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Monthly Archives: January 2016

Mandalay até Siem Reap – 3 países em poucas horas

Pelo título já dá para concluir o que foi este dia. Tínhamos que voar de Mandalay até Bangkok, pois era um voo direto e rápido. Mas como não queríamos e nem tínhamos tempo para perder em Bangkok, nosso plano era ir o mais rápido possível por terra para Siem Reap, no Camboja. Pelas informações que tínhamos, teríamos que pegar um transporte do aeroporto de Bangkok até uma estação de ônibus, e de lá pegar o primeiro ônibus até a fronteira, já que o único ônibus direto para Siem Reap sai de Bangkok pela manhã. E não queríamos dormir em Bangkok. São 257 kms de Bangkok até Poi Pet, na fronteira.

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Saideira de Mianmar

A fronteira fecha à noite, mas também não sabíamos à que horas. O Fabrício tinha estado lá 4 anos antes, e acabou tendo que passar a noite na cidade da fronteira, pois ela já estava fechada quando ele chegou. Então esta era uma possibilidade real para nós. De Poi Pet, na fronteira até Siem Reap são mais 150 kms, e poderíamos chegar lá ainda pela manhã e aproveitar o primeiro dia.

Roteiro Camboja

 

Bem, chegando em Bangkok as 3:15 da tarde, fui direto pegar informações sobre transporte para a estação de ônibus. Antes mesmo de trocar dinheiro, fui abordado por uma tailandês oferecendo transporte para o centro. Negociei com ele para que nos levasse de carro até Poi Pet. Ele topou por 60 dólares, e decidimos partir imediatamente, pois assim teríamos chances de pegar a fronteira aberta ainda. Saímos rapidamente do aeroporto, sem trocar dinheiro. Detalhe : todos já estavam com fome, pois não tínhamos nem almoçado.

Apesar de um bom engarrafamento ainda em Bangkok, logo pegamos a estrada rumo à fronteira. Estrada boa. Uma parada somente, e o motorista comprou água pra nós. Fomos beliscando todos os restos de biscoito, chocolate e qualquer coisa comestível, até que chegamos na fronteira antes das 8 da noite. E ela estava aberta.

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Única foto na Tailândia. O carro que nos levou até à fronteira

Quando saímos do carro, já fui abordado por um cambojano que fica esperando os turista que atravessam a fronteira à pé, como nós, para vender seu serviço de transporte. Rapidamente fechei com ele transporte da fronteira até o nosso hotel em Siem Reap, em dólares. Um detalhe interessante é que, entre a saída da Tailândia até a entrada no Camboja, há 2 hotéis cassinos imensos. Não descobri as regras para entrar nestes cassinos, e nem a que país eles pertencem, já que ficam entre as 2 fronteiras.  O fato é que não quisemos perder tempo com isso, e logo estávamos dentro do carro em direção à Siem Reap. A fronteira, que é bem cheia durante o dia, estava vazia, e passamos super rápido pelas 2 imigrações.

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Esse posto de combustíveis já é mais sofisticado

A viagem demorou mais umas 2 horas e meia, e por volta das 11 e pouco da noite estávamos em Siem Reap. Não sei se podemos considerar que quebramos algum recorde, mas o fato é que passamos menos do que 5 horas na Tailândia, e nem precisamos trocar dinheiro por lá. Foi tudo muito rápido, nem podíamos imaginar que chegaríamos no mesmo dia em Siem Reap.

Ainda bem que tinha negociado com o cambojano para nos deixar no hotel, pois ele queria nos deixar na entrada da cidade, naquela hora, e com chuva. Chegando lá, o nosso hotel estava cheio, pois nossa reserva era apenas para o dia seguinte, e tivemos que procurar outro, debaixo de chuva.  Logo na chegada percebi que o ambiente era outro, que o turismo no Camboja tinha outra dimensão, com suas vantagens e desvantagens. Vou explicar depois.

