eles podem caminhar juntos pela rua. Ele não achou nada demais, até porque ele só conhece este procedimento.

Passeio de charrete

Passeio de charrete

Foto de família

Foto de família

mais especiarias

mais especiarias

Depois de muito caminhar, observar, comprar, e finalmente comer, resolvemos tomar um café no mesmo lugar da noite passada. Estávamos do lado de fora do café, sentados, quando fomos abordados por 2 iranianos, que pediram permissão para sentar conosco. É claro que demos, e o papo foi evoluindo de uma maneira, que quando vimos, o Bazar já estava fechando, e já era hora de irmos dormir. O Dar é um iraniano que vive nos Estados Unidos, e vem de vez em quando ao Irã visitar a família. Muito gente fina, simpático, e ficou mais perto de Leo, engrenou um papo com ele. O outro era o Saeed, uma verdadeira figuraça. O cara tinha pelo menos 2 parafusos à menos. Confesso que foi o papo mais interessante não só desta viagem, mas da maioria delas. Ele é um artista, super politizado, com parentes que trabalham no governo, e tem uma visão toda singular da realidade iraniana. Ele vive viajando, já morou em outros países, namorou estrangeiras, e tem um senso de humor bem ácido. Resumindo o que ele falou : se no Irã você não tem interesse em derrubar o governo, o resto é permitido. Desde que seja entre 4 paredes. mas se você quiser enfrentar o governo, não terá nenhuma chance. As histórias que ele contou são super interessantes, e pena que o tempo acabou. Fomos andando até o hotel, e o papo não acabava. Ele perguntou que horas íamos embora de Isfahan no dia seguinte, eu falou que ia ser às 12:30, ele então nos convidou para um café da manhã no dia seguinte. Convite feito, convite aceito. No dia seguinte acordamos cedo, e saímos do hotel com a bagagem, rumo ao bairro armênio. Era uma das atrações de Isfahan, e nem tinha dado tempo para a gente conhecer esta região. Ficamos procurando um local para sentar, a maioria estava fechada. No caminho, me apontou os locais que vendem bebidas alcoólicas na clandestinidade, e outro que vende drogas. É só saber os locais e conhecer as pessoas certas. Até que ele nos levou à um restaurante de um amigo dele. O local tinha sido um hamman, isto é, um local para banho turco, e foi transformado em restaurante. O dono era bem amigo dele, e nos serviu o melhor café da manhã da viagem. Claro que o papo continuou, e continuava rolando até que chegou a hora de partirmos. Dei pro Saeed uma camisa da seleção brasileira, ele quase teve um ataque do coração de felicidade. Além de não deixarem a gente pagar nada, nos levaram até a estação de ônibus,e ficaram conosco até o ônibus partir. Apesar da alegria de ter encontrado pessoas tão legais e interessantes, ficou uma sensação ruim, já conhecida, de saber que provavelmente nunca mais ia encontrar esses caras de novo no futuro. Mas certamente vão ficar na minha memória, e serviram de mais para incrementar minha opinião positiva sobre o Irã.

Nossos amigos Saeed e Dar, o melhor café da viagem

Nossos amigos Saeed e Dar, o melhor café da manhã da viagem

Saeed com minha lembrancinha

Saeed com minha lembrancinha

Passagem para...

Passagem para…

 
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Posted by on February 2, 2015 in Iran, Irã

 

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Isfahan – A apoteose iraniana

Fiquei procurando uma maneira de descrever Isfahan. É difícil. Busquei então ajuda no Lonely Planet, que faz uma descrição muita próxima do que eu faria. “Isfahan é a obra prima do Irã,a joia da Pérsia antiga, e uma das melhores cidades do mundo islâmico.” Quando eu fiz meu roteiro, imaginava que Isfahan seria o ponto alto da viagem. Não podia estar mais certo. Vou primeiro descrever o que fizemos, assim dá para ter uma ideia melhor quando for concluir no final.

Chegamos de Abyaneh, e o carro nos deixou direto no nosso hotel. Já começamos com o pé direito aí, pois além do hotel ser muito bom, era muito bem localizado também. na verdade era um apartamento, com quarto, sala, cozinha e banheiro. Dava pra ficar uma família inteira. E bem novinho, limpo e moderno. Deixamos as coisa lá, e fomos direto para a Iman Square.

