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Chipre : uma ilha, dois países

22 Nov

Posso dizer que tivemos um dia super cansativo. Acordamos às 3 da matina, fomos devolver o carro alugado, depois fomos para o aeroporto de Reykjavik. Pegamos o voo da Wow às 6:20, companhia islandesa de baixo custo até Londres, onde esperamos por algumas horas até pegarmos o voo da EasyJet até Larnaca, no Chipre. Muitas horas de aeroporto, e muitas horas de voo. Afinal, saímos do norte do Atlântico, à 5 mil quilômetros em linha reta de distância, até o sudeste da Europa, no Chipre, à meros 100 quilômetros de distância da Síria.

Chegamos em Larnaca às 10:30 da noite, alugamos um carro e dirigimos até nosso hotel, que ficava no meio do nada. Não conseguimos nem ter noção de onde estávamos. Somente paramos em uma loja de conveniência no caminho para comprarmos alguma coisa para comer, antes de cairmos duros na cama e dormir o sono dos justos.

Acordamos cedo, tomamos café, e partimos. Primeiro descobrimos que estávamos fora de Larnaca. A primeira impressão foi de que estávamos na Grécia, pois a maioria das casas era branca, no mesmo estilo mediterrâneo. Seguimos rumo norte, passamos primeiro por Napa Beach. Um distraído poderia bem pensar que estava em uma praia da Florida, primeiro pelo céu azul, depois pela quantidade de bares, fast-foods, clubes, hotéis, mercadinhos, enfim, o paraíso na terra para a juventude. Pela quantidade de jovens e até adolescentes que estavam no nosso voo de Londres, ficou claríssimo qual era o destino daquela galera. O que lamento é que para eles, não importava o país para o qual eles estavam embarcando, apenas a diversão que teriam nos próximos 7 dias. Não se interessavam nem um pouco pela cultura e história do lugar.

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Rua principal de Napa Beach

E era esse o nosso interesse. Então seguimos para o norte, em direção à fronteira com o Chipre do Norte. E por quê Chipre do Norte? Agora um pouco de história básica deste enrosco.

Pela sua localização mais do que estratégica no meio do Mar Mediterrâneo, o Chipre foi invadido por vários povos durante séculos. Era um entreposto entre a Europa e o Oriente Médio. Em 1571 foi dominado pelo Império Otomano, por 300 anos, até que o domínio iniciou-se a ocupação britânica. Somente em 1925 passou a ser uma colônia britânica. Porém, mais forte do que os britânicos, eras as aspirações das comunidades gregas e turcas na ilha, cada qual querendo o domínio da ilha. O s gregos-cipriotas queriam que a ilha se unisse à Grécia, e os turcos-cipriotas queriam a divisão da ilha entre Grécia e Turquia.

Em 1959, através do Acordo de Londres, foi criada uma república bicomunal, com estatuto igualitário. Como os grego-cipriotas não gostaram nada desta decisão, os conflitos logo começaram, e as comunidades começaram a se deslocar dentro da ilha, com os grego-cipriotas indo pro sul, e os turco-cipriotas pro norte. Foi o caminho para mais confusão, que culminou com um golpe de estado impetrado pelos gregos em 1974. Com medo do que poderia acontecer com a comunidade turco-cipriota, o exército turco invadiu a ilha pelo norte, ocupando assim cerca de 37% da ilha, e que permanece assim até hoje.

Desde então, a ONU e a União Europeia já tentaram mediar e solucionar o conflito, mas nada conseguiram, principalmente pela oposição dos grego-cipriotas, que querem o domínio total da ilha. Pelo visto, tão cedo isso não vai acontecer. Quanto mais o tempo passa, menor fica a possibilidade de se juntarem. São culturas, idiomas, moedas, religiões, comidas diferentes. Isso fora a animosidade crescente. Não há qualquer clima de guerra, mas também não há qualquer chance de unificação. Só lamento pelos turco-cipriotas, que só são reconhecidos pela Turquia, e ficaram completamente isolados do resto do mundo. Isso tudo em pleno século XXI. O tempo só aumenta a diferença entre os lados, já que a grande maioria dos turistas, dos investimentos, enfim, da atenção do mundo vai para o lado grego, que afinal, é o Chipre oficial. Em uma ilha tão pequena, cruzar a fronteira significa sair da Europa e entrar no Oriente Médio. Simplesmente lamentável, do ponto de vista econômico, mas fascinante do ponto de vista turístico.

Famagusta era a primeira cidade logo após a fronteira, e é aonde iríamos passar a noite, mas neste dia tínhamos que ir até Zafer Burnu, que fica na ponta nordeste da ilha. São 100 quilômetros de estrada, também chamado de Cabo Apóstolo Andreas. Estava um super calor, e paramos para um mergulho no mar. Que delícia! Água morna, limpa e transparente.

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Parada na estrada e preparo para um banho de mar

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Banho de mar, para aplacar o calor

Depois da parada, passamos por umas pequenas aldeias, e depois adentramos um parque nacional, portanto não havia mais trânsito, nem casas, somente natureza. Mais algumas praias no caminho até que fomos recepcionados pelos burros que ficam perto do Cabo. Pelas fotos dá para ver que são super mansos, e estão acostumados com os carros. Não sei se eles têm este costume porque os turistas dão algo para eles comerem, mas não quisemos arriscar.

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Recepcionistas

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Porta voz local

Na chegada ao Cabo, as bandeiras da Turquia e do Chipre do Norte tremulavam. Aliás é assim em todo país, assim como no sul tremulam as bandeiras da Grécia e do Chipre, sempre lado à lado.

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Bandeiras turco-cipriota e turca

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Local mais ao nordeste do país, meros 100 quilômetros da Síria

Subimos um morro para termos a vista do Cabo. Claro que não dá pra ver a Síria, mas ela está muito perto. Havia uma meia dúzia de outros turistas somente. Pena, para um lugar tão bonito. Sem infra nenhuma, deveria haver algum bar, loja de souvenir, mas está abandonado.

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Volta para Famagusta

Na volta paramos para fotos, com um tempo desse, e com um lugar desse, dava vontade de parar sempre.

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Parada para foto, poucos turistas

Chegamos em Famagista no final da tarde. Era um antigo porto, e hoje é uma cidade pequena, com cerca de 40.000 habitantes, com uma muralha veneziana cercando o Centro antigo. No coração da cidade, uma igreja imponente, que foi convertida em mesquita depois da invasão dos otomanos, hoje chamada de Mesquita Kamisi.

Fomos para o nosso hostel, que ficava à uns 300 metros da mesquita. Fomos atendidos por um casal de velhinhos super simpáticos, bem acolhedores. Foi apenas o cartão de visita da hospitalidade turca. Nos receberam muito bem, e reservaram um restaurante ao lado da mesquita, onde fizemos o jantar mais especial da viagem. Muitos pratos típicos da culinária local e do oriente médio, coisa que eu adoro. Os outros 2 são vegetarianos, e não puderam apreciar o quebab gostosíssimo.

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Jantar de gala típico turco

Dia longo, mas bem proveitoso. Bela recepção do Chipre do Norte.

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Posted by on November 22, 2017 in Chipre, Cyprus, North Cyprus

 

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