Depois de conseguir quartos, fomos cuidar da nossa fome, que era senegalesca. Fomos até o Centro de Siem Reap, e para nossa decepção, deparamos com a Rock Street, uma rua cheia de bares, restaurantes, com turistas jovens à procura de diversão barata e errada. Cambojanos oferecendo todo o tipo de droga e prostituição, bares disputando quem tocava a música mais alta, e nós só querendo qualquer coisa comestível. Pelo horário, só conseguimos mesmo uma pizza meio cansada com uma super bem vinda cerveja. Capotamos assim que chegamos ao hotel, mortos de cansaço, mas felizes por tudo ter dado certo naquele dia tão cheio.

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Mandalay

Acordamos cedo, e depois de um bom café da manhã, decidimos alugar bicicletas e explorar a cidade. A primeira parada seria a U Bein Bridge, uma ponte de madeira famosa. Mas como a ponte fica à mais de 10 km do hotel, fizemos várias paradas no caminho. Fotos de tudo que víamos. Preciso mencionar que pedalamos por uma das principais avenidas de Mandalay, e uma verdadeira aventura pedalar neste trânsito maluco. Confesso que foi divertido mais que perigoso, pois é uma confusão só, e acaba que o trânsito flui devagar e só perdíamos em velocidade para as motos.

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Vista do nosso hotel

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Pausa para foto no meio do tráfego

Interessante ver a indústria de estátuas de Buda em profusão, os postos de gasolina improvisados na beira das ruas, enfim o cotidiano de uma cidade grande, de um país que acaba de se abrir aos turistas independentes.

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“Fábrica” de Budas

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Posto de combustíveis improvisado

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Peixes secando ao sol, que higiene…

Chegamos enfim ao Lago Taungthaman. Já dava para ver a ponte, mas tínhamos que contornar o lago até chegarmos lá. E fomos vendo os pescadores, que entram no lago à pé, e ficam pescando perto da beira. O que me chamou muito a atenção foi a sujeira do entorno. Digo do entorno pois já na chegada havia um lixão à céu aberto, desconcertantemente grande. E o lago estava mais para um valão gigante do que um lago propriamente dito. A decepção foi enorme, fiquei me lembrando do Monte Popa, com aquela sujeirada na encosta. E me prometi que não ia comer peixe mais neste viagem.

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Pescadores, com a ponte ao fundo

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Dá para encarar esses peixes?

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Vida de pescador birmanês

A ponte foi construída em 1.850, e serve como passagem para os locais de uma lado do Lago Taungthaman para o outro. Ela é feita de madeira, e tem pouco mais de 1.200m de comprimento. E acabou virando uma atração turística. Assim, há dezenas de lojas e restaurantes de cada lado da ponte. A ponte em si é meio sem graça, mas as pessoas sim eram a verdadeira atração para mim. De novo, quase não havia turistas, apenas os locais, famílias, casais, monges, jovens, idosos, e tudo isso em um dia normal, sem ser feriado nem final de semana.

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Mais vida perto da ponte

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Lojinhas perto do início da ponte

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A ponte!

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E não é que eles vendem os peixes na ponte?

O calor infernal atrapalhou um pouco, mas logo estávamos montados nas nossas bicicletas, tomando o caminho de volta para o centro de Mandalay. Na volta, com muita fome, começamos a procurar um local para comer. Confesso que depois da experiência da noite anterior, mais aquela visão da sujeira no lago, fiquei extasiado quando achamos uma versão asiática do McDonald’s. Era uma lanchonete que copiava o McDonald’s em tudo. E para nós, mesmo sendo uma cópia meio fajuta, foi como se tivéssemos chegado ao paraíso. Fizemos um super rango e partimos em direção ao Palácio de Mandalay, que fica no centro de cidade.

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Monjas pedindo doações

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McDonald’s asiático que nos salvou. Até o Leo embarcou nessa.

O Palácio é rodeado por um mega canal, com uma ponte de cada lado cruzando o canal, e uma verdadeira muralha que impede a visão do Palácio em si. Naquela altura, já era meio tarde, e queríamos ver o por do sol de cima do Mandalay Hill. Então decidimos abandonar o Palácio e subir o Mandalay Hill. Começamos a subir à pé, mas logo resolvi voltar e pegar minha bicicleta e subir pedalando. O que eu não contava é que a subida é difícil, são mais de 250 metros de altitude, e a bicicleta era jurássica, sem marchas. Então cheguei lá em cima bufando, pingando de suor, mas contente por ter feito mais um pouco de exercício.