Originalmente chamada de Naqsh-e Jahan, que significa “padrões do mundo”, a Iman Square é o ponto central da cidade, a segunda maior praça do mundo (atrás da Tiananmen Square, em Beijing). Ela tem 512m de comprimento por 163m de largura. Dá para construir um shopping de grande porte dentro dela. Ali se encontram simplesmente 2 mesquitas, um palácio e o Bazar de Isfahan. A praça é monumental. Tinha muita gente à tarde, mas ainda não tínhamos visto nada. Fomos direto para a Iman Mosque. Essa também é difícil de descrever. A mais bonita do Irã, na minha opinião. Ela foi construída em direção à Meca, portanto após entrarmos, vimos que ela é quase que diagonal à praça. Isso não importa, cada compartimento é uma obra de arte à parte. Pena que por causa do calor, havia uma tenda na área central, que nos impediu de tirar fotos melhores. Lá conhecemos um clérigo, que ficou batendo papo conosco. Apesar de totalmente pacífico, deu para sentir todo o religiosismo dele, e quão diferente são nossas visões do mundo. Bem interessante.

Gastamos um bom tempo por lá, e quando saímos já era final de tarde mesmo, e foi a hora de começarmos a curtir a Iman Square noturna. Isso mesmo, ela se transforma depois que a noite cai.

Praça

Praça

Praça

Praça

Mesquita

Mesquita

Mesquita

Mesquita

Teto

Teto

Mesquita

Mesquita

Nosso amigo clérigo

Nosso amigo clérigo

As famílias vão chegando e se arrumando nos gramados. Há várias fontes de água, mesmo no verão super árido iraniano. Charretes que levam famílias inteiras para passeios ao redor da praça, crianças batendo bola, brincando, enfim, a praça vai ganhando vida. Não sabíamos para onde olhar direito, cada lado dava para tirar uma foto linda, e a cada passo dava vontade de tirar mais fotos. Claro que a maioria ficou bem repetitiva, mas seria problema para o futuro. O negócio era curtir.

Show

Show

Vai um rango?

Vai um rango?

Logo lembramos que havia um bazar par conhecer. E que bazar! Só a entrada principal do Bazar já é uma atração em si. Lindíssima. São 12 entradas, e obviamente é impossível se localizar lá dentro. Tem mais de 1 km de comprimento, e lá no final ele se liga à outra mesquita, mas só iríamos lá no dia seguinte. O objetivo foi dar uma volta, se perder um pouco, fazer umas comprinhas, afinal é impossível resistir à variedade e qualidade das mercadorias. Tem literalmente para todo gosto.

Entrada do Bazar

Entrada do Bazar

Bazar

Bazar

Saímos do Bazar para uma rua lateral, e assim como nas outras cidades iranianas, há um mundo de comércio ao redor do Bazar. Não dá para ver tudo em um dia, é até meio frustrante ver as horas passarem, e tanta coisa pra ver. A gente estava cansado, mas a excitação era maior do que o cansaço. Finalmente paramos para tomar um café, e o dono logo nos cativou com seu papo amistoso, cheio de elogios para o Brasil. Ficamos lá um tempo, pois realmente era um local bem agradável de ver o mundo passar, e ao mesmo tempo bem aconchegante.

Novos amigos

Novos amigos

Jantar típico iraniano

Jantar típico iraniano

Talhador

Talhador

Jantamos em um restaurante local por ali, depois mais caminhada pela praça. Lembramos que ainda teríamos mais um dia e meio em Isfahan, então nos demos por satisfeitos e voltamos para o hotel, depois de um longuíssimo dia.

Pic nic

Pic nic familiar

 
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Posted by on January 28, 2015 in Iran, Irã

 

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Abyaneh

Saímos de Kashan em direção à Isfahan. Sorte nossa que contratamos um carro com motorista, o que nos permitiu dar uma parada em Abyaneh. Abyaneh fica fora da estrada principal, encravada nas montanhas, e de difícil acesso. Não há transporte público pra lá, ou vai de carro, ou de carona. Isso fez com que se tornasse uma cidade única. Criada há mais de 1.500 anos, Abyaneh parou no tempo. Literalmente. Hoje apenas algumas centenas de velhinhos e velhinhas moram lá, falam um idioma diferente, chamado Middle Persian. A cidade é praticamente toda feita de casas de barro vermelho, ruelas mínimas, a maioria não dá para passar nem um carro, e quase todas inclinadas. Claro que por tudo isso virou atração turística. Mas como praticamente só há turistas iranianos, não havia muitos.

Como fica nas montanhas, no inverno faz um frio de rachar, portanto a cidade foi construída de frente para o sol. No verão é mais fresca, em vez dos 45 graus lá de baixo, estava fazendo uns 37 ou 38 graus. Bem melhor! Ficamos perambulando por lá umas 2 horas, curtindo e tirando fotos, e não foram poucas. Acho que as melhores estão aí abaixo. mas decididamente valeu o passeio.

Abyaneh

Abyaneh

Essa é a parte nova

Essa é a parte nova

Caucasus + Iran 1807

Caucasus + Iran 1815

Caucasus + Iran 1825

Sem comentários

Sem comentários

Paramos no tempo

Paramos no tempo

Caucasus + Iran 1851

Caucasus + Iran 1817

 
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Posted by on January 26, 2015 in Iran, Irã

 

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