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O canal que rodeia a área do Palácio

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O trio e suas potentes bicicletas

Quase chegando lá, um birmanês parou a moto dele no meio da rua, e pediu para tirar uma foto conosco. Com o celular dele.

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Nós viramos atração

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Leão que fica na entrada da escadaria para subir no Mandalay Hill

A vista lá de cima é linda. Dá para ver que a cidade é totalmente plana, fora este morro. E também que há regiões bem desenvolvidas, com hotéis 5 estrelas, e até campos de golfe, para os mais abastados. Lá em cima sim, havia muitos turistas estrangeiros (onde eles tinham ido durante o dia, jogar golfe?). Ficou claro que todos deixam para visitar o Mandalay Hill no final da tarde, pelo espetáculo que é o por do sol lá de cima. Além da vista, o local é bonito, tem Buda, templo, e tudo o mais que um local religioso pede.

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Cheguei acabado lá em cima

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Muitos turistas para ver o por do sol

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Visual lá de cima

Desci já escuro, e fomos jantar. Adivinhem aonde? Por unanimidade escolhemos o McDonald’s asiático, já que perto do hotel as opções não eram das melhores. Mas não deixamos de passar no nosso restaurante de ontem, para pelo menos tomar uma cerveja, desta vez sem os ratos.

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O famoso Mann Restaurant, o dos ratos

Mandalay não é uma obrigação no roteiro em Mianmar, mas acho que também não é uma roubada. No nosso caso, por conta da logística de voos, tinha que estar no nosso roteiro. Bagan é um lugar onde hoje não há muitas opções de voos, então tivemos que esticar até Mandalay. Mais um dia intenso na viagem, mas o próximo seria mais ainda.

 
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Posted by on January 3, 2016 in Mianmar, Myanmar

 

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Monte Popa – boa escolha?

A grande dúvida após o espetacular dia anterior era : gastamos mais um dia em Bagan, ou visitaríamos o Monte Popa?

Acho que ficou claro o quanto eu tinha adorado Bagan, e também a diferença do visual em dia nublado para dia ensolarado. O Fabricio queria tirar fotos do nascer do sol, e claro que aproveitar o dia ensolarado que estava previsto de acontecer. Então ele descartou de cara a visita ao Monte Popa.

Monte Popa fica à 50 km de Bagan, e só dá para ir de carro. Trata-se de um vulcão extinto com uma série de templos no topo. É um visual super diferente e interessante. Já tinha visto em um Globo Repórter, e me pareceu bem interessante. Achei que era melhor conhecer uma atração nova, do que pedalar tudo de novo, e visitar os mesmos templos. Então eu e o Leo decidimos alugar um carro com motorista e checar esta nova atração.

A estrada no início era a mesma que pegamos para chegar em Bagan, mas depois pegamos outra estradinha, mais erma ainda. Como escrevi antes, não dá para correr na estrada pela quantidade de gente, de bicicleta, de motos, todos devagar quase parando. O que para nós foi bom, pois assim podíamos ter uma noção melhor da vida à beira da estrada, escolas, lojas, casas, e claro muitos templos.

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Transporte de massa

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Monte Popa

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Um close. Não vale uma visita?

Chegando lá deu para ver que trata-se de um lugar sagrado para os birmaneses. Pela quantidade de lojas, restaurantes, e até pousadas, achei que tínhamos tomado a decisão correta. Para chegar no topo, mais de 1.000 degraus. Tivemos que subir descalços, pois já se tratava de local religioso. E no caminho há de tudo. Restaurantes, lojinhas, mini templos, mas principalmente macacos. Dezenas de macacos. E com os macacos vêm os dejetos dos macacos. E assim havia várias pessoas limpando os degraus, e pedindo uma recompensa por isso. Mas era como enxugar gelo.

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Entrada do templo, início da escadaria

 

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Macacos na subida

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O que não falta é lojinha…

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Escadaria sem fim

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Lá de cima se vê templos lá em baixo

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Pausa para fotos. Quantas pernas e quantas cabeças?

Depois de algumas paradas para fotos do visual, chegamos no topo. E confesso que depois de tudo o que já tinha visto no país, fiquei um pouco decepcionado. Não era nada de muito especial. Além da questão da sujeira no caminho, havia outro fator que se agravou muito no Monte Popa. Foi a questão ecológica.

 

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Essa já lá de cima

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Peregrino, com as oferendas, em frente ao Buda

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Eu e Leo

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Placas de agradecimento aos doadores, com nomes, datas e valores

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Visual!!!

Depois de visitar muitos países pobres, com pouca consciência ambiental, não seria nenhuma grande surpresa ver sujeira nas ruas,e na beira das estradas. Especialmente em um país pouco desenvolvido, e com pouca interação com o mundo desenvolvido. Daria para entender. Mas em Mianmar a quantidade de sujeira é fora de qualquer padrão aceitável. Incomoda muito. E na subida do Monte Popa, a visão da sujeira que foi atirada durante décadas acumulada na encosta choca qualquer um. É impressionante e decepcionante. Confesso que atrapalhou minha opinião sobre este local. Não consegui esconder o desalento em concluir que nada daquilo será limpo tão cedo, pelo contrário, as pessoas continuam a atirar lixo como se fosse a coisa mais normal do mundo.

As fotos falam um pouco do local. Descemos rapidamente e regressamos à Bagan. Devo dizer que fazia um sol de rachar, e ficou aquela dúvida se tínhamos tomado a decisão correta. Mas já era tarde. Chegamos em Bagan por volta da hora do almoço e pelo menos tivemos tempo de almoçar com calma e esperar a minivan para Mandalay.

O Fabricio mostrou as fotos maravilhosas que tirou pela manhã. O que me impressionou foi ver que havia mais de 100 balões sobrevoando o parque de templos pela manhã. O que minha mãe me disse que quando ela visitou Bagan há alguns anos, havia menos de 10 balões. Dá para imaginar como Bagan será daqui à alguns anos?

Apesar de Bagan ser uma das principais atrações turísticas de Mianmar, e Mandalay ser a segunda principal cidade, a ligação entre elas é a mais rudimentar possível. Uma estradinha que, apesar de asfaltada, é absolutamente secundária, quase não há tráfego. A parada que fizemos para esticar as pernas não poderia ter sido mais sinistra. Já estava escuro, e foi uma aventura até para ir ao banheiro do “restaurante”, se é que dava para achar aquilo de restaurante. Não deu coragem de consumir nada, nem se fosse embalado. O Fabricio se deu bem, tirou algumas fotos noturnas fantásticas, mas a galera da minivan não estava tão empolgada assim.

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Parada na estrada

Chegamos em Mandalay já tarde, perto das 10 da noite. Não sei bem qual é o esquema em Mianmar, mas o fato é que demos o endereço do hotel para o motorista e ele nos deixou na porta. Até chegarmos ao hotel, deu pra perceber que Mandalay é uma cidade grande (mais de 1,2 milhão de habitantes) e desenvolvida para os padrões locais. Só que o hotel fica em uma região com pouco movimento à noite. E estávamos morrendo de fome. Saímos para procurar um lugar para comer. E nos lembramos de Yangon, quando tivemos sufoco para resolver isso, Lá tivemos soret de achar o restaurante italiano. Em Mandalay não tivemos tanta sorte. Achamos sim um restaurante, mas achamos melhor procurar mais. Andamos bastante até acharmos um na própria rua do hotel. Havia outros turistas no local, então concluímos que o sinal estava verde para nós.

Já pedimos uma cerveja e o cardápio. O atendente limpou a mesa com o braço. Não foi um bom começo. Quando a comida chegou, decidimos ignorar praticamente todos os conceitos aprendidos sobre segurança alimentar, pois a fome estava braba,e não haveria outra alternativa. E assim a refeição seguiu até que eu avistei alguns visitantes pouco desejados, passeando pelo restaurante. É verdade que foram poucos ratos, mas o suficiente para acabar com nossa fome. Ninguém pareceu ligar, ou não viram. Então pedimos a conta e fomos dormir, após mais um dia cheio e cansativo.

 
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Posted by on January 1, 2016 in Mianmar, Myanmar

 